Segundo dia de desfile na Série A tem queda de porta-bandeira e Império na briga

Jéssica, da Padre Miguel, torceu o joelho e desabou perante os jurados, causando comoção no público. Império Serrano é favorita para subir

Por O Dia

Rio - O segundo dia de desfile das escolas de samba da Série A foi marcado por um triste acontecimento: Jéssica Ferreira, porta-bandeira da Unidos de Padre Miguel, torceu o joelho e caiu durante a apresentação perante o segundo módulo de julgadores. A porta-bandeira saiu da Sapucaí de maca e foi levada ao hospital. Deixou o desfile ovacionada e deixando o mestre-sala, Vinícius Antunes, evoluindo sozinho por alguns minutos. O Império Serrano foi o destaque e deve entrar na brigar pelo acesso.

Rocinha tem fantasias caprichosas, mas evolui com falhas

O capricho plástico do desfile da Rocinha deve ter agradado ao saudoso carnavalesco Viriato Ferreira, grande homenageado da escola de samba da Zona Sul carioca, na abertura do segundo dia de desfile na Sapucaí. A escola surpreendeu positivamente começando o desfile com muito requinte e bom gosto para defender "No Saçarico da Marquês, tem mais um freguês: Viriato Ferreira". A escola, porém, cantou pouco e deixou espaços, prejudicando harmonia e evolução, respectivamente.

Logo no início, uma das baianas passou mal e teve que ser retirada por maqueiros. Apesar da chamada 'cabeça da escola' (comissão de frente, abre-alas e primeiras alas) terem impactado pelo capricho e bom gosto, já era possível se verificar que o canto seria o fraco da agremiação. Isso ficou nítido até no terceiro carro alegórico, onde poucos destaques cantavam.

Rocinha fez desfile com capricho%2C mas teve falhas na evoluçãoErnesto Carriço/Agência O Dia

De positivo, a referência à Portela, escola na qual Viriato começou como carnavalesco em 1979 e foi campeão no ano seguinte, último título da azul-e-branco de Madureira. A segunda alegoria apresentava um mix das três águias que ele criou, enquanto foi carnavalesco da Portela.

Aos 35 minutos de desfile, após a entrada da bateria no recuo, se formou um grande buraco. No fim, a escola correu para não ultrapassar o tempo máximo de 55 minutos. Visualmente, os comentários eram positivos entre o público e de surpresa entre jornalistas e quem acompanha o carnaval mais de perto. Mas faltou pegada.

Cubango faz desfile desastroso em homenagem a João Nogueira

A Cubango homenageou os 100 anos de samba em seu desfile, tendo como principal nome do enredo o sambista João Nogueira. Em um desfile cheio de erros e pouco empolgante, a escola de Niterói entra forte na briga para ser rebaixada em 2018. As fantasias da escola eram além de pouco luxuosas um tanto quanto confusas. Parecia não haver conexão entre uma ala e outra. 

Cubango homenageou João Nogueira e%2C claro%2C a PortelaDaniel Castelo Branco/Agência O DIA

A baixa qualidade das alegorias, aliada a componentes que sequer cantavam o samba levaram para a Marquês de Sapucaí o pior desfile do sábado.  A bateria não passou pelo segundo recuo e correu para terminar o desfile, sem que sequer houvesse ameaça de estourar o tempo. Tempo, aliás, que fechou na dispersão, onde componentes da bateria quase saíram no tapa com membros da harmonia. 

Apesar do fiasco, o presidente Pelé ficou satisfeito:"Somos uma escola de comunidade, somos pobres. A Cubango é a Mangueira do acesso. Então estou feliz com o que apresentamos nesta crise" garantiu o dirigente, que explicou a ausência de Diogo Nogueira, que viria no carro em homenagem ao pai: "Ele teve show em Salvador e não pôde vir".

Com Paulo Barros, Inocentes surpreende falando de vilões

Um enredo às avessas mereceria uma grandiosa apresentação e surpresas, como a participação do carnavalesco da Portela, Paulo Barros. E foi o que fez a Inocentes de Belford Roxo. A Tricolor da Baixada Fluminense, terceira a desfilar ontem à noite, entrou na avenida com um carro acoplado com direito a efeitos de fumaça e apresentando na alegoria um enorme diabo, como o primeiro vilão do enredo 'Vilões - o verso do inverso. A alegoria foi inspirada nas obras “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, e “O Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente.

E a escola surpreendeu a não simplesmente apresentar uma série de personagens da vilania conhecida do público por filmes e das artes. E questionou também o conceito do que é sou não ser vilão. No refrão, por exemplo, a letra diz 'sou de Belford Roxo, sou bom sujeito', cutcando o preconceito regional contra quem mora na região. "Não sou marginal, sou marginalizada", diz a letra em outro trecho. O samba modesto, mas descontraído e bem humorado, cumpriu sua função de apresentar o tema de forma clara, mas que não empolgou o público. A agremiação, porém, passou pela Sapucaí de forma compacta, com um ótimo trabalho de harmonia.

Na quarta e última alegoria, um grande telão exibia vídeos de vilões popularizados no Brasil e no mundo, como o personagem Félix, da novela Avenida Brasil; Hannibal, interpretado no cinema pelo ator Anthony Hoppikins.

"Ficou divertido! alcançamos o que era esperado, resgatar os carnavais antigos e se divertir. O carnaval é um momento de catarse do povo", disse o carnavalesco da escola, Wágner Gonçalves, muito assediado no fim do desfile.

A bateria de mestre Washington Paz veio vestida de Charada. Fantasiado do personagem Máskara e como destaque do último carro, o carnavalesco Paulo Barros revelou sua identidade apenas depois que a alegoria passou da última cabine julgadora, surpreendendo público e profissionais que trabalhavam na Sapucaí.

Império resgata emoção e se coloca como candidato ao acesso

Foi com raiva, com lágrimas nos olhos, com muito samba no pé e cantando alto o samba-enredo que a Império passou pela Marquês de Sapucaí. Num desfile carregado de emoção desde a entrada na avenida sob aplausos e gritos de seus torcedores no setor 1, até a chegada emocionante na Apoteose, o Império deu conta do recado. O enredo “Meu quintal é maior do que o mundo” falou sobre o poeta Manoel de Barros. Mas o que se viu nos 54 minutos do desfile foi uma integração comovente onde público e componentes exaltaram mesmo o amor pela escola de Madureira. 

O puxador Marquinho Art’Samba foi um dos responsáveis pela empolgação dos imperianos. O intérprete mostrou talento e muita vibração, ficando grande parte do desfile no meio dos componentes, em uma das cenas mais legais destes dois dias de samba na avenida. O samba-enredo funcionou muito bem na Marquês de Sapucaí e uniu arquibancada e chão num só canto. Emocionante!

No fim, a presidente Vera Lucia Correa, muito emocionada, avaliou o desempenho de sua escola:  "A gente estava com muita gana, mordidos com os resultados dos últimos anos. A nossa escola tem chão e esse foi nosso grande destaque. Queremos o título" disse a presidente.

Desde 2009 que o Império, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio, não desfila pelo Grupo Especial. Agora, a escola de Madureira entra na briga com força para voltar ao seu lugar na elite.

Queda da porta-bandeira comove público, mas prejudica Padre Miguel

Ironia do destino. A porta-bandeira da Unidos de Padre Miguel, Jéssica Ferreira, foi vítima de uma entorse no joelho, nesta madrugada, e caiu na pista do Sambódromo, durante apresentação da vermelha e branca da Zona Oeste do enredo Ossain: o poder da cura, na Marquês de Sapucaí. Mesmo ferida e tendo que abandonar o desfile, ela foi ovacionada pelo público, assim como seu parceiro, o mestre-sala Vinícius Antunes, que por alguns minutos evoluiu sozinho. A segunda porta-bandeira, Cássia Maria, de apenas 19 anos, assumiu a responsabilidade de conduzir o pavilha da escola até o fim.

Bi vice-campeão, já antes dos primeiros acordes, o recado foi dado do carro de som`aos componentes. 'Não vamos deixar dúvidas desse desfile'. Com uma comissão de frente que em certos momentos chegava a reastejar no chão e a atuação de Vinícius e Jéssica, um dos melhores que passaram pela Passarela, a Unidos de Padre Miguel parecia confirmar o favoritismo. Mas, pouco depois, Jésica desabou durante a apresentação perante ao segundo módulo de julgadores. Correria e diretores nervosos deixaram o clima tenso.

Ela foi retirada e Cássia Maria pega de surpresa. "Não estava esperando. Até agora estou tremendo", disse mais de 45 minutos após o fim do desfile e de ter se aprentado com Vinícius no terceiro módulo de jurados. Na dispersão ela teve uma crise de choro ao saber do que houve com Jéssica.

Apesar do problema, a escola não estourou o tempo e ganhou a simpatia do público. Um dos momentos mais emocionantes foi quando Jéssica foi retirada de maca e ovaionada. Vinícius também, por ter dançado sozinho enquanto Cássia não chegava para assumir o posto, o que provocou novo extase quando ela assumiu o pavilhão.

Para a coreógrafa do segundo casal, o treinamento dos casais da escola tem que ser revistos. "A gente vai ter que rever muita coisa depois disso. Isso de a segunda porta-bandeira não fazer ensaios com o primeiro mestre sala é uma delas. Eu dou aula para a Cassia desde que ela tinha 10 anos. Ela estava preparada", disse Viviane Martins.

A escola pode perder pontos no quesito devido a queda. O jurado não pode tirar ponto pela troca de porta bandeira, mas pela queda da Jessic, se ele tiver ocorrido em frente a ele, o que ocorreu quase no fim da apresentação da dupla, o que é considerada falta grave. "O segundo mestre-sala continuou o desfile como se fosse um destaque de chão, porque se tirassemos ele poderíamos perder ponto em enredo, explicou ainda Viviane.

Renascer faz desfile com falhas e sem emoção

Faltou emoção no bom desfile da Renascer de Jacarepaguá. A escola levou para a Avenida o enredo “O Papel e o Mar”, que trata de questões raciais. Embora tenha tido uma passagem correta, não houve muita vibração durante a passagem da escola. As belas fantasias e alegorias que mostravam favelas foram os destaques positivos do desfile. Foi bonito também ver a garra da passista Sanne Belucci. A mulata plus-size sambou tanto desde o começo do desfile que sua bota arrebentou. Com garra, ela tirou os sapatos e parecia ainda mais à vontade com os pés descalços.

No setor final da escola, um enorme espaço se abriu e pode tirar pontos preciosos da agremiação, que deve ficar do meio para baixo da tabela.

Divertida, Porto da Pedra apresenta problemas

A Porto da Pedra, de São Gonçalo, entrou na avenida como a escola com o enredo mais carnavalesco do grupo em 2017. "Ó Abre-Alas que as marchinhas vão passar! Porto da Pedra é quem vai ganhar...seu coração! trouxe pierros, colombinas, arlequins e fez referência a músicas compostas no estilo musical em referência a fatos recentes da vida política brasileira, como a marchinha do 'Japonês da Federal, no terceiro carrro alegórico e alas que faziam referência a corrupção.

A vermelha e branca pisou forte na Sapucaí, colorida e bem vestida nas fantasias. Na arquibancada do Setor 1, torcedores com grandes bandeiras da escola resistiam`por volta das 4h. O mestre de bateria Pablo estava fantasiado com um fraldão, em referência a canção Mamãe eu quero, uma das marchinhas mais conhecidas do Brasi, e deu o tom do que seria o desfile da escola: descontraído. Um dos trunfos da escola, a consagrada porta-bandeira Lucinha Nobre foi apludidíssima pelo público, na companhia de seu mestre-sala Marlon Lamar.

Porém, a escola teve problemas com o gigantesco carro abre-alas Muito pesado e apresentando lentidão e problemas no alinhamento. A alegoria chegou próximo a se chocar contra a grade de proteção. A agremiação foi forçada a parar. Um buraco se abriu pouco antes do setor 9, prejudicando a evolução. O samba, assim como o enredo, leve e bem humorado, no entanto, empurraram a escola. A escola teve que acelerar no fim para que todos os componentes ultrapassassem a linha de chegada com cravados 55 minutos. Ja na dispersão a escola entoou o canto de 'a campeã voltou'.