Por tabata.uchoa
Rio - A cena que Juliana Alves, 33 anos, protagonizará neste domingo à noite à frente dos ritmistas da Unidos da Tijuca, sexta escola a desfilar, não é exatamente inédita, acontecerá pela quarta vez consecutiva, mas, sem dúvida alguma, vale a pena ver de novo. E fica a dica: quando a Rainha de Bateria da escola de samba do Morro do Borel pedir passagem, abra bem os olhos. O show de samba no pé, elegância, beleza, simpatia e sensualidade é garantido. “Quem tem alma de artista não pode achar que domina nada, mas hoje entro na Avenida com mais autoconfiança e sabendo onde devo reverenciar a bateria, sambar no pé. O que muda a cada ano é o desenho da coreografia porque o samba é a base da dança”, diz.
Rainha de bateria da Unidos da Tijuca pelo quarto ano consecutivo%2C Juliana Alves diz que está mais autoconfiante e que não pensa em parar Thiago Bruno

Já o efeito de um instrumento musical no corpo da atriz, que acaba de renovar seu contrato com a Globo, se mantém inalterado. “A cuíca me leva ao rebolado. O samba tem uma sensualidade implícita e eu gosto de brincar com isso. Tenho consciência de que sou sensual quando estou sambando. Não tenho a pretensão de ser supersensual, mas eu tenho rebolado”, comenta, complementando. “Já a vulgaridade não me pertence. Quando eu sambo, não tenho foco na sedução e, sim, em transmitir alegria e representar a escola.”

E o reinado de Juliana na Unidos da Tijuca vai muito além dos 82 minutos de desfile. “Tenho necessidade de estar inserida no dia a dia da escola. Conheço as questões, as pessoas, me envolvo com os projetos sociais e sou bem próxima da escola mirim, onde tem uma pureza única. Me interessa exaltar a cultura que envolve o Carnaval”, frisa.
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Representação tradicional da folia de Momo, a fantasia é peça imprescindível, assim como o mistério em torno do traje da Rainha de Bateria. “É segredo mesmo (risos). Sou supersticiosa. O que eu posso dizer é que a bateria vem representando os agricultores e a minha personagem no desfile auxilia na agricultura, faz benfeitorias”, adianta. Assinado pelo estilista Saulo Henriques, o look de Juliana promete dar o que falar na Sapucaí.
Juliana Alves dá show á frente dos ritmistas Fernando Souza / Agência O Dia

“Venho muito diferente este ano e com uma fantasia bordada a mão, com dois tons de cristais, enfim, rica. Mas rica no sentido do trabalho minucioso e, não, no financeiro”, observa, sem revelar as cifras que envolvem do figurino que usará logo mais. “Não tenho ideia do custo da fantasia. O valor está em viver na Avenida uns dos momentos mais especiais da minha vida.”

E se depender de Juliana, esse grande dia ainda vai se repetir por muitos Carnavais. “Amo ser rainha e não penso em parar. Me sinto abençoada porque consigo conciliar a minha profissão com as demandas de rainha”, observa.
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As bênçãos percorrem ainda o corpo (natural) da majestade da Tijuca. “Não me sinto cobrada para ter silicone ou ser sarada. Aceito a minha natureza, não quero ter uma realidade que não me pertence. Não busco ser magrela e não quero ter um corpo montado. Gosto do meu corpo natural”, afirma.
Como dar uma forcinha à mãe natureza nunca é demais, Juliana tem lá os seus cuidados com o corpo, como qualquer mortal. “Preciso estar bem disposta no desfile, com bom condicionamento físico, então começo em dezembro a intensificar os trabalhos aeróbicos. E pelo menos três vezes por semana treino com o meu personal, o Márcio Mutuca, que me passa uma série de exercícios funcionais. Também intensifico os exercícios abdominais”, conta. O reinado ainda pede cuidados com a alimentação. “Não faço nada muito restritivo, mas priorizo legumes, verduras, evito gorduras, doces e bebo bastante água. No mais, é alegria e samba no pé.”