Viradouro e Estácio empolgaram o público na Sapucaí

Escolas, que já foram campeãs do Carnaval do Rio, apostaram em enredos que exaltam o samba para voltar à elite

Por O Dia

Rio - Unidos do Viradouro e Estácio de Sá, escolas que já foram campeãs do Carnaval do Rio, apostaram em enredos que exaltam o samba para voltar à elite. Terceira a desfilar na noite de sexta-feira no Grupo de Acesso, a Viradouro foi a primeira a levantar o público na Sapucaí com o enredo ‘Todo menino é um rei’, inspirado na canção de Nelson Rufino e Zé Luiz, imortalizada na voz do saudoso sambista Roberto Ribeiro. Cria do Morro do São Carlos, pertinho do Sambódromo, Gonzaguinha foi enredo da Estácio de Sá, num desfile que também levantou a Sapucaí.

Viradouro foi à Avenida com o enredo ‘Todo menino é um rei’%2C inspirado na canção de Nelson Rufino e Zé Luiz.Cacau Fernandes / Agência O Dia

O carnavalesco Jorge Luiz Silveira, da Viradouro, relembrou o imaginário infantil, com um samba fácil e a bateria de mestre Maurão, variando nas paradinhas e bossas. No carro abre-alas, o puxador de samba há mais tempo em atividade, Dominguinhos do Estácio, foi homenageado. Ele defendeu o samba-enredo que deu o único título para a vermelha e branca de Niterói, em 1997, com o enredo ‘Treva! Luz! A Explosão do Universo’, de Joãosinho Trinta.

Quem deu o tom do enredo, porém, foi o puxador Zé Paulo Sierra. Ele mudou de figurino várias vezes e, como um moleque, cantou sem camisa perto do público. “Foi uma emoção grande. O público gostou. Estou otimista”, disse mestre Maurão, comandante da bateria.

ESTÁCIO À MODA ANTIGA

Pela Estácio, que conquistou o título do Carnaval carioca em 1992, com o enredo ‘Paulicéia Desvairada — 70 anos de Modernismo’, o carnavalesco Chico Espinoza optou por alegorias, usando as cores da escola, com estilo de carnavais antigos. Os carros chamaram a atenção pelo acabamento bem feito. Intérprete de Gonzaguinha no cinema, o ator Julio Andrade emocionou o público com a semelhança com o músico.

O refrão ‘É bonita, é bonita e é bonita’, do samba e do hit ‘O que é? O que é?’, ficou caracterizado na Avenida pela Rainha de Bateria Luana Bandeira. Com pouquíssima roupa, ela foi a mais bela do primeiro dia de desfiles. A bateria do Mestre Chuvisco, vestida de cangaceiro, foi outro ponto alto. No fim, Chico Espinoza definiu o desfile da escola, que caiu no ano passado: “Foi um desfile de coração para corações e eu estou muito feliz com o resultado”.

E assim, Viradouro e Estácio fizeram um Carnaval para voltar ao Grupo Especial. 

Beth Carvalho emociona público

A madrinha do Samba, Beth Carvalho, que foi o enredo da Alegria da Zona Sul, emocionou o público. Carismática, deixou de lado a fragilidade de quem chegou em uma cadeira motorizada e 26 kg a menos por um problema de saúde. Com um dos enredos mais educativos do Grupo A, sobre o incentivo à Literatura infantil, a Acadêmicos de Santa Cruz pagou o preço por ter problemas no início com seu abre-alas.

Alegria da Zona Sul homenageou a sambista Beth CarvalhoDivulgação

A estreante Acadêmicos do Sossego abriu o grupo com um desfile simples e o enredo ‘Zezé Mota, a deusa de Ébano’, em homenagem à cantora e atriz. A Império da Tijuca fez um desfile aquém dos concorrentes. A União do Parque Curicica levou à Avenida personagens entre os anos 70 e 90.