Carmelitas empolga Santa Teresa com críticas a preço do bonde e a políticos

Bloco volta às ladeiras do bairro na próxima terça-feira

Por O Dia

Rio - Um dos mais tradicionais do Carnaval carioca, o Bloco das Carmelitas entupiu as ladeiras de Santa Teresa na tarde desta sexta-feira. O samba deste ano faz críticas ao novo preço da tarifa do bonde que circula no bairro — que passou de R$ 0,60 para R$ 20 —, além de provocações ao governador Luiz Fernando Pezão e ao presidente Michel Temer. O bloco das Carmelitas volta às ruas de Santa Teresa na próxima terça-feira.

Bloco das Carmelitas empolga Santa Teresa com críticas a preço do bonde e a políticos Márcio Mercante / Agência O Dia

“Mãos ao alto! Vinte reais é assalto”, diz o início do samba, que, embalado por uma bateria expressiva, caiu com facilidade na boca do povo. O enredo segue com críticas a tudo quanto é político. “No Rio Universal, o carioca dança como a banda toca. Pezão não paga o servidor. Pelo Brasil afora, Temer anuncia: ‘Tchau, querida aposentadoria’.”

Além das fantasias tradicionais e do clima familiar, muitos se empolgaram com o enredo e misturaram diversão e manifestação. Foi o caso da aposentada Luzia Fonseca, de 66 anos, que aproveitou uma máscara comprada no Peru para aplicar os dizeres ‘Fora Temer’. “Essa máscara é de uma festa que os peruanos fazem para exorcizar os demônios”, disse, em tom brincalhão, a foliã.

Teve até gente pegando embalo na temática para capitalizar. A artesã Luciene Martins, que trabalha com o marido em um ateliê no bairro, vendia máscaras de couro com ‘Fora Temer’ estampado. E fez sucesso. “Estou vendendo umas 30 por dia, mesmo sem bloco”, contou. Cada unidade sai por R$ 35.

Fundado em 1990, o bloco tem história curiosa. Em Santa Teresa, onde fica o Convento das Carmelitas, um morador jura ter visto uma freira pulando o muro da casa religiosa para se juntar à folia. Os foliões, a fim de ‘proteger’ a fugitiva, se fantasiam de freira. É que assim, diz a lenda, fica mais difícil de encontrá-la na multidão.


Reportagem do estagiário Caio Sartori