Diferente de algumas atrizes, Monica Iozzi diz que não ostentaria bolsa cara

Apresentadora do 'Vídeo Show' acusa homens de terem medo das mulheres inteligentes

Por O Dia

Rio - Não é preciso mais que uns minutos com Monica Iozzi para perceber que afetação de celebridade passa longe dali. Ela se compromete, tem opinião, não esconde seus pontos fracos e sabe enaltecer suas qualidades. Não foi à toa que, assim que rompeu o contrato com a Band e anunciou a saída do ‘CQC’ para investir na atuação, foi logo convidada para apresentar um quadro no ‘Big Brother Brasil’, na Globo, e em seguida para estrear numa novela da casa. Agora, na reta final de ‘Alto Astral’, ainda recebeu a missão de apresentar e tentar alavancar a audiência do ‘Vídeo Show’, ao lado de Otaviano Costa.

“Esse universo pode criar um monstrinho. Uma coisa é você receber um convite e tal, mas por que tem que ser privilegiado? Não acho isso confortável. Para você não se corromper de alguma maneira, tem que prestar muita atenção em certos detalhes”, frisa.

'Não tem cabimento alimentar esse mercado de luxo'%2C diz Monica IozziMaíra Coelho / Agência O Dia

Bem diferente da deslumbrada Scarlett, sua personagem, que no início da trama de Daniel Ortiz não passava de uma patricinha fútil, a atriz é contra esse consumismo exacerbado. “Nas revistas a gente sempre vê foto de fulano que veste Gucci, essa ou aquela marca. Aquilo custa uns R$ 5 mil, mas a grande maioria é emprestada. Não vejo problema, mas não dá para a gente criar um adolescente, que compra essa revista e que a mãe ganha R$ 3 mil por mês, e achar que isso é real. Não é porque você trabalha na TV que tem dinheiro para comprar um vestido Gucci por semana. É lógico que hoje eu me dou presentes, porque durante muito tempo não rolava. Antes do ‘CQC’, eu trabalhava no teatro e era vendedora numa livraria, ganhava R$ 1.800 por mês, que é a média de salário de muito jovem. Roupa nunca foi a prioridade. Meu carro não é popular, mas tem limite para as coisas. Não dá para gastar R$ 13 mil numa bolsa num país como o nosso. Sei lá se parece hipocrisia, mas eu sinto isso de verdade. Eu não teria um vestido de R$ 10 mil, um carro de R$ 300 mil... Não tem cabimento alimentar esse mercado de luxo. Para quê?”

Na ficção, a socialite vivida por ela foi obrigada a abrir mão da riqueza e batalhar para dar valor ao dinheiro, e só assim conseguir receber a herança do pai. Numa transformação radical, virou a pobre e desleixada Cidinha. Até conquistar, a duras penas, seu lugar ao sol, Monica já passou muito perrengue. Com a morte do pai, aos 16 anos, a paulista de Ribeirão Preto teve que se virar na marra.

“A gente precisava dar um jeito de sobreviver sem um provedor. Desde muito nova, eu tinha essa consciência. Na época da faculdade (de Artes Cênicas), eu tinha bolsa trabalho que a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) dava, então estudava durante o dia e trabalhava à noite. Também tinha bolsa moradia para os estudantes que vinham de fora, sem grana. Era puxado, um quarto e sala para oito pessoas. Mas isso foi tão fundamental. Não falo com pesar nenhum. Foi muito importante para saber que os rumos da sua vida estão na sua mão. Você tem que passar perrengue quando é novo. Não estou falando que todo mundo tem que abrir mão de tudo e viver na miséria. Mas, quando você percebe que vai conseguir as coisas por meio de seu trabalho, isso te dá um outro olhar sobre a vida, de correr atrás e não desistir.”

Solteira desde que terminou o namoro de cinco anos com o jornalista Rafael Miotto, Monica conta que a carreira não foi o motivo do rompimento. “Não sei se eu acredito muito em relacionamentos que duram para sempre. Acho que são a exceção da exceção. Durou o tempo que tinha que durar, e não foi por causa do trabalho, porque a rotina no ‘CQC’ era muito mais pesada. O amor se transforma em outro tipo de amor, e foi o que aconteceu. A gente não se magoou, não teve briga”, esclarece. Ela aproveita para negar os boatos de que estaria de affair com um de seus pares românticos na novela, Gabriel Godoy, o Afeganistão: “De onde tiraram isso? Não tem nada a ver. Continuo solteira, jogada. A gente não tem controle sobre essas coisas mesmo, então levo na esportiva. Viramos piada interna (nos bastidores da novela) durante uma semana.”

A fama, segundo ela, afastou de vez os pretendentes. “Nunca fui de levar cantada. Na adolescência, até fiquei um período meio triste, porque achava que eu era feia. Os caras não chegavam em mim. Minha mãe dizia que eu era linda, com cara de brava, inteligente. Mãe, né? Tentei comprar essa ideia, senão ia ficar deprimida. Depois do ‘CQC’, então... A sorte é que eu estava namorando, senão minha vida sexual teria ido para o saco. Os homens têm medo. Uma coisa é o cara levar um fora de uma menina na balada, outra coisa é levar um fora da Grazi Massafera... Eu sempre fui muito mais a inteligente do que a bonita. Os homens desinteressantes têm um bloqueio em relação às mulheres inteligentes. Eu tenho que chegar, senão, não rola.”

Casamento e maternidade não estão na lista de prioridades da artista: “Não sei se vou me casar. Não é um sonho, mas pode rolar. A mesma coisa eu penso de filho. Não é que eu não queira ter, mas não sou muito de fazer planos. Vou vivendo. Quem sabe não quero ser mãe daqui a um ano? Adoção passa pela minha cabeça.” Sensualidade é outra questão pouco relevante para Monica: “Querer ficar sensualizando na vida acho meio ridículo. Tem que ser sutil. Quando eu preciso, sei ser sexy, com o cara certo, no lugar certo... Não vou ficar sensualizando no mercado... A Cleo Pires é a pessoa mais sensual que eu já conheci na vida. Até gostaria. Se eu tivesse metade do sex appeal dela, eu já estava feliz. Mas comigo não rola. Não é da minha vibe.”

Na hora do ‘ação’, aí, sim, ela se solta. “Não fico constrangida com cena de nudez e de sexo. Tem uma que eu fiz com o Dalton Vigh (no filme ‘Comédia Divina’) em que eu fico só de calcinha com ele na cama. Quando tem segurança, confiança na equipe, OK. Já fiquei nua no teatro. Mas logo aviso, não sou rata de academia. Meu corpo é de mulher normal... Eu tenho celulite.” Sem neuroses, sua vaidade é na medida. “Acho que hoje a coisa está exagerada. Não dá para todo mundo ser a Gisele Bündchen, a Deborah Secco. A diversidade é tão legal, dá para ser bonita de tantas maneiras diferentes! Eu teria o cabelo da Cidinha tranquilamente, só que eu ia cortar direito, tratar, e fazer uma coisa linda, tipo Sheron Menezzes. Não dá para todo mundo ser loura, magra, de silicone. Aliás, a maioria nem fica bem assim”, reforça.

Ao vivo na bancada do ‘Vídeo Show’, Monica aceitou de bom grado o desafio, mas deixa claro que está apenas de passagem: “Não vou ficar eternamente no programa. Eu já tinha outros compromissos como atriz. Talvez até agosto. Gostei muito da ideia, nunca tinha feito ao vivo, mas é puxada essa dupla jornada. ‘Alto Astral’ termina em maio, depois faço um longa no segundo semestre e tenho um projeto de uma peça. Até o final do ano, deve surgir alguma coisa na área de dramaturgia também. Meu foco é trabalhar como atriz.” Ela sai dessa estreia com o saldo positivo, sem esconder que bateu uma insegurança. “A gente tem que estar sempre preparado para rejeição. Tinha medo de as pessoas não gostarem do meu trabalho como atriz. Não precisa ganhar prêmio, ser aplaudido, mas tem que ficar pelo menos OK. Saí do ‘CQC’ tão bem que eu não queria que as pessoas detestassem o trabalho seguinte. Para minha surpresa, foi o contrário. Só ouço coisas boas. Estou muito feliz.”

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