Diretor de barracão da São Clemente tem vida dedicada à escola: 'É a inspiração'

Conhecido como Cacá, ele entrou na agremiação para trabalhar na faxina da quadra. Esta é a quarta reportagem da série 'Personagens do Samba'

Por O Dia

Rio - Por onde passa no barracão da São Clemente, Cacá é reconhecido por todos. Em meio à rotina agitada, ele é alvo de brincadeiras e piadas de seus colegas de trabalho. A relação de Carlos Henrique, de 39 anos, com a agremiação começou na década de 1990, quando foi levado por amigos para desfilar pela escola. Desde aquela época, ele nunca mais deixou a Amarela e Preta.

Chefe de barracão da São Clemente%2C Cacá trabalha na escola desde a década de 1990Alexandre Brum / Agência O Dia

O hoje diretor do barracão já passou por vários setores da São Clemente. Quando estava desempregado, Cacá foi acolhido pela comunidade e começou a trabalhar na limpeza da quadra. “Eu já frequentava muito a agremiação. Soube de uma vaga na faxina, agarrei a oportunidade e estou aqui até hoje”, conta ele, que agora é o responsável por supervisionar o galpão da escola na Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio. “Sou muito grato a todos por isso”, reforça.

A rotina de Cacá é intensa. Seu horário de entrada no barracão é às 10h, mas normalmente não tem hora para sair. Ele enfatiza ainda que nesta reta final o trabalho fica ainda maior. “Não tenho hora para sair daqui. Já fui embora entre 2h e 3h”, lembra. Além de ser o responsável pelo barracão, o profissional organiza o almoxarifado e gerencia as equipes de iluminação e escultura da agremiação. “Coopero sempre no que a escola estiver precisando”, completa.

Cacá é reconhecido por todos no barracão da São ClementeAlexandre Brum / Agência O Dia

No início de sua carreira na São Clemente, Cacá também já foi diretor de bateria. Momentos antes de a Amarela e Preta entrar na Sapucaí, ele ajuda a afinar os instrumentos dos ritmistas e os distribui para os integrantes. O profissional comenta ainda que ele tem a função de levar o caminhão de peças para a Avenida Presidente Vargas no dia do desfile e de prestar serviço às alegorias caso falte algo. “O nervosismo toma conta no dia. O coração fica acelerado dos bastidores ao momento que a gente pisa na Sapucaí”, afirma Cacá, que brinca, bem-humorado: “O sentimento só alivia quando chega no fim do Sambódromo”.

Apesar de estar na São Clemente há duas décadas, o profissional não cita nenhum desfile que tenha marcado mais a sua vida. “Eu me surpreendo a cada Carnaval, não consigo escolher um, todos foram importantes para mim”, ressalta.

Neste ano, quando a agremiação levará o enredo “Onisuáquimalipanse” para a Avenida, Cacá torce para que a escola do coração fique entre as campeãs do Carnaval. “No desfile, nós vamos procurar acertar onde nós erramos em 2016, para poder alcançar o nosso objetivo que é ser campeão”, destaca Cacá. “As expectativas são as melhores possíveis”, acrescenta.

A mulher do diretor de barracão também participa dos desfiles da escola de samba. Segundo o profissional, a esposa foi contagiada pela energia da comunidade depois de ser levada por ele à quadra. Desde então, ela nunca mais saiu e desfila até hoje. Ao ser questionado sobre o que a agremiação representa  na sua vida, Cacá não tem dúvidas da resposta: “A São Clemente é minha inspiração”. 

Essa reportagem faz parte da série ‘Personagens do Samba’ do DIA Online, publicada todas as segundas, quartas e sextas-feiras. Na próxima sexta, conheça a história de Romário, o chefe dos ferreiros da Vila Isabel.

Reportagem de Adriano Araújo, Gabriela Mattos e da estagiária Luana Benedito