Por gabriela.mattos
Romaria de fãs%3A Luiz Carlos levou a família mangueirense do Centro do Rio para conferir de perto o novo troféu da Verde e RosaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Rio - São Cristóvão, na Zona Norte, que já encantou a Família Real, não vive só do Jardim Zoológico e do Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga. O Bairro Imperial se fortalece como o reino do samba do Rio após a consagração de suas duas escolas neste Carnaval — Mangueira, que conquistou o Grupo Especial após 13 anos de jejum, e Paraíso de Tuiuti, primeira colocada na Série A, e que volta à elite no próximo ano depois de 15 anos. Para os moradores das comunidades, separadas apenas pela Rua São Luís Gonzaga, a dupla conquista vai trazer mais respeito ao bairro, que segundo eles é o ‘novo império’ do samba.

Nesta quinta-feira pelas ruas dos dois morros o que se viu foram torcedores vestidos com as cores das escolas. Na quadra da Verde e Rosa, uma verdadeira romaria. Pessoas de todos os cantos do Rio tentavam uma foto com o troféu e a rainha de bateria, Evelyn Bastos. “Vim do Flamengo só para viver um pouco deste ar de campeão. Minha mãe, com câncer de mama, pulou feito criança com o título. É muita emoção. Só queria dar um beijo na taça e agradecer aos componentes”, disse o motorista Marcos Antônio de Assis, de 43 anos.

Das seis escolas que voltam ao desfile das campeãs, cinco são da Zona Norte. Além de Mangueira, tem Imperatriz, Portela, Salgueiro e Tijuca. “A força do samba está aqui. Ganhamos este Carnaval no emocional. Tive ainda mais certeza da vitória no momento em que chegou o quesito de alegorias e adereços, pois sabia que o Salgueiro iria perder pontos. Tomei uma caixa de cerveja para comemorar”, lembrou o morador do Centro e publicitário Luiz Carlos de Souza, de 65 anos. Ao lado da esposa, Natércia Ribeiro, e dos filhos, Luis Vitor, 6, e Maria Gabriela, d4, passaram o dia na quadra da Mangueira. “Na quarta-feira foi meu aniversário e como presente ganho o título da Verde Rosa. É muita paixão”, contou Natércia. A quadra da escola ficou aberta para torcedores que puderam tirar fotos da taça e a procura pela venda de camisas e acessórios foi grande.
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Filha de rainha é rainha também
A bela Evelyn Bastos, há três anos rainha da bateria da Mangueira, herdou de família o talento para o samba no pé na Sapucaí. Cria da comunidade, a estudante de Educação Física, de 22 anos, entrou para a Escola Mirim Mangueira do Amanhã aos quatro. A mãe dela foi rainha da escola na década de 80. Ontem, Evelyn teve um dia de pop star na quadra da escola: posou ao lado do troféu, tirou fotos com fãs e deu entrevistas.
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Dona de um corpo escultural, ela é fã de Raíssa de Oliveira e Cris Vianna, rainhas da Beija-Flor e Imperatriz, respectivamente. Passistas da Mangueira há dez anos, as amigas Renata Calixto, 33, e Jéssica Santos, 23, se espelham na musa para desfilar pela escola. “Ela estava linda e entrou com garra”, contou Jéssica.
Evelyn disse que soube lidar com o não favoritismo da Verde e Rosa antes de entrar na Avenida.“Ganhamos e lavamos a alma. Acredito que a escola vai se consolidar e brigar todos os anos pelo título”, apostou. 
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Quem herdará trono e dívida?
"A ficha ainda não caiu. Foi sensacional”. Essas foram as primeiras palavras do presidente da Verde e Rosa, Chiquinho da Mangueira, ao subir os degraus da escola, ontem à tarde. Antes de deixar o local, uma passada rápida pela sala de troféus. Mas nem tudo são flores. A dívida da agremiação ainda é alta. A Mangueira é a escola que mais deve entre as grandes do Grupo Especial.
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“Quando assumi em 2013, pegamos uma escola com R$ 14 milhões em dívidas, pagamos cerca de R$ 9 milhões. Este ano, o investimento foi alto. Na casa de R$ 10 milhões. Foi o Carnaval da superação. Um dos mais disputados nos últimos 20 anos”, lembrou.
Ele ainda garantiu que não vai se candidatar à presidência da escola nas eleições que devem acontecer em abril. Um dos nomes que podem se candidatar é o de Percival Pires, ex-presidente.
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Cores da Tuiuti também tomam as ruas do bairro
Não foram só torcedores da Verde e Rosa que saíram às ruas com suas camisas. O azul e o amarelo da Paraíso do Tuiuti também foram vistos por toda parte. Morador da comunidade, o ritmista Marcos Vinicius Pinto, 21, dedicou 15 anos à escola de coração e almeja sonhos mais altos.
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“Não queremos fazer como as outras, que sobem e no ano seguinte caem. São Cristóvão mostrou sua força e a relação com a Mangueira é ótima”, avisou. As amigas Márcia Regina, 50, e Marcele Aquino, 35, tiveram a experiência de tocar na escola pela primeira vez e conquistar o título. “Esse bairro não vive só de Zoológico e Feira dos Nordestinos. É muito mais, é o berço do samba”, disse Márcia.
Além da afinidade geográfica, Tuiuti e Mangueira dividem um mesmo talento: o coreógrafo Júnior Scarpin comandou as Comissões de Frente das duas campeãs.
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