Segundo lugar com gosto de vitória

Mocidade foi 'campeã' por boa parte da apuração. Desfile perfeito do Salgueiro fica em terceiro

Por O Dia

Rio - Um vice-campeonato com sabor de vitória para a Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola brigou ponto a ponto com a Portela, mas perdeu por um décimo, com três notas abaixo de dez no quesito enredo ‘As mil e uma noites de uma ‘Mocidade’ pra lá de Marrakesh’.

Ontem na apuração, que este ano não contou com a presença do bicheiro Rogério de Andrade, patrono da Verde e Branco, os diretores mantiveram a fé até o último minuto. O vice-presidente Luiz Cláudio não largava o terço. Mas acabou que a segunda colocação foi motivo de comemoração já que a escola não pisa no desfile das campeãs desde de 2003.

Mocidade arrasou e festeja na madrugada de domingo com o enredo ‘As Mil e Uma Noites de uma ‘Mocidade’ prá lá de Marrakesh’Ernesto Carriço / Agência O Dia

“Faltou só um dez. Mas vamos trabalhar para conquistar o próximo campeonato. É justo o título da Portela”, afirmou o diretor de Carnaval, Marco Antônio Marino, o Marquinhos. Emocionado também estava o intérprete Wander Pires que voltou à escola. Ele estava afastado desde 2009 e ganhou a fama de pé quente. “A escola fez um grande desfile como há muito tempo não se via. Cegou compacta e só aconteceram pequenos erros”, analisou.

Na Sapucaí, a Verde e Branco mostrou um encontro luxuoso entre Allah e Xangô ,o orixá da Justiça nos cultos agro-brasileiros. A escola arrancou suspiros da plateia com a empolgante comissão de frente que trouxe um Aladim voador. O aeromodelo era controlado por Gabriel Klabia, de 32 anos. “O trabalho foi impecável. Já nos rendeu seis premiações. Só um jurado tirou um décimo. Os outros deram nota dez”, ressaltou o coreografo da Comissão de Frente, Jorge Teixeira.

A escola de Padre Miguel fez uma apresentação quase sem errosMárcio Mercante / Agência O Dia

Os carnavalescos Alexandre Louzada e Édson Pereira levaram para carros luxuosos para Avenida para contar as tradições de Marrakesh, Marrocos, tendo como ícones além de Aladim, o barco de Simbad, personagens de ‘Mil e Uma Noite’. Vestidas de vendedoras de hortelã, baianas espirraram a essência com mesmo cheiro no desfile. 

Gigantes entre as campeãs

Após fazer um desfile impecável, componentes do Salgueiro saíram com cara de poucos amigos da apuração ontem. Ninguém escondeu a decepção. A escola se mantém há anos como uma das favoritas ao título. E com o belo desfile deste ano, não foi diferente. A Vermelha e Branca foi eleita pelo voto popular como a melhor do Grupo Especial para o Prêmio Tamborim de Ouro, do DIA. Foi campeã do Tamborim pela sétima vez.

Salgueiro%2C impecável%2C também fará reapresentaçãoDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

A Mangueira, última a desfilar entre as grandes, levantou o público na Avenida, foi ovacionada, cotada para campeã, mas faturou o quarto lugar. Chiquinho da Mangueira, presidente da Verde e Rosa, negou que o carnavalesco Leandro Vieira vá deixar a agremiação em 2018, como houve rumores. “Os que torcem contra dizem que ele vai sair, mas ele fica. Ele não quer sair e tem identidade com a Mangueira”, disse.

Prefeito se defende

Após quebrar a tradição dos prefeitos do Rio de comparecer aos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, o prefeito Marcelo Crivella afirmou que não foi ao Sambódromo no Carnaval porque, caso contrário, estaria sendo demagogo. Em nota divulgada ontem, porém, garantiu que fez reunião para adotar medidas para evitar acidentes nos próximos desfiles.

“Não fui porque no meu caso seria demagogia. E os malefícios da demagogia na vida pública são extensos”, esclareceu o prefeito. Crivella também não entregou a chave da cidade ao Rei Momo, solenidade tradicional aos prefeitos no Rio. Na ocasião, quem o representou foi a secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira. A cerimônia estava marcada para as 18h do dia 24 e só pouco depois das 20h chegou à Sapucaí a notícia de que o governante não iria.

No comunicado, Crivella reflete que a demagogia “envolve os desinformados que não têm como verificar a autenticidade das atitudes meramente políticas. Acaba dominando os próprios demagogos que criam para seu uso uma segunda natureza e assim prometem, enganam, sorriem e dissimulam com a mais comovente naturalidade”.

O político ressaltou ainda que esteve atento para que órgãos como a Comlurb, Guarda Municipal e os serviços de saúde atendessem corretamente a população no período. Crivella encerra o texto com o trocadilho: “A demagogia é a máscara da democracia. E o povo do Rio rejeita um prefeito com máscara ainda que seja no Carnaval.”

Impunidade

Após anunciar ontem, antes da apuração do Grupo Especial, que nenhuma agremiação seria rebaixada para a Série A, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, comentou que não houve negligência nos desfiles por parte das escolas. Essa foi a justificativa apontada para a medida, tomada pela Liga com a concordância de 11 agremiações.

Apenas a Mocidade foi contra a impunidade. “Se houve problema de um hidráulico que arriou, alguma coisa aconteceu na (Unidos da)Tijuca. Se houve alguma coisa com o carro da (Paraíso do) Tuiuti, houve ou por problema técnico ou em conjugado com uma situação do motorista. Só a perícia vai dizer isso”, alegou.

O último carro da Tuiuti, que estreou os desfiles do Grupo Especial, bateu na grade da arquibancada e 20 pessoas ficaram feridas. Na madrugada de terça, parte e uma alegoria da Unidos da Tijuca desmoronou e 12 integrantes ficaram feridas. “Não podemos nos antecipar a um assunto de extrema gravidade, por isso tomamos essa decisão de recuar”, explicou Castanheira.

Quando a decisão foi comunicada no início da apuração na Sapucaí, o público nas arquibancadas protestou com vaias e gritos: “Vergonha! Mercenários!”, bradavam. “Infelizmente, mudou o jogo, e a gente vai ter que desfilar assim em 2018”, criticou o vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco.