Por daniela.lima

Rio - Babu Santana caminhava distraído, até que entrou em uma banca. O jornaleiro não se conteve e perguntou: “Aí, você é parente do Tim Maia?” Desconfiado, o ator chegou a pensar que já havia vazado algo na imprensa sobre o teste para protagonista do filme sobre o cantor que faria naquele mesmo dia. Não tinha. E talvez também não fosse mera coincidência. Porque ele não só ganhou o papel, como hoje vê no cinema, com a estreia do longa batizado com o nome do cantor, o resultado de oito semanas de trabalho. 

Babu (E) e Robson%3A mergulho profundo na vida e na obra do cantor Bruno de Lima / Agência O Dia


Mas Babu não está sozinho. Seu próprio filho, Babuzinho, e Robson Nunes dividem com ele as três fases de Tim Maia, retratadas na cinebiografia dirigida por Mauro Lima. Nem por isso essa turma teve moleza. Eles encararam uma pesquisa intensa, incluindo uma detalhada leitura no livro que deu origem ao longa (‘Vale Tudo — O Som e a Fúria de Tim Maia’, de Nelson Motta), além de preparação vocal e aula de violão. Quem também mergulhou nesse processo junto com eles foi Cauã Reymond, que interpreta um amigo de Tim e narra o filme. O ator se envolveu tanto no projeto que se tornou produtor associado do longa.

Afinados com as histórias que interpretariam, os atores partiram para outra etapa: a da caracterização. As diferentes épocas retratadas (da infância à fase adulta), somadas às transformações físicas ao longo da vida de Tim, exigiram de Robson e de Babu cuidados especiais com a maquiagem, os cabelos e até mesmo com as sobrancelhas.

“Passamos por maus bocados. Na minha fase, o Tim tem o cabelo alisado, então eu tive que relaxar o cabelo e todos os dias tinha que fazer escova e chapinha. Isso aumentou muito essa minha admiração pelas mulheres. Elas são malucas de fazer isso!”, conta Nunes, aos risos. “O Tim tinha uma sobrancelha muito fininha. Então, a gente teve que dar um tapa na sobrancelha também... Deus, que dor!”, emenda.

Aparência à parte, soltar a voz e entrar no ritmo do artista que ficou conhecido como o Rei do Soul do Brasil foi a parte mais difícil para a dupla. “Cantar no timbre no Tim Maia foi um desafio. E muito legal, porque eram músicas que eu ouvia o meu pai cantando”, diz Babu, lembrando histórias que viveu em casa, embaladas pelas canções que interpreta no filme. “Meu pai trabalhava em uma churrascaria com karaokê. Quando a galera ficava mais alta, ele já pegava o microfone e cantava Tim Maia. Ficava treinando em casa, uma figura!”, diverte-se.

Já Robson chegou a se desesperar com a falta de habilidade com o violão. O ator, que interpreta o artista na juventude, aparece em poucas cenas cantando, mas em várias tocando violão. “Cheguei a desabafar com o Babu, dizendo que não ia rolar. Mas ele me tranquilizou. Fiz aulas, ensaiava, estudava... Foi uma época em que os meus vizinhos não ficaram muito contentes”, brinca Nunes.

Mas desafios mesmo quem enfrentou foi o próprio Tim Maia, que parecia estar sempre à frente de seu próprio tempo. Na trajetória que separa o garoto pobre que cresceu entregando marmitas pela Tijuca da celebridade que ele se tornaria, o filme mostra uma vida tão intensa quanto a carreira. Tudo entre vários processos, brigas com parceiros e amigos (como Roberto Carlos), muitas confusões e festas regadas a todos os tipos de drogas.

“É muito fácil atirar pedras. O Tim teve esse estigma de polêmico só por ter estado sob o holofote da fama. Não é demagogia, acho que era um cara à frente mesmo. O Carmelo (filho de Tim Maia) me disse que o pai nunca usou nenhum tipo de droga na frente dele. Alguém sabe o que ele enfrentou antes e depois da fama? Falar assim é fácil”, defende Babu.

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