Rio - Sai de cena o Mr. Catra que canta o adultério e entra o cantor que agora exalta músicas espirituais. É dessa forma que o funkeiro vai comandar seu primeiro DVD, que tem gravação no dia 12 de novembro, em São Paulo. Completando 25 anos de carreira este ano, Catra continua o mesmo brincalhão de sempre, sem papas na língua. Diz que a gravação do DVD faz parte de um sonho e comemora a participação especial de Luis Carlos, do Raça Negra, Dodô, do grupo Pixote, e Thiago Brava. “Vamos fazer um bagulho maneiro”, adianta o cantor, que vai gravar músicas que fizeram bastante sucesso em sua voz rouca e também muitas canções inéditas.
“Tenho músicas que fazem críticas, outras sensuais, de amor, protesto e espirituais”, enumera. E ele mesmo faz questão de explicar o que são músicas espirituais: “São canções que ensinam a viver bem. Por isso, fiz essas letras para as pessoas ouvirem no dia a dia. Mas as pessoas vão me ver do mesmo jeito que sempre fui. Posso cantar rap, samba, rock, mas vou ser sempre o funkeiro. Funk é o meu orgulho.”
As novidades são muitas, mas Catra avisa que clássicos como ‘Adultério’, ‘O Simpático’, ‘Mercenária’ e ‘Vem Todo Mundo’ não ficarão de fora. O funkeiro ainda acha graça quando ouve que suas músicas têm conteúdo de sacanagem e corrige. “Não canto sacanagem. Muito pelo contrário. Teve uma época em que eu cantava crônicas sobre a favela e aí falaram que era proibidão. Esse foi o divisor de águas na minha carreira, quando passei do proibidão para a putaria. Eu canto putaria, mas não canto sacanagem. Sacanagem é como o governo trata o povo no Brasil. É o mensalão, a venda da Petrobras. Falo de putaria mesmo, que é sexo com alegria”, diverte-se.
Recentemente, Catra ganhou uma homenagem na música ‘Catra Presidente’, do sertanejo Thiago Matheus. Na letra, o funkeiro se candidata à Presidência do Brasil, tem como proposta proibir o casamento e decreta que, de quarta a domingo, será dia de balada. Mas tudo não passou de uma grande brincadeira. Nem nos seus sonhos mais distantes o cantor desejaria um cargo no governo. “Não levei isso a sério, porque sou homem demais para ser político. Meu pai me ensinou a não mentir, a não enganar. Esquece essa história, não dá pra mim. Não acredito na urna eletrônica, só aqui no Brasil que tem isso. Eu sempre justifico. Para que eu iria me candidatar se eu não acredito nessa bosta?”, dispara, aos risos.
Pode parecer contraditório, mas Catra, pai de 30 filhos e marido de três mulheres, não quer saber de adultério, tema de uma de suas músicas mais marcantes. “Prefiro perder a mulher a ser um cara safado. Não gosto de enganação. E, se elas me enganarem, tiro elas da minha vida. Se mentir, não existe mais para mim.”