Por cadu.bruno

Rio - Salgueiro, Portela e Mangueira se destacaram no segundo dia de desfiles do Grupo Especial e despontam como favoritas ao título. A escola campeã do Carnaval carioca será conhecida nesta quarta-feira a partir das 15h45.

Beija-Flor, Unidos da Tijuca e Mocidade se destacam no primeiro dia na Sapucaí

O Salgueiro colocou o malando na praça outra vez. Logo que o samba enredo da escola começou a ser tocado na Marquês de Sapucaí, o público, em todos os setores do Sambódromo, acompanhou com uma vibração contagiante.

Salgueiro levou a malandragem para a Avenida Cacau Fernandes / Parceiros / Agência O Dia

Era um sinal do ritmo forte que a segunda escola da noite de segunda-feira (8) imprimiria na avenida para apresentar o enredo A Ópera dos Malandros, desenvolvido pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage. “O que eles fizeram na bateria foi show de bola”, disse o mestre Marão, sobre a Furiosa, como é chamada a bateria do Salgueiro.

Publicidade
As alegorias extensas e pesadas não impediram que a escola evoluísse no tempo sem atropelos. Vários tipos de malandro passaram pela avenida em um desfile marcado pela alegria dos componentes.
Salgueiro é uma das favoritas ao título do Carnaval 2016Onofre Veras / Parceiros / Agência O Dia

A tia Taninha, do Caxambu, no Morro do Salgueiro, foi passista, ritmista e agora está na Velha Guarda. Ela disse que o samba mexeu com os componentes. “Que beleza, muito bom. Dá uma emoção danada, não tem explicação”, disse, avaliando a possibilidade da escola conquistar o título de campeã. “Vamos ver, quem sabe é jurado! Estamos na briga. Senti que a escola veio bem e a comunidade gostou do samba, foi apoiado”.

Publicidade
Apesar do bom desfile, o abre-alas da escola teve um problema de iluminação durante o desfile, mas pouco depois ao normal.
Portela
Publicidade
Quem também impressionou o público foi a Portela. A viagem da águia, símbolo da escola, pela humanidade, garantiu o destaque de ter sido considerada, junto com o Salgueiro e a Mangueira, como as melhores apresentações do segundo dia do Grupo Especial.

Para contar o enredo No voo da águia, uma viagem sem fim, o carnavalesco Paulo Barros modernizou a escola e agradou os integrantes da Velha Guarda, pelo respeito à tradição da azul e branco. “Ele não fugiu à tradição e fez um trabalho maravilhoso”, indicou Tia Surica desfilou no chão antes da comissão de frente. “Eu fiquei muito emocionada, mas pela minha escola faço qualquer coisa”.

Tradicional águia da Portela mais uma vez deu show à parteHumberto Ohana / Parceiro / Agência O Dia

A comissão de frente, como já é uma das marcas dos desfiles de Paulo Barros, causou forte impacto no público. Ela representava a Odisseia de Homero. Os integrantes, que são bailarinos, tiveram que se movimentar muito. Eles subiam em uma alegoria onde estava o atleta de flyboard Cláudio Matos, vestido de Poseidon, deus da mitologia grega. O equipamento usado por ele permitiu ser elevado com jatos de água a uma altura de até de 30 metros e ficar parado no ar. Toda vez que isso acontecia ao longo do desfile, o público vibrava.

Publicidade
Por causa dos movimentos rígidos, necessários para realizar a coreografia, os integrantes da comissão tiveram o auxílio nos ensaios do fisioterapeuta Vitor Pessanha e do preparador físico Jalber Rodrigues. “É uma coreografia inusitada e tem muito esforço físico. Além de trabalhar a parte física a gente trabalhou a eficiência mecânica e isso foi bem legal para o resultado final”, contou Jalber.
Escola ouviu os gritos de 'é campeã!'Alexandre Brum e João Laet / Agência O Dia

O fisioterapeuta confeccionou uma bota especial para cada integrante para amenizar possíveis lesões de tornozelo, já que os bailarinos desciam de uma parte muito alta da alegoria. Momentos antes do desfiles eles fizeram um trabalho com os bailarinos.

Publicidade
“Na concentração foi feito um trabalho de massagem para deixar a musculatura bem solta para eles realizarem os movimentos na avenida. Com o Jalber, eles fizeram um trabalho para a musculatura chegar ativada para dar tudo certo e graças a Deus conseguimos”, disse Vitor. Os dois nunca tinham feito trabalhos para escolas de samba.
Mangueira
Publicidade
A Mangueira fez um desfile que emocionou o público. A homenageada foi a cantora Maria Bethânia, pelos 50 anos de carreira. O enredo Maria Bethânia- a menina dos olhos de Oyá permitiu uma Mangueira diferente dos últimos anos.
Verde e rosa apostou em Maria Bethânia para voltar a ganhar o carnaval cariocaCacau Fernandes/Agência O Dia

“Tinha pouco ferro, não tinha muito esplendor. Acho que foi um desfile com visual moderno. Tem um visual diferente, mais leve. Para a Mangueira foi diferente e fico feliz deles terem gostado para caramba”, disse o carnavalesco Leandro Vieira, na dispersão da Marquês de Sapucaí, que durante o desfile comentou que o dengo da baiana estava "dando certíssimo". O dengo da baiana é uma parte da letra do samba-enredo.

Publicidade

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, que é mangueirense, entrou na avenida à frente da escola. Ele disse que o enredo da Mangueira permitiu ainda um apoio à negação à intolerância religiosa. Juca Ferreira destacou também que a carreira de Bethânia é marcada pela valorização da música brasileira e resgate da cultura popular. “Bethânia é uma das grandes artistas do Brasil e seu canto está muito vinculado à cultura popular brasileira. O resgate, a defesa e o canto. Ela expressa o que de há de melhor no Brasil em termos culturais”, disse.

Desfile da Mangueira mostrou a vida da cantora, uma das maiores da história do PaísCacau Fernandes / Parceiros / Agência O Dia

A Mangueira também tinha uma alegoria intitulada Abelha Rainha, mas era uma relação de como a cantora é chamada após ter gravado a música Mel. Neste carro vieram vários amigos da cantora como as também cantoras Ana Carolina, Adriana Calcanhoto e Zélia Duncan, o compositor Moacyr Luz, e a diretora de teatro Bia Lessa, que já dirigiu vários espetáculos de Bethânia.

No fim do desfile, Maria Bethânia, emocionada, acenou para o público das arquibancadas populares da Praça da Apoteose. Ela desfilou no último carro, chamado de Céu de Lona Verde e Rosa, ao lado das afilhadas Nina e Júlia, de 12 anos, e enquanto dava um abraço nelas ouviu o público consagrando a escola com o grito de é campeã.
Publicidade
Publicidade
Você pode gostar