Samba do ano vem de Ramos

Imperatriz Leopoldinense produz uma obra antológica sobre Zezé di Camargo e Luciano

Por O Dia

Rio - ‘É o amor. A receita da alegria. Sentimento e magia. A razão do meu cantar. É o amoooor...” A quem imaginava, cheio de preconceito, que dupla sertaneja jamais daria samba, a resposta veio em forma de prêmio. A Imperatriz Leopoldinense, que contará a saga de Zezé di Camargo e Luciano, tem, de acordo com o júri do DIA, o melhor samba de enredo do Carnaval 2016, seguido de perto pelo Salgueiro, que cantará a ‘Ópera dos Malandros’ na Sapucaí.

Baluarte da escola de Ramos, Zé Katimba, autor do samba ao lado de Adriano Ganso, Jorge do Finge, Moisés Santiago e Aldir Senna, se emocionou com o resultado. “Fazer samba e conquistar o público aos 83 anos é uma coisa que não tem preço. Ainda mais uma obra como esta, que conta a história de vida destes dois meninos que sofreram com tanto preconceito ao longo da vida”, disse Zé Katimba.

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O samba da Imperatriz é, para muitos, antológico. Pelo tema, pelo refrão que trata do amor imortalizado na canção mais famosa da dupla sertaneja, pela incrível participação da sanfoneira Lucy Alves como puxadora. Um conjunto imbatível.

“O refrão final é coisa de gênio. O inicial, quebrado, lindo. Letra excelente. Muita bossa, e o rabicho para chamar o refrão é perfeito. Golaço do Katimba”, elogiou o cantor Gabriel Azevedo, do grupo Casuarina.
Mesma opinião tiveram outros seis dos dez integrantes do júri, que deram a nota máxima ao samba da Imperatriz. Caso da cavaquinista e compositora Yasmin Alves. “O samba é lindo, a melodia lembra a música caipira em alguns momentos e mostra bem a realidade do interior. O refrão começando com ‘É o Amor’ foi um tiro certo”, comentou Yasmin.

A melodia, de fato, é riquíssima. A letra, deliciosa. Mas inspiração veio facilmente, como ensina o mestre Zé Katimba. “Exaltamos as coisas simples do homem do campo, o estilo de vida baseado no amor, na humildade, que deveriam ser a essência da nossa vida. Aqui na capital a gente é cheio de preconceito, tem a mente poluída, esquece a pureza, a simplicidade, estas coisas básicas da vida. E quando tocamos no tema, não tem como não emocionar as pessoas”, emenda o craque Katimba, no ângulo.

Samba é obra que termina na Avenida

Pesquisador de samba de enredo, Luiz Antônio Simas diz que a votação não significa sucesso garantido na Sapucaí. “Samba de enredo é uma obra em processo, que só acaba na Sapucaí. Do concurso na quadra ao desfile passa por muitos ajustes, inclusive para adaptá-lo ao intérprete de cada escola”, explica Simas. 

O melhor exemplo vem da Beija-Flor, que no início parecia — só parecia — não ter um samba à altura.
“No fim, a Beija mostrou que vem, de novo, com um grande samba. Não é o melhor do ano, mas vem brigar pelo título novamente”, diz.

A Imperatriz também teve mudanças, com Zezé di Camargo e Luciano cantando na gravação oficial. “É uma inteligente jogada de marketing. O CD serve para isso, para popularizar a obra. Mas pelo que vi antes de eles gravarem, na Avenida será ainda melhor”, avisa.

A cantora Dorina corrigiu a nota da Portela para 10. Assim, a escola de Madureira passaria para o terceiro lugar, à frente da Vila Isabel, com 98.5 pontos.