Mateus Solano garante não ter preferência por personagens

Ator conversou com O DIA e revelou que o vilão Félix, de 'Amor à Vida', foi um marco na carreira, falou do movimento em defesa do teatro e garantiu que não pretende aumentar a família

Por O Dia

Rio - Em 'Pega Pega', trama das 19h da Globo, Mateus Solano vive um empresário workaholic, que no momento só pensa em desvendar o roubo do hotel que comprou e acaba de casar com a mulher que ama. No folhetim, Eric e Luiza (Camila Queiroz) conseguiram ficar juntos depois de alguns desencontros, mas o ator não sabe até quando. "Está muito cedo para eles serem felizes para sempre, ainda estamos no meio da novela. Acho que essa união deles serve, inclusive, para mostrar que o casamento é uma relação em que as pessoas têm que se reinventar, justamente para continuarem juntas. Acho que isso que é bacana, e recentemente começamos a ver os casamentos no meio das novelas, em vez de ele ser um 'adorno' usado no fim", reflete Mateus.

Mateus SolanoDivulgação/Sérgio Baia

Na história, o empresário não vai sossegar enquanto não desvendar os responsáveis pelo roubo do Carioca Palace. "Com essa 'fome' que ele tem pra descobrir os culpados pelo roubo do hotel, ele vai usando as ferramentas que tem para ir se aproximando e se tornando mais um 'investigador' do que simplesmente um espectador do que a polícia vai fazer", esclarece.

SEM PREFERÊNCIAS

Aos 36 anos, com uma carreira de 14 povoada de múltiplos personagens, Mateus garante não preferir 'vilões ou mocinhos'. "Não tenho nenhuma preferência. O mais difícil é interpretar personagens que tenham uma cor só. A partir do momento em que ele 'se colore', que tem vontades e contra vontades, passa a ser interessante. Tanto um quanto o outro precisa de carisma, humor e de conflitos internos que independam de ser o vilão, mocinho ou possua qualquer outra característica ou rótulo".

Apesar da afirmação, o brasiliense admite que o carismático vilão Félix, de 'Amor à Vida'(2013), foi um marco em sua trajetória. "Sem dúvida, alguns personagens me fizeram passar por coisas muito especiais, como foi o caso do Félix, que estabeleceu uma relação forte de amor com o público. Mas também tive trabalhos que me deram a oportunidade de exercer um lado inédito, pesquisando coisas que estão fora da minha rotina, como foi o caso do Rubião, numa trama que se passava no século 18 ('Liberdade, Liberdade', de 2016 ), algo realmente muito distante da minha realidade. Essa profissão me dá a oportunidade de viver papéis tão diferentes e é isso que mais me interessa e me deixa feliz", diz o ator.

AMOR À CULTURA

Cria do teatro (começou lá aos 15 anos), Solano sempre que pode está nos palcos. Seu envolvimento com as questões culturais é constante, tanto que ele e Marcos Caruso, seu colega em 'Pega Pega', se uniram a outros artistas e produtores, para impedir que o Teatro do Leblon fosse fechado em julho deste ano: colocaram em cartaz por lá os espetáculos 'O Escândalo Philippe Dussaert' (solo de Caruso), e 'Selfie', com Mateus e Miguel Thiré, e começaram, junto a outros colegas, um movimento em defesa da sobrevivência da atividade teatral no país.

"O movimento 'Teatro Sim' nasceu da nossa necessidade de falar dos inúmeros teatros que fecharam suas portas nos últimos anos no estado. Achamos isso muito grave porque estão tirando de nós espaços de convivência e reflexão", opina. "O fato é que o resultado de nosso movimento foi ver uma sensível melhora na frequência dos teatros graças à sensibilização desse movimento junto ao público e aos próprios artistas", afirma.

FAMÍLIA

Entre tantos papéis, ele ainda exerce o de pai dos pequenos Flora, de 6 anos, e Benjamin, de 2, do seu casamento com a atriz Paula Braun. "Ser pai me deu mais maturidade e foco", confessa.

Com Paula desde 2008, o ator acredita que um relacionamento para durar precisa da atenção constante do casal. "O casamento precisa ser revisto de tempos em tempos, porque a gente muda e, por isso, a relação também precisa mudar. Então, manter o ouvido sempre bem aberto para os anseios e as mudanças do seu parceiro vai fazer com que ele tenha a mesma atitude com você", diz o ator, revelando que ele e Paula não pretendem aumentar a família. "A princípio, não vamos ter mais filhos".

TV, CINEMA E TEATRO

Nos últimos anos, praticamente fazendo trabalhos seguidos na TV, o ator conta o que o atrai no convite para um trabalho: "É o personagem em si, mais até do que o autor, o diretor e os colegas de trabalho. O personagem vem sempre em primeiro lugar. Se ele possui camadas, não tem uma cor só, eu gosto. Porque a humanidade é assim, é plural. E um personagem não é apenas uma coisa, ninguém é apenas um mocinho, ou vilão, ou nordestino ou gay. Quanto mais plural um personagem for, mais ele me interessa".

E após o final da trama, Mateus planeja trabalhar um pouquinho mais. "A 'Escolinha do Professor Raimundo' (ele faz o Zé Bonitinho) está para estrear sua terceira temporada. Vou lançar entre o final deste ano e o início do outro o filme 'Talvez Uma História de Amor', do Rodrigo Bernardo, e ano que vem levaremos a peça 'Selfie' a algumas capitais brasileiras e também a Portugal", planeja.

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