Nordeste abre o segundo dia de desfiles da Série A

União do Parque Curicica e Tuiuti trazem o folclore da região para a Sapucaí

Por O Dia

Rio - A União do Parque Curicica abriu o segundo dia dos desfiles da Série A no Sambódromo com o enredo ‘Corações Mamulengos’. A escola, que abusou dos corpos sarados para contar a história dos bonecos tradicionais de Pernambuco, desfilou com apenas três carros alegóricos, já que um deles quebrou ao sair do barracão, na Avenida Brasil.

A União do Parque Curicica trouxe o enredo Corações MamulengosAE

O Nordeste também fez parte do tema da segunda escola a entrar na Marquês de Sapucaí. Com o enredo ‘A Farra do Boi, do carnavalesco Jack Vasconcelos, a Paraíso do Tuiuti empolgou mais que a primeira escola ao levar para a Avenida lendas e o folclore da região. Um dos destaques foi a comissão de frente com os bois da cara preta. “Viemos para assombrar mesmo”, disse o coreógrafo Junior Scarpin.

A terceira escola a entrar na Avenida foi a Inocentes de Belford Roxo, que homenageou o cineasta Cacá Diegues. O presidente da agremiação disse que a escola investiu R$ 1,5 milhão no desfile, um dos maiores investimentos do Grupo, segundo ele. Até o fechamento desta edição, eram esperadas ainda a tradicional Império Serrano, com o enredo ‘Silas Canta Serrinha’, Caprichosos de Pilares, que faz homenageando o jogador sérvio Petkovic, Unidos de Padre Miguel e Acadêmicos do Cubango.

Na primeira noite de desfiles da Série A, além da Viradouro, outra escola que encantou o público foi a Porto da Pedra, que levou para a Avenida uma bela homenagem ao Palhaço Carequinha. A comissão de frente, coreografada por Patrick Carvalho — o mesmo profissional da União da Ilha —, trouxe figurantes representando palhaços famosos, como Bozo, Topetão e Patati Patatá, além de um anão. Usando uma lona inflável, a colorida comissão montava o ‘circo’ sempre diante dos jurados.

A Comissão de Frente da Porto da Pedra representou palhaços famosos%2C como o Bozo e o TopetãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Desenvolvidas pelos carnavalesco Jaime Cezário, as alegorias retrataram com clareza a vida e a obra de Carequinha, que viveu em São Gonçalo, cidade da Porto da Pedra. Ainda na madrugada de ontem, a Renascer de Jacarepaguá teve um dos enredos mais interessantes do primeiro dia: a história dos orixás que viraram santos no Brasil, a partir da representação de São Cosme e São Damião. O Império da Tijuca encerrou a primeira noite com um belo desfile sobre o ator José Wilker e corre por fora para chegar ao Grupo Especial.

Unidos de Padre Miguel fez enredo criativo sobre a história dos impostos no BrasilDivulgação/ Rio Tour

Unidos de Padre Miguel

A Unidos de Padre Miguel fez também um dos belos desfiles da segunda noite da Série A no Sambódromo. A ideia do enredo parecia arriscada: contar a história dos impostos no Brasil e da exploração das nossas riquezas de forma irreverente e sem complicar a compreensão do público. Deu certo. Sexta a desfilar, a escola levou alegorias extremamente ricas e bem acabadas, proporcionando assim belo espetáculo. Mérito do carnavalesco Edson Pereira, que também assina o desfile da Mocidade Independente ao lado de Alexandre Louzada.

A comissão de frente reproduziu banquete na corte e lembrou o histórico ‘Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia’, da Beija-Flor de 1989. Logo em seguida, a ala das crianças veio fantasiada de ratinhos do porão, sendo ovacionada pelo público.

Ao longo das alas, a escola misturou história e crítica social na dose certa. Apesar de algumas fantasias sem leitura fácil e de alguns problemas em evolução, a Unidos de Padre Miguel brilhou em todos os demais quesitos, por isso está também credenciada a disputar o título.

Antes de entrar na Marquês de Sapucaí, o penúltimo carro deu um susto e quase entalou no viaduto.
Com ‘Um Banho de Mar à Fantasia’, a Cubango encerrou a segunda noite da Série A. A comissão frente, comandada por Márcio Moura, trouxe bailarinos simulando nado sincronizado dentro de um mar cenográfico, com muito bom humor. O enredo, no entanto, que falava de lendas do mar e exaltava a importância da preservação da água, foi contado de forma pouco criativa. As fantasias de algumas alas também deixaram a desejar.

Inocentes

A Inocentes de Belford Roxo contou a história de um do cineasta Cacá Diegues. Terceira agremiação a pisar na Sapucaí, a escola da Baixada, que passou pelo Grupo Especial em 2013, lembrou os filmes mais importantes da obra do artista, entre eles ‘Chica da Silva’, ‘Bye, Bye, Brasil’, ‘Quilombo’ e ‘Tieta do Agreste’. A comissão de frente foi um dos destaques. Representando o contato de Cacá ainda criança com a sétima arte, o grupo reproduziu o clima mágico de uma sala de cinema, com direito a lanterninha e baleiro. A presença de um figurante mirim deu um toque especial ao trabalho.

A segunda alegoria, intitulada ‘Caravana Rolidei e o Grande Circo Místico’, apesar de imponente, apresentou falha na iluminação. O letreiro de ‘Caravana Rolidei’ passou com o ‘R’ de caravana apagado.
Estreando como Rainha de Bateria, a funkeira Renata Frisson, a Mulher Melão, roubou a cena, apesar da fantasia um tanto comportada. Aos 75 anos, Cacá Diegues veio no quarto e último carro, ao lado Renata de Almeida Magalhães, sua mulher, e mostrou que sabia cantar o samba todo.

Império Serrano

Com o enredo ‘Silas canta a Serrinha’, que homenageou o centenário do lendário compositor, morto em 1972, e a história do berço da escola, o Império Serrano honrou sua tradição e encantou a Sapucaí. Vibrante, a escola do carnavalesco Severo Luzardo fez uma apresentação praticamente sem erros.

Um dos destaques foi a bateria de mestre Gilmar com seu tradicional naipe de agogôs. Em noite inspirada, a Sinfônica do Samba deu show de ritmo e embalou os componentes, que desfilaram com muita garra. Baluarte do Império, o baterista Wilson das Neves, de 79 anos, veio à frente dos ritmistas, assim como a ex-carnavalesca Maria Augusta, que é madrinha do grupo.

O samba-enredo cumpriu bem seu papel. Arlindo Cruz, um dos autores, desfilou em cima do carro de som saudando o público. “A escola veio muito bonita e está mais do que na hora de voltar à elite do Carnaval. Mas sei que a disputa será dura para escolher a vencedora”, disse o compositor.

A comissão de frente também agradou bastante às arquibancadas, representando as divindades das raízes africanas da Serrinha. Outro destaque foi o terceiro carro da escola, que trouxe uma enorme imagem de São Jorge matando o dragão, e mostrou a devoção dos imperianos ao santo padroeiro.

Na última alegoria, que trouxe familiares de Silas de Oliveira e Tia Maria do Jongo, a veterana atriz Myriam Pérsia, de 80 anos, repetiu seu ritual de décadas e brilhou como destaque.

Já para a porta-bandeira Rafaela Caboclo, a noite foi de superação. Com sintomas de caxumba, ela não se deixou abater e cumpriu seu papel com o mestre-sala Feliciano Junior. Um pouco abatida, Rafaela rodopiou com certa lentidão em alguns momentos, mas defendeu o pavilhão com muita garra.