Pelo sexto ano, folia do Rio é exportada para a terra dos 'hermanos'

Proposta abraçada pelos argentinos já faz tanto sucesso que outros países já pensam em ter um pouco do Carnaval carioca

Por O Dia

Da (E) para (D)%3A Celia Domingues%2C presidente da Amebras%3B Antônio Pitanga%2C da Gangazumba%3B Edson Marcos%2C sócio da AMI7 e Leila Medina%2C produtora executiva da GangazumbaMaria Zilda Matos / Divulgação

Rio - O Carnaval do Rio vai desembarcar na Argentina nesta semana. O sexto ano da folia em San Luis contará com a participação de 1.500 componentes de 24 escolas de samba que desfilam na Cidade Maravilhosa. Na versão ‘hermana’, as baterias escolhidas para este ano são da Grande Rio e Beija-Flor, atual campeã. O projeto já faz tanto sucesso em solo argentino que outros países estão de olho no Carnaval exportação.

Nos três dias de evento, que começa na sexta, desfilam uma escola argentina, a Sierras del Carnaval, e duas do Rio, com integrantes de diversas agremiações. Todas têm comissão de frente, ala das baianas e passistas e um carro alegórico. O enredo é escolhido pelo governo. Uma escola do Rio vai falar sobre empreendedorismo e a outra, fará um desfile sobre os carnavais cariocas. Já a Sierras levará para Avenida, um Carnaval sobre o plano social de atitude saudável da Argentina.

“Pedimos às escolas do Rio que separem duas alas relacionadas aos enredos escolhidos pelo governo argentino. A montagem do desfile lá é igual a nossa. Tem que contar uma história e ter começo, meio e fim”, explicou Edson Marcos, sócio da AMI7, que cuida da logística do Carnaval de San Luis. Ele, ao lado do ator Antônio Pitanga, que é presidente da GangaZumba, produtora oficial do evento, Leila Medina, produtora executiva da mesma empresa e Celia Domingues, presidente da Amebras, que faz as oficinas de capacitação dos argentinos, são os responsáveis pelo maior evento da província de San Luis.

“Hoje conseguimos fazer do Carnaval lá, um acontecimento. A cidade recebe turista de vários países e tudo é transmitido ao vivo em rede nacional pela televisão”, comentou Antônio Pitanga. Em cada dia de evento, o Potrero de los Funes, como é chamado o Sambódromo dos hermanos, recebe um público de 22 mil pessoas. O sucesso já chamou atenção de outros países, como o Chile e Bolívia. “Somos sondados por vários países que querem levar nosso Carnaval. Mas não é tão fácil como eles pensam. O projeto é ousado e precisa ter muita responsabilidade para querer fazer”, declarou Leila.

Apesar do Carnaval ser feito por brasileiros, em sua maioria, o evento em San Luis tem suas peculiaridades. Diferente do Rio, quando no intervalo de uma escola e outra fica aquele silêncio, na Argentina, tem que ter um animador. “Se ficar tudo parado as pessoas vão embora. Então colocamos um animador distribuindo brindes para entreter o público”, explicou Leila. Em San Luis também não tem cronômetro no desfile. “No primeiro Carnaval fizemos o desfile no mesmo tempo daqui e o pessoal reclamou. Depois decidimos abrir mais o horário. Hoje, cada escola fica em média 1h30 na Avenida”, contou Edson.

Viagem longa

Os 1.500 componentes que vão sair do Rio rumo à Argentina terão 55 horas de viagem pela frente. O grupo, que será dividido em 40 ônibus, vai sair da cidade amanhã. Oito coletivos vão partir da Cidade do Samba, por volta das 10h. E os demais partirão de suas respectivas quadras.

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