Depois de 14 anos em ‘A Grande Família’, Guta Stresser fala sobre recomeço

Atriz que deu vida a Bebel comenta o desafio de viver uma personagem em ‘Amorteamo’ e do desejo de ser mãe

Por O Dia

Rio - A mudança pode ser bem-vinda, ameaçadora, desafiadora ou simplesmente uma nova página a ser virada. Guta Stresser, que interpretou a Bebel de ‘A Grande Família’ por 14 anos, está descobrindo o que é começar de novo no seriado ‘Amorteamo’, que vai ao ar na Globo nas noites de sexta-feira.

“Saí da zona de conforto, me vi sem a segurança que a Bebel me proporcionava. Com todo respeito, do quinto ano em diante, fiz a Bebel com os pés nas costas. A Bebel já estava dentro de mim. A Cândida, não. Essa sensação me assustou a princípio, mas depois me deu uma enorme alegria. Me reinventei do zero”, diz. 

‘A Bebel só me trouxe coisa boa%2C como eu vou renegar isso%3F Tenho saudade da Bebel’Fernando Souza / Agência O Dia


A nova roupagem não impede que Guta, de 42 anos, continue sendo chamada na rua de Bebel. “Passei pela crise de ter medo de ficar presa à personagem lá pelo sétimo, oitavo ano de programa. A Bebel só me trouxe coisa boa, como eu vou renegar isso? Tenho saudade da Bebel”, jura. 

Mas o fato é que, desde que Guta foi escalada para ‘Amorteamo’, o contexto em que se viu inserida é oposto ao que viveu por 14 anos. O subúrbio carioca do século 21 deu lugar ao Recife de 1900, assim como as cores saíram de cena para ceder espaço a um certo ar soturno. Nada mal para a atriz, que não tem medo de assombração. “Amo filme de terror. Eu e meu marido (o músico e produtor musical André Paixão, o Nervoso) adoramos espíritos e fantasmas”, revela Guta, que, na trama, vive a fofoqueira Cândida, casada com Manoel (Aramis Trindade), dono de um bar. Ela fica dividida com a volta do primeiro marido, Jeremias (Bruno Garcia) do mundo dos mortos.

O jeito festivo de Guta ainda esconde um traço pouco evidente da sua personalidade. “Tenho as minhas sombras. O grande barato é saber reconhecer onde elas estão e jogar luz sobre elas. Tenho meus momentos de nostalgia e uma certa melancolia. Mas prefiro ser solar. Gosto de festa, de agregar gente, de bicho, de casa cheia, de barulho.”

Guta é avessa a frescura. “Eu sou do povo, sou uma mulher popular, despachada. Gosto de chutar o balde da formalidade, mas é claro que a gente tem que saber circular em eventos formais, como uma entrega de prêmio, mas não vou negar que me sinto bem mais à vontade em um ambiente popular”, afirma. Já quando o assunto é trabalho, o que vier, vem bem. “Por que não fazer uma mulher rica? Eu teria o maior prazer em fazer uma mulher finíssima, chique, ou uma nova rica cafona. O gostoso da brincadeira é levar para o personagem algo que não é seu e convencer o público de que é seu, sim”, diz.

Ganhar um brinquedo novo também não seria nada mal. “Fazer novela era uma curiosidade que virou um sonho. Estou superaberta a viver essa experiência.” Guta espera, ainda, se manter no elenco fixo da Globo. “Tenho fé de que vou renovar o meu contrato. Eu tenho uma relação bacana com a empresa e imagino que posso ser aproveitada em milhares de produtos. Ter essa estabilidade é muito bom”, frisa a atriz.

A fé de que vai dar tudo certo na carreira se repete na certeza de que realizará seu maior desejo de ordem pessoal. Casada há cinco anos, Guta não desiste de ser mãe, embora tenha dificuldade para engravidar. “Eu e meu marido vamos entrar na fila de adoção. E, em paralelo a isso, continuo correndo contra o relógio. Neste momento, não estou tentando mais fertilização artificial, porque tive um efeito colateral muito chato, que foi engordar. Ainda ovulo, então também penso em congelar óvulos. Estou superfeliz com essa decisão minha de que a maternidade virá de qualquer maneira. Quando você adota uma criança, ela está tão destinada a ser seu filho quanto uma criança que você gere”, acredita.

Fazer do limão uma limonada mostra a força de Guta. “Me inspiro muito no Batman, que não tem superpoderes como o Super-Homem nem sofreu uma mutação genética como o Homem-Aranha. Ele é só um cara que se trancou na caverna dos morcegos, passou pelo ritual de enfrentamento do seu maior medo e saiu de lá com a sensação de ser invencível. Você sempre vai sair da caverna mais forte quando consegue enfrentar o seu medo, seja de morrer, ficar gorda, envelhecer, não ter filho ou ficar sem trabalho.”

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