O silêncio do mestre da percussão, Naná Vasconcelos

Considerado um dos melhores do mundo, músico lutava contra o câncer

Por O Dia

Rio - A percussão mundial perdeu um de seus maiores expoentes ontem pela manhã. O músico Naná Vasconcelos, de 71 anos, morreu no Recife, depois de ficar internado durante dez dias para tratar de um câncer no pulmão. Segundo assessoria do hospital Unimed III, o artista teve uma parada cardíaca e não resistiu a um procedimento dos médicos, vindo a morrer às 7h39.

Corpo de Naná Vasconcelos será enterrado hoje%2C às 10h%2C em RecifeDivulgação

Naná, que estava lutando contra a doença desde o ano passado, passou mal após um show realizado em Salvador (dia 28/2) com o violoncelista carioca Lui Coimbra, que o conhecia há mais de dez anos, último artista a tocar com Naná. “Ele estava um pouco debilitdo, mas bem. Eu o chamava de mestre, mas ele não gostava. Dizia que mestre estava no céu”, recorda Lui. O músico lembra ainda que Naná estava compondo com o maestro Gil Jardim até a tarde da última terça-feira. “É um gênio diferenciado que passou de plano”, lamenta Lui. Elba Ramalho também homenageou Naná. “As alfaias serão sempre tocadas em sua homenagem!”, postou a cantora em uma rede social.

Juvenal de Holanda Vasconcelos, o Naná, foi eleito oito vezes, por revistas especializadas, como o melhor percussionista do mundo e gravou com B.B King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads, liderada por David Byrne, entre outros músicos. No Brasil, abriu durante 15 anos o Carnaval do Recife, e participou de álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso e Marisa Monte.

O velório teve início às 14h de ontem, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O enterro está marcado para as 10h de hoje. 

Reportagem Eduardo Minc