Ferreiro garante a estrutura das alegorias da Vila Isabel há dez anos

Conhecido como Romário, profissional acumula um vasto currículo entre as escolas. Esta é a 5ª reportagem da série 'Personagens do Samba'

Por O Dia

Rio - Nem mesmo a crise financeira abalou a esperança dos foliões, da diretoria e dos funcionários da agremiação de fazer um bom espetáculo neste ano. Para conquistar o título, a Azul e Branca conta com uma presença de peso no barracão: o ferreiro Roberto Alves Francisco, de 48 anos, mais conhecido como Romário. Com 22 anos de Carnaval carioca, o profissional acumula um vasto currículo entre as grandes escolas de samba: começou na Santa Cruz e trabalhou também na Portela, Viradouro, Mocidade e Porto da Pedra.

Roberto Alves Francisco%2C o Romário%3A orgulho e experiência em desfileMárcio Mercante / Agência O Dia

Há dez anos na Vila Isabel, o ferreiro destaca a importância da agremiação da Zona Norte em sua vida. “Vou guardar essa experiência no meu coração para sempre”, enfatiza. Em relação aos problemas financeiros da escola, ele é confiante e diz que é preciso utilizar a criatividade para superar a crise.

“Não podemos esperar a crise passar, temos que superá-la. A diretoria está se esforçando para a gente brigar lá no topo”, reforça o profissional, que preferiu não revelar as novidades do desfile deste ano. “As surpresas serão reveladas apenas no dia”, brinca Romário, que ganhou o apelido ainda na Santa Cruz, em 1995, em alusão ao ex-jogador.

Conhecido como Romário%2C chefe dos ferreiros da Vila Isabel há dez anosMárcio Mercante / Agência O Dia

Todos os dias, ele chega à Cidade do Samba às 9h e gerencia o trabalho de outros dez ferreiros. Além de fazer essa organização, ele também ajuda na construção das ferragens dos carros alegóricos. Já no dia do desfile, Romário tem a responsabilidade de terminar de montar todas as alegorias na concentração, antes de entrarem no Sambódromo.

O profissional conta que chega na Avenida Presidente Vargas às 8h e descansa por volta das 15h. No momento do espetáculo, o ferreiro entra no Sambódromo com a agremiação, para dar um suporte caso alguma alegoria dê problema. Depois, ele desmonta os carros na dispersão, na Rua Frei Caneca.

“A responsabilidade é toda minha, então praticamente não consigo ver o desfile. O único que consegui ver melhor foi o de 2013, quando ganhamos o campeonato. Nesses últimos anos foi complicado”, conta o ferreiro, que, fora do período de Carnaval, trabalha como funcionário da Vila Isabel e monta objetos com ferros, como mesas e cadeiras.

A história de Romário é a quinta reportagem da série ‘Personagens do Samba’, do DIA Online. As matérias especiais são publicadas todas as segundas, quartas e sextas-feiras. Leia o texto completo no site. Na próxima segunda-feira, conheça Bira do R, locutor oficial do Salgueiro. 

Reportagem de Adriano Araújo, Gabriela Mattos e da estagiária Luana Benedito