Isis Valverde diz que após o acidente aprendeu a aproveitar cada momento

'Eu tive a morte ao meu lado. Ela passou, deu um ‘oi’ para mim e foi embora', dispara a Sandra de 'Boogie Oogie'

Por O Dia

Rio - Aos 27 anos, Isis Valverde nasceu de novo. Em 31 de janeiro, ela sofreu um grave acidente de carro e precisou usar por três meses um colar cervical. Esse capítulo triste, mas que teve final feliz, é lembrado por ela para colocá-la no lugar de pessoa comum, não de alguém que teve o privilégio de ser apresentada à fama e ao sucesso tão cedo.

Recentemente%2C Isis assumiu namoro com o mexicano Uriel Del ToroDivulgação


“Todo mundo que está vivo é um escolhido, um privilegiado. Se estamos respirando e com saúde, temos mais é que agradecer a Deus. A vida é muito frágil. Eu tive a morte ao meu lado. Ela passou, deu um ‘oi’ para mim e foi embora. Agora, não deixo mais para fazer amanhã o que eu posso fazer hoje”, diz a intérprete de Sandra de ‘Boogie Oogie’.

Passado o momento mais delicado da sua existência, era hora de vestir o melhor figurino, arregaçar as mangas, abrir as cortinas e voltar ao trabalho. E caberia a Isis protagonizar a novela das 18h no papel de uma heroína capaz de superar cenas de uma vida trágica. “Não sei se teria a força da Sandra para seguir em frente se eu perdesse um noivo no altar (Alex, vivido por Fernando Belo). Ela sucumbe aos acontecimentos da vida, mas consegue superá-los. Tento ser um pouco Sandra, mas é difícil”, admite.

O sorriso constante, ora largo, ora tímido, ainda guarda ares de menina do interior, de sua cidade natal, Aiuruoca (MG), de onde saiu adolescente. E a ideia dela de que a dor é necessária para o crescimento dá margens para discordar de que Isis não seja exatamente uma fortaleza.

“Não dá para tapar todos os buracos da vida. Uma hora você vai cair em um e vai aprender que, da próxima vez, terá que saber contorná-lo. Essa é uma filosofia de vida indígena. Eles criam as crianças com todo cuidado até uma certa idade, depois largam para que elas entendam o que podem e o que não podem fazer. Eles acreditam que a gente só aprende se cair no buraco e errar”, explica.

E como cair e levantar faz parte do jogo da vida, Isis, que tem uma vocação nata para ser feliz, não perde tempo com arrependimentos. Nem mudaria nada em sua trajetória até aqui. “O que foi feito não tem como ser mudado. Mas acredito que fui muito feliz nas minhas escolhas. Na minha carreira, soube escolher muito bem as minhas personagens”, afirma. Já fora do trabalho, a estrela reconhece que não acertou em 100% das suas escolhas. “Você tem mais controle do que vai acontecer com a sua carreira do que com a sua vida. A vida é uma caixinha de Pandora. O que vai sair lá de dentro? Não se sabe, né? Na vida, a gente cai, levanta, erra, aprende e cresce”, analisa. Perfeição, inclusive, é algo que a atriz não busca. “A vida não é nem pode ser perfeita. Senão, perde a graça. Sem o imperfeito, você não pode conhecer o perfeito. Como você vai conhecer o claro se não conhecer o escuro?”, questiona.

Nessa escalada rumo ao crescimento, Isis tenta aprender a lidar com a fama. Mas que ninguém tente convencê-la a achar que existe um preço a se pagar pelo simples fato de entrar na casa de milhões de brasileiros todos os dias. “O preço do nosso trabalho é não ter fim de semana, feriado, passar as noites decorando texto, doar emoção aos personagens independentemente do que estiver acontecendo na sua vida. Se fosse possível fazer um trabalho popular, como uma novela, e não ser famosa, seria perfeito. Ia ser o máximo, incrível. Bem que podia existir um botão da fama para acionar e não acionar. Quem quisesse acionava. Quem não quisesse deixava desligado”, sugere.

Sandra (Isis Valverde)e Rafael (Marco Pigossi) protagonizam cenas de paixão na boate de ‘Boogie Oogie’Divulgação


Certamente, o botão da fama de Isis ficaria acionado para os fãs, para receber o carinho de quem assiste ao seu trabalho, mas não para os paparazzi de plantão. “Me incomoda muito, de verdade, as pessoas que ficam me perseguindo com uma câmera na mão. Sempre tentam pegar um ângulo esquisito da gente. Te pegam de quatro, com a bunda para cima, com o sutiã aparecendo... Você fica tensa, porque a pessoa está ali para te sacanear. Não tenho controle sobre isso, mas me chateio”, resigna-se.

Aos olhos de Isis, ser famosa e levar uma vida normal são coisas incompatíveis. “Não dá para ter uma vida normal. Você deixa de ter o direito de sair de casa desarrumada, descabelada. E tem dia em que você não está a fim de se arrumar, tem dia em que eu não quero que ninguém me veja. Me incomoda ter que colocar óculos escuros antes de sair de casa para malhar porque vou ser fotografada na rua”, confidencia.

A preocupação com a aparência não deve ser confundida com vaidade ou estrelismo. Isis só gostaria de ter o direito de ser gente como a gente. Mas, na sua intimidade, a protagonista de ‘Boogie Oogie’ se permite usufruir do despojamento comum à multidão que a aplaude.

“Em casa, uso camisa velha, furada, esgarçada... Fico com o cabelo para cima e com um monte de creme na cara. Adoro ficar jogada no sofá, comendo e vendo TV. No meu cantinho, sou normal, como qualquer pessoa. Sou simples, sou bem de boa”, afirma.

SUCESSO, DINHEIRO, FELICIDADE E AMOR

Manter uma vida longe dos holofotes não é fácil para quem já estreou na TV despertando a curiosidade do público. Quem não se lembra da romântica Ana do Véu, de ‘Sinhá Moça’ (2006)? Mas, mesmo tendo causado furor já na sua primeira vez na telinha, a atriz nunca permitiu que o sucesso subisse à cabeça. “Nem por um momento. Devo isso aos meus pais (Rosalba e Rubens). A minha mãe nunca deixou que eu fosse esnobe, fútil, sempre controlou essas coisas em mim. Tem muita gente que acredita nesse castelo, mas ele realmente é de areia. Você tem que continuar sendo quem é independentemente de quanto tem no banco”, frisa.

Falando nisso, será que a atriz já está rica? “Estou bem, feliz. Meu pai não precisa mais me dar mesada”, despista. “Dinheiro não traz felicidade, só dá prazer instantâneo. Me permito me dar presentes, mas não me deixo levar pelo consumismo. O maior presente que me dei foi a minha casa (no Itanhangá)”, complementa.

Felicidade para Isis não está associada a dinheiro, tampouco a um amor. “Se você não consegue ser feliz sozinha, você não pode fazer ninguém feliz”, dispara.

Conhecendo melhor o ator mexicano Uriel del Toro, a atriz sonha um dia se casar em uma cerimônia romântica, “na praia ou em um belo jardim”, ter filhos, mas ainda não sabe dizer o que um homem precisa ter para levá-la ao altar. “Não idealizo o noivo ideal. Não tem como construir essa pessoa, teclar enter e ele sair impresso em uma folha. Senão você vai acabar ficando frustrada por procurar uma pessoa que não existe. Príncipe encantado não existe.”

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