Caio Castro diz que não tem obrigação de ser uma pessoa pública

O Grego de 'I Love Paraisópolis' defende seu personagem bandido

Por O Dia

Rio - ‘Estar apaixonado me consome, eu me jogo...”, entrega Caio Castro. Então está namorando? Silêncio. Ele escancara um sorriso e encerra a entrevista. Não sem antes ter batido um papo de mais de uma hora com o D Domingo no intervalo das gravações da novela ‘I Love Paraisópolis’. Irredutível, Caio segue a linha “não falo de vida pessoal” e isso inclui, é claro, a relação com a colega de trabalho Maria Casadevall, mesmo os dois já tendo sido flagrados aos beijos inúmeras vezes.

“Muita gente fala: ‘Ah, mas você é uma pessoa pública.’ Peraí... Onde eu assinei isso? P... nenhuma, tá ligado... Não tenho obrigação de falar nada que não seja sobre meu trabalho. Meu foco é levar entretenimento, arte para as pessoas. Mas alguns se interessam muito mais por uma fofoca. Não me dedico a vender isso. Não quero ser celebridade. Sou artista. Curiosidade há e sempre vai existir, mas não estou disposto nem a fim de ficar alimentando esse tipo de mídia, mesmo porque falam o que querem, na hora que querem. Ainda bem que a gente tem uma Justiça, que pode ser um pouco lenta, mas funciona. E aí tem que ser tudo na base do processo, o que para mim é um desserviço, porque atrapalha”, avalia o ator.

Caio Castro defende seu personagem bandido%2C diz que não tem obrigação de ser uma pessoa pública e que trabalhar como garçom foi fundamental na sua vidaMaíra Coelho / Agência O Dia

Mas e quando a imprensa tenta apurar uma notícia e a assessoria do artista blinda, de cara, com a desculpa de que não trata desse tipo de assunto? “O problema é que muitas vezes não é uma informação, é achismo. E, apesar de dizermos o que realmente aconteceu, eles vão manter o que foi inventado se acharem que a verdade é menos interessante. Saiu recentemente que eu briguei na ‘night’. Primeiro: eu não sou de briga. Segundo: sou o maior bundão. Quando alguém quer brigar, eu falo: ‘Pô, cara, você vai me bater, acabar com minha noite, com a sua, estragar tudo...’ Sou o último a querer alimentar a confusão. São fofoquinhas que vão falando, falando... E toma essa proporção idiota”, retruca.

Na pele do bandido sedutor Grego, que caiu nas graças de público e de crítica, Caio defende o personagem, apontado por alguns como romântico demais, fora da realidade das favelas. “Sou ator, designado a cumprir um papel que é escrito pelo meu superior. É uma novela das sete, e as pessoas têm que entender isso. Não estamos retratando a vida real, estamos usando como referência. É óbvio que o Benjamin (Maurício Destri) também não entraria numa favela e meteria essa bronca toda. Isso não existe.”
Ele ainda discorda de quem acusa Grego de influenciar meninas a se envolverem com foras da lei.

“Não subestimo meu público. Mas acredito que se, de fato, algum tipo de obra fictícia pode influenciar um telespectador, o problema não está na gente, está em quem não teve uma educação correta em casa.” Mesmo o personagem não sendo baseado em fatos reais, Caio foi pesquisar ‘in loco’ como funciona o poder paralelo. Ele visitou as comunidades de Vila Prudente, Capão Redondo e Vietnã, em São Paulo.

“Cheguei e abri o jogo. Meu nome é tal, trabalho como ator, no que vocês podem me ajudar? E eles me receberam superbem, me mostraram tudo, dentro das possibilidades, sem abrir os segredos. Queria entender como se comportam, lidam com o perigo iminente, a preocupação em ajudar a comunidade... As relações internas eram o que mais me interessava. Em momento algum eu fiquei com medo. Eles entenderam e acharam legal a gente representar, de certa forma, esse lado da comunidade. E o que eu escuto, através dos conhecidos deles, é que estão gostando, achando do c... as gírias.”

Apesar de contar com uma parte da torcida para que o bandido e a mocinha (Mari/Bruna Marquezine) se acertem na história, Caio age de forma diferente de Grego. “Sou do tipo que termina de uma vez. Acabou, acabou. Relacionamento não tem que tentar, tem que fluir. Ninguém tenta gostar de ninguém”, acredita o ator, que ‘chora as pitangas’ numa tacada só: “A gente fica muito vulnerável, então, se for para sofrer, que seja de uma vez. O Grego tem uma ‘pira’ diferente, uma obsessão, e acho que ele nem é apaixonado pela Mari. Tem um lance de posse, ele enxerga nela uma menina direita, um futuro”, analisa.

Mas para tudo tem limite, até lutar por uma paixão: “A partir do momento que eu passo a incomodar a outra pessoa, perco o direito (de lutar). Também vou até onde eu não me machuque, até onde vai minha esperança. O Grego já matou por menos, não vai matar por amor? O Benjamin não morreu até hoje por sorte.” A química com Bruna é ‘caso antigo’: “Fui o príncipe da festa de 15 anos dela e ficamos amigos. Eu a chamo de princesa e ela me chama de príncipe. Tenho respeito profissional pela atriz que é, pela carreira que construiu. Participei de uma fase importante da vida da Bruna, e isso repercute na nossa relação pessoal e no trabalho.”

A fama de pegador pode estar com os dias contados para o ator, de 26 anos. “Hoje, tenho muita vontade de ter uma família, de casar, ter filho. Meus pais são separados, e eu não quero para o meu filho o que eu vivi. Fui tratado como um príncipe em casa, mas tem coisas que o amor não supera e não consegue unir, como o Natal com os pais juntos, a família grande reunida. Era Natal com um, Ano Novo com outro. Acabei dando um jeito nisso, depois de anos. Agora eles se falam, está tudo certo”, desabafa. Isso não significa que o ator ache importante oficializar um relacionamento: “No papel, não. Eu não piro em casar na igreja. E acho bem difícil me juntar com alguém que tenha esse sonho. Os dispostos se atraem, os opostos se distraem.”

Só não tente podá-lo. Não há amor que resista à falta de liberdade, para Caio: “O casamento traz uma porrada de coisas desnecessárias, mas acredito na união. Independentemente da forma, o que funciona — e, para mim, é o segredo da parada — é saber que, antes de conhecer a pessoa, você tem uma vida, ela tem a dela e os dois juntos, uma terceira, que precisa de uma dedicação, sem deixar de lado as individuais. Acho um absurdo esse negócio de dizer: ‘Não vou porque estou namorando.’ Sair com meus amigos quer dizer que vou causar, que vou para a putaria? Claro que não. Isso é besteira. Ele nem foi beber a cerveja ainda e ela já está falando... Ou a mulher nem foi para o bar e o cara achando que ela está dando para outro... Aí fica nessa cobrança, perdendo tempo, esquentando a cabeça... Estraga a relação. Cuida do seu jardim e não prende o passarinho, porque ele vai querer voltar.”

Caio ressalta que trair é uma questão de escolha: “M... acontece, e quando você menos espera. Ninguém tem que ser crucificado por nada, mas existe um respeito, uma pessoa que pode se machucar por uma atitude precipitada. Tem que ter um cuidado. Não de fazer escondido, isso é pior. Se a pessoa não está te bastando, tem que rever a relação. Fidelidade não é um conceito, não é uma regra, é um estado.”

Um dos atores mais bem-sucedidos de sua geração — especula-se que, hoje, seu cachê gire em torno dos R$ 50 mil, para presença vip, e meio milhão para campanha publicitária —, Caio não nasceu em berço de ouro. Começou a trabalhar aos 14 anos, como garçom de uma lanchonete. Ganhava R$ 170 por mês. Foi de mesa em mesa, servindo os clientes, que ele aprendeu a dar valor ao dinheiro e às suas relações. Ficou famoso e milionário precocemente, por isso não nega que é fácil se deslumbrar.

“Dá para perder a mão, porque não há dificuldades. É dinheiro rápido, reconhecimento rápido, as pessoas começam a gostar de você muito rápido, você passa a ser bem tratado... E tem muita mulher, óbvio. Se você não sabe lidar com isso e se sente melhor do que os outros só porque trabalha na televisão, a primeira cagada já está feita. Eu servia as pessoas e um sorriso mudava meu dia. Parece papo de puritanozinho, mas, brother, muita gente que se diz autossuficiente tinha que saber como é estar do lado de lá. Eu não ia ter uma carreira ali, não ia ganhar dinheiro, não ia conseguir ajudar minha família, mas foi crucial para ser quem eu sou hoje, para tratar todo mundo igual, independentemente da minha posição social e da condição financeira.”

De família humilde, Caio começou a pegar cedo no batente para comprar um videogame. “Estava cansado de esperar essas datas especiais, e de depender de nota na escola. Nunca fui um bom aluno (ele já foi reprovado). Parcelei em dez anos (risos), mas comprei”, lembra. E parcela até hoje? “Sem juros, sim.” Agora, sua maior extravagância é carro importado: “É o sonho de moleque pobre, né?”

A carreira meteórica e suas consequências abalaram o emocional do ator, que saiu de cena para superar uma crise: “Estava exausto de tudo, do excesso de trabalho, da superexposição, das cobranças. Não sabia se seria definitivo, mas tinha que dar um tempo. Saí do país, fui conhecer o mundo, me conhecer, filtrar o conteúdo que tinha adquirido. Quando voltei, decidi que não dava para emendar cinco anos nem aceitar tudo o que era proposto. Preciso de saúde mental. Me cobro no sentido de buscar personagens diferentes.”

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