Por gabriela.mattos
Rio - O desfile do Bola Preta, o maior bloco de Carnaval do mundo, que amanhã, quando completa 98 anos, promete arrastar 1,5 milhão de foliões pelo Centro do Rio, atrai gente de todos os cantos do país. Eles se articulam em grupos, principalmente pela internet, e não medem distâncias para participar da festa da agremiação mais tradicional do Rio.
Os seguidores fiéis do Cordão são famílias, amigos e até mesmo aqueles que gostam de curtir sozinho as marchinhas, não importando a idade. Todo o tipo de público irá se reunir mais uma vez na Avenida Primeiro de Março, esquina com Rua da Assembleia, a partir das 9h. A multidão seguirá até Avenida Presidente Antônio Carlos.
O grupo de amigos de Bangu (ao lado) vão ao bloco com a fantasia ‘Uga Uga’ em que levam até ossos de boiFabio Gonçalves/14.02/2015

Os mineiros são frequentes no desfile. “Estou ansiosa, eufórica. Estou fazendo a contagem regressiva para chegar lá”, diz a frentista Marina Soares Conde Caporal, de 22 anos, que mora em Juiz de Fora. Ela já veio ao Rio “para ensaiar” sua primeira participação no Bola e, no início da madrugada de amanhã, vai sair da cidade mineira em uma das vans de excursão para a capital carioca, organizada pelo empresário Cledmar Rodrigues, de 28 anos, com 30 pessoas. “Só de pensar naquela multidão animada, me dá arrepios”, completa Rosângela Nascimento, 27, que virá no mesmo grupo.

Pela internet fãs do Bola Preta não escondem a emoção pela expectativa dos desfiles. “Vem Carnaval, em mim!”, publicou em seu perfil no facebook, Thânia Magalhães, que é de Santos, mas apaixonada pelo Bola Preta e pela Mangueira.

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Do Rio de Janeiro, foliões de todos os bairros também se articulam, preparando suas fantasias para muito além do preto e branco, as cores do bloco. Tem fada, Uga Uga, Minnie, Colombina, Mulher Maravilha e Piratas.
Em Bangu, na Zona Norte, uma caravana de amigos vestidos de Uga Uga, com tinta guache preta pelo corpo, segurando ossos e cabeça de gado, saem no bloco há seis anos. O objetivo é se divertir e fazer com que os outros foliões caiam na gargalhada. “Vamos vestidos assim mesmo. Tem de tudo na no nosso grupo, amigos e parentes”, disse Deivid Toledo, de 26 anos, um dos organizadores do grupo, que já tem até fãs no Facebook, com mais de 600 curtidas na página. “Tem gente de fora que quer até participar também. Eles veem a união e se empolgam”, acrescentou.
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Gabriella Regina Silva, 33 anos, secretaria, contou que sua tradição com o Bola Preta começou em família. “Minha mãe e meu tio sempre iam. Depois começamos a frequentar, com as minhas primas”, disse. “Hoje o grupo que vai fantasiado é muito maior do que só a família. Têm amigos e agregados também”, completou ela. “Sete mulheres da família vão sair de colombina e os homens de mulher maravilha. “Nós levamos tudo para o bloco. Tenda, cerveja, até o aipim com carne seca da minha mãe!”, declarou a moradora no Cachambi.
Há também os que vão brincar sozinhos no bloco. José Augusto, de 66 anos, aposentado, é um deles. Ele foi a todos os desfiles do Bola Preta desde 1969. “São 40 anos de tradição. Estou solteiro e vou sozinho sem problema algum. Sempre compro minha camiseta e vou. A desse ano comprei ontem”, contou Seu José, que nunca foi casado, mas que, quando estava namorando, levava a companheira para folia.
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O presidente do Cordão Bola Preta, Pedro Ernesto Marinho, disse que esse ano o bloco vem com um desfile mais do que especial e falou sobre a nova marchinha, composta por ele e o “embaixador” João Roberto Kelly, que será entoada ao longo do cortejo. A marchinha se chama 'Eu Quero Dinheiro'. “E além do desfile, também temos a macarronada pós desfile. Somos incansáveis!”, completou. 
"O Bola contornou a crise, superou as dificuldades e vai, como todo ano, fazer um imenso carnaval!”, finalizou. Sobre o policiamento, que deve contar com cerca de 300 policiais, para os 1,5 milhão de foliões, ele desconversa. “Nós vamos para a rua para garantir a alegria dos foliões, caberá a polícia a questão de segurança”, disse.
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?Com a estagiária Carolina Moura