Por tabata.uchoa
Ivete Sangalo diz que o filho%2C Marcelo%2C é sua prioridadePatricia Stavis / Agência O Dia

Rio - Antes de ser a artista bem-sucedida e o mulherão que explode em sensualidade nos palcos e trios elétricos aqui e no exterior, Ivete Sangalo é mãe. Tanto que, durante o bate-papo com a ‘Já É! Domingo’ para falar sobre o lançamento do novo DVD ‘Multishow ao Vivo — Ivete Sangalo 20 Anos’, ela faz uma pausa e chora. O assunto é o filho, Marcelo, de 4 anos. Ivete respira fundo, mal consegue concluir a frase. Com um prato de salmão grelhado, purê de batatas e legumes assados numa mão, ela usa a outra para enxugar as lágrimas e dispara a falar do menino.

“Lá em casa somos excelentes mães. A mulher tem a capacidade de assumir um amor e isso dá valor à existência da gente, senão a coisa fica tão superficial, tão sem sentido... Às vezes, eu e Daniel (Cady, marido) temos que mudar de assunto, porque se deixar só falamos dele. Marcelo é lindo, somos loucos por ele, estamos o tempo inteiro em função do nosso filho. Eu sinto esse amor diariamente. Tudo o que é meu, primeiro é dele e sempre será”, derrama-se.

O casal evita uma superexposição do pequeno, mas sem podá-lo. “A gente não esconde o Marcelo, a gente cuida, e isso não tem nada a ver com fã, com carreira, tem a ver com o mundo. É uma vigília”, justifica.

Como filho de peixe, peixinho é, Marcelo segue uma tendência musical e, vira e mexe, está com a mãe nos shows e até já deu uma canja. “Isso é maravilhoso. Ele diz: ‘Mãe, quero tocar’, eu digo: ‘Então vamos’. Agora, ele está louco pelo Michael Jackson. Esses dias, fiz uma roupa do Michael para ele. Peguei um casaquinho meu, de paetês preto, e uma bota que escorrega no taco. Aí ele pediu: ‘Mãe, quero meu aniversário (em outubro) de Michael e você manda fazer um palco?’. Claro que eu mando. Ele não sabe o que é carreira, nada disso, gosta porque vê a mãe fazendo. Mas ele também tem um jaleco e uma malinha igual ao pai”, orgulha-se.

Na expectativa para ter o segundo filho, Ivete já tem um plano B, caso não consiga aumentar a família pelos métodos convencionais. “Hoje, a medicina é muito amiga da mulher. Nós criamos um ritmo, conquistamos muitas coisas, mas não abdicamos de outras. Somos mães, esposas, donas de casa, a que se preocupa, se emociona, que trabalha, tem independência financeira, é um exemplo, uma série de atribuições. Ficamos modernas. Mas o equilíbrio de uma mulher que tem um filho aos 30 anos é muito mais favorável à maternidade. Às vezes, faço um comparativo, se eu tivesse com 22 anos não teria a metade da disponibilidade que tenho hoje. Não quero sair, não quero ir ao churrasco, à festa, quero fazer o que ele quiser. Com 20 anos, você não tem isso. Como eu engravidei naturalmente, o primeiro eu perdi (ela sofreu um aborto espontâneo) e o segundo foi o Marcelo, a gente está tentando de forma natural, mas não tenho o menor receio de buscar uma ajuda médica. Ainda não é hora porque tenho saúde, só não aconteceu, mas se chegar aos 45 minutos do segundo tempo e não rolar, eu vou lá no doutor”, admite a cantora.

Ivete Sangalo brinca com o filho no palco de seu showReprodução


Este mês, o que não falta é motivo para ela brindar. Além do Dia das Mães, hoje, Ivete festejará seus 42 anos dia 27, acaba de bater um recorde, emplacando cinco músicas do recente trabalho no Top 5 do iTunes nacional, e ocupa o posto de jurada do ‘SuperStar’, da Globo. Tudo isso, a baiana assegura, é sucesso porque não faz tipo. “Posso ser vítima de mim mesma, nunca de um personagem. Pelo contrário, tudo o que eu faço tem muito de mim. Às vezes, falo até coisas muito íntimas, mas me sinto à vontade porque as pessoas que estão me ouvindo não me conhecem há pouco tempo, são 20 anos”, destaca.

No alto de seu 1,77m, Ivete é ciente do poder de sedução que exerce dentro e fora de cena. “Sou fogosa, mas sou dona do meu fogo. Não é uma coisa igual a cachorro, que não pode ver uma perna... Se estou feliz tudo vem à tona”, entrega. Mas, como toda mulher, ela tem seus dias de cão: “Há momentos em que me acho zero sensual, e outros em que acordo querendo me produzir mais. É natural, não é intencional. Tenho esse jeitão limitador. Mostro uma sensualidade mais madura do que ingênua. Sei o que estou fazendo e é determinado por mim, não é a casa de mãe Joana, não.”

O par de coxas, um dos mais invejados do meio artístico, é uma atração à parte, mas Ivete não segue um padrão de beleza. “Minha grande vaidade são meus exames de sangue, posso até comer meu ovo. Nós mulheres temos desejos em comum: o tamanho do peito, não ter uma gordura aqui, outra ali, mas em detrimento da saúde, aí já é demais. Você pode achar algo bonito no outro e aquilo não servir para você. A gente tem que buscar o que tem de melhor e todo mundo tem alguma coisa errada. Minhas calças, por exemplo, têm que ser sob medida, porque as pernas são muito grossas e não entram. Eu também tenho um pudor de poder estar livre para cantar. Uso sempre um top, porque o peito não pode explodir nunca, e um short por baixo do vestido, mas nunca deixo a sensualidade de lado. Percebo a transformação do meu corpo, mas o grande barato é saber conviver com isso.”

O efeito do tempo não a preocupa: “Não sinto a minha idade. Me acho mais bonita agora do que no início da carreira e isso tem a ver com a maturidade”, atribui. Plástica, ela também dispensa: “Só coloquei silicone e mesmo assim porque fui convencida pelas minhas amigas, não foi nem um desejo meu. Elas disseram: ‘Coloca peito que você vai ficar mais sensual e tal’. Então eu coloquei. Tenho resistência natural a isso, mas não condeno.”

O máximo que a cantora diz que faz é aplicar um ácido no rosto. “Tenho uma pele muito boa, mas quando eu tive meu filho a progesterona acentuou e deu umas manchas, o melasma. Depois de parir, quando eu voltei para o quarto, parecia um cachorro, toda manchada. Minha médica disse que eu teria aquilo pelo resto da vida. Logo eu, que saía de casa sem maquiagem. Procurei minha dermatologista e disse: ‘Estou a mulher-cachorrão, o que eu faço?’ Ela passou um ácido clareador. Mesmo tomando sol, nunca mais as manchas voltaram. O bisturi é intervenção e o clareamento não é? É, sim. Não deixa de ser uma condição da vaidade”, analisa a cantora.

Sobre estar na idade da loba, a musa do axé faz piada. “A loba já bombou, agora tem que andar em matilha, meu bem, porque sozinha ela não bomba mais. Eu nunca me droguei, nunca fiz nada que pudesse tirar o equilíbrio do meu corpo. Minha energia deve-se à saúde dele. Adoraria ter o abdômen dividido, mas não vai dar, não é da minha construção física. Então deixa quieto, pô!”, conforma-se.

Certa de que a diferença de idade não importa, Ivete extrai do marido, o nutricionista Daniel Cady, 28 anos, o melhor, e vice-versa: “Ele tem um corpinho, meu amor, e que corpinho... Daniel contribuiu bastante nesse DVD. Eu chegava feliz, cansada, porém energética... Ele trouxe maturidade para mim, apesar de ser mais novo e a gente nunca falar desse assunto. E eu acho que trouxe uma leveza para a vida dele, porque Daniel é um homem 30 anos mais velho que eu, não fisicamente, mas emocionalmente. Os hábitos, o jeito de falar, o que ele assiste, como analisa as coisas...”, descreve ela, que se antes ouvia reggae três vezes por semana, agora, por influência do marido, escuta todo dia. “Eu já gostava muito. Bob Marley eu como com farinha, mas Daniel abriu um leque, trouxe novas bandas, um reggae baiano. Ele gosta de música, toca bateria.”

Fora de casa, ela também dá seus pitacos. E para esse DVD sair como o planejado, a artista assinou o comando geral. “Sempre dirigi meus projetos. O show em que eu menos interferi foi o do Madison Square Garden (Nova York), porque estava recém-parida e não queria saber de nada. A única coisa que eu fiz foi amarrar umas traquitanas de uns elásticos nas roupas, que não entravam. No meio do show estava tendo náuseas, mas belíssima, meu bem”, brinca. Ivete investiu dinheiro seu também, só não revelou quanto. Estima-se nos bastidores que o DVD custou mais de R$ 3 milhões. “Tenho meus parceiros, mas para fazer bonito assim, não tem jeito. Tem grana minha ali, sim. Esses cristais (do figurino) são para quebrar a carreira de um”, gaba-se a cantora.

Mesmo com toda a visibilidade que a TV dá ao artista, a baiana, que já apresentou programa, atuou e agora é um dos destaques do ‘SuperStar’, não pretende trocar o microfone pelas câmeras. “Jamais vou abrir mão de cantar, essa é a minha onda”, enfatiza.

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