Wanderléa grava em DVD o show 'Feito Gente'

Apresentação, que já faz mais de 40 anos, foi no antigo Teatro Tereza Rachel, onde hoje é o Theatro Net

Por O Dia

Rio - Em 1975, ao estrear o show ‘Feito Gente’, Wanderléa foi elogiada pela crítica e aclamada pelo público por sua alegria e exuberância. Mas a felicidade em estar no palco não se refletia em seu dia a dia, que incluía idas e vindas ao médico, cuidando do então marido José Renato Barbosa, filho de Chacrinha, que ficou paraplégico após um acidente numa piscina. Por causa disso, a cantora até evitava ouvir o disco resultante do show — ‘Feito Gente’, gravado ao vivo naquele ano durante apresentação no Teatro Tereza Rachel, onde hoje é o Theatro Net, em Copacabana. E é no mesmo palco, mais de 40 anos depois, que ela remonta e grava em DVD o show, marcado para o próximo dia 27 de julho, mantendo arranjos e repertórios originais.

Wanderléa grava em DVD o show ‘Feito Gente’Divulgação

“A carga emocional dessas músicas era muito forte”, recorda a cantora. Voltar ao set list, repleto de músicas compostas exclusivamente para ela (por nomes como Gonzaguinha, Luiz Melodia, Joyce Moreno e Walter Franco), acabou trazendo vibrações novas. “Era algo sofrido e hoje é uma emoção mais trabalhada, uma reflexão maior sobre aquele tempo”, recorda ela, bastante distante da ‘Ternurinha’, seu apelido na época da Jovem Guarda, e mais disposta a abraçar o que se fazia de novo na MPB. A vontade de gravar ‘Chuva, Suor e Cerveja’, sucesso carnavalesco de Caetano Veloso, a tirara da CBS (hoje Sony) e abrira espaço na Polydor (hoje Universal). Na mudança, registrou a música num compacto em 1971.

“Não queriam que eu gravasse isso de jeito nenhum. Ficavam com medo que uma mudança de rumo atrapalhasse a minha carreira. Se hoje é comum um artista montar novos projetos, na época não era”, conta Wanderléa, deixando claro que, mesmo com as metamorfoses em sua carreira, o repertório jovemguardista ainda é um chamariz para shows. “Ele é insubstituível na minha carreira. Sobrevivo até hoje fazendo coisas com ele, e essas músicas trazem alegria para muita gente. Mas nos anos 70 queria apresentar algo diferente. Eu tinha cantado com orquestras, feito várias coisas até antes da Jovem Guarda e queria resgatar o prazer do canto nessa época”, conta ela, explicando que passou a ter dois tipos de público na época, um que vinha dos anos 60 e um mais renovado. “Muitos fãs da época da Jovem Guarda ficavam curiosos e iam ver o show. Mas era algo bem mais experimental e menos pop”, diz.

Antes de ‘Feito Gente’, Wanderléa misturara rock e soul no disco ‘Maravilhosa’ (1972), cujo repertório ela revisitou em show e DVD em 2014. Para o disco/show de 1975, contou com os arranjos e a direção musical da violonista Rosinha de Valença (1941-2004), preservados agora na remontagem. Vanderléa já deu shows recentemente no Theatro Net e aproveitou para compará-lo com o antigo Tereza Rachel. “Nem reconheci nada porque está tudo transformado, mas fiquei andando por lá e pensando: ‘Aqui era o palco, aqui era a coxia.’”

No show, a cantora retorna a músicas como ‘Carne, Osso e Coração’ (Joyce Moreno), ‘Segredo’ (Luiz Melodia), ‘Verdes Varandas’, ‘Lua’ (ambas de Sueli Costa) e ‘Eu Nem Ligo’ (Gonzaguinha). A gravação em DVD, com direção em vídeo de Rafael Saar, dá vida a um projeto que quase rolou em 1975.

“O Boni me convidou para fazer um especial da Globo com o show e eu não quis, acredita?”, diz a cantora, confessando-se uma péssima marqueteira. “Achava que o show não rodaria o país se passasse na televisão. Hoje me arrependo. Teria um excelente material daquela época.”  

CD com canções de Sueli Costa e autobiografia para 2017 

Wanderléa está mergulhada em lembranças de toda a sua carreira e vida pessoal para sua autobiografia, prevista para sair pela Editora Record em 2017 e ainda sem título. No trabalho, está sendo auxiliada pelo jornalista Renato Vieira, mineiro radicado em São Paulo como ela. “Ele está me ajudando com dados que eu não sabia ou não lembrava, e organizando tudo. Descobrimos que o nome do filme, ‘Juventude e Ternura’ (protagonizado por ela em 1968 e dirigido por Aurélio Teixeira), foi dado por Glauber Rocha”, recorda, animada. Além do livro, sai agora no segundo semestre de 2016 o disco ‘Wanderléa Canta Sueli Costa’, só com canções da compositora carioca, como ‘Alma’ e ‘Jura Secreta’, ambas parcerias dela com Abel Silva, já gravadas por Simone. O projeto do disco existe desde 2013, quando Wanderléa o levou para os palcos. Ela aproveita para acrescentar que jovem guarda e MPB, apesar das diferenças, se davam bem nos anos 60. “A Nara Leão dizia que a melhor amiga dela na TV Record (que exibia o ‘Jovem Guarda’ e o ‘Fino da Bossa’) era eu.”

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