Fim de semana foi marcado pelo descontentamento com a situação do Brasil

Skank criticou políticos e Blitz apoiou causa indígena

Por O Dia

Rio - Podia ser só mais um Rock in Rio, sem muitas surpresas. Não foi. O primeiro fim de semana do festival foi marcado pelo descontentamento do público com a atual situação do Brasil com a política - e com o fato de público e plateia se unirem no mesmo desencanto, a ponto de Samuel Rosa, do Skank, falar que "políticos são piores que ladrões, matam gente", Alicia Keys passar a palavra a uma liderança indígena feminina, que lembrou o que está acontecendo na Amazônia, e até Evandro Mesquita ser o primeiro artista do festival a reclamar nominalmente, no palco, do governo Michel Temer.

Alicia Keys faz show emocionante no Rock in RioFoto%3A Ag. News

"O governo Temer quer salvar o pescoço. Sou guardião da Amazônia. Levantem as mãos aí que nossa resistência será forte, firme, por um Brasil melhor, pelas áreas indígenas, pelas demarcações de área, é isso aí", afirmou Evandro, motivado pela mesma causa de Alicia Keys. Houve também muita diversidade, especialmente no primeiro dia, quase um dia GLBT no Rock in Rio, e no terceiro, com o beijo de Johnny Hooker e Liniker no palco.

CRÍTICA DOS SHOWS

Diversidade e protestos explodiram no terceiro dia de Rock In Rio, com a música rolando no palco. Teve beijo na boca de Liniker e Johnny Hooker (que dividiram o Palco Sunset com Almério), líder indígena feminina subindo ao palco com Alicia Keys (em protesto contra a venda do conjunto de reservas da Renca, com direito a discursos e a mais "fora Temer!" da plateia), Frejat tocando "Ideologia", "uma parceria com Cazuza que nunca toquei ao vivo e que é cada vez mais verdadeira". Os grandes destaques dos dois palcos principais vão para o bailão variado e de excelente qualidade (e pleno de emoções fortes) promovido pelo produtor, compositor e guitarrista Nile Rodgers e seu Chic. E para o fim com Alicia Keys e Justin Timberlake.

Nile Rodgers, fechando o Palco Sunset, fez questão de se apresentar para a plateia: explicou que tinha o melhor trabalho do mundo porque tinha produzido discos de Madonna, Diana Ross, David Bowie, Sisters Sledge, e que iria mostrar um pouco do material que tinha feito — e tal material incluía desde clássicos popularíssimos do Chic como 'Everybody Dance' e 'Le Freak', até megahits de outros artistas como 'Let's Dance', de David Bowie, 'I'm Coming Out', gravada por Diana Ross, e 'Like A Virgin', de Madonna. Tudo isso estava no show e deu à apresentação caráter de aula. Teve emoção, e muita, com Nile falando que estava rezando pela recuperação de Lady Gaga da fibromialgia e pedindo as luzes dos celulares da plateia acesas enquanto ele lembrava de quando se recuperava de um câncer na próstata e recebera o telefonema dos amigos do Daft Punk que representaria sua participação no disco Random access memories (2013) — e geraria o hit 'Get Lucky', tocado na sequência. "E hoje eu estou livre do câncer!", bradou, emocionadíssimo. No final, uma multidão que incluía a turma da equipe técnica, mais nomes como Fernanda Abreu, Wilson Simoninha, Dream Team do Passinho e Maria Rita, subiu ao palco para dançar o hit 'Good Times'.

Frejat, abrindo o Palco Mundo, ousou por apresentar show novo (e música nova, 'Tudo se Transforma', nome da turnê) no festival, e deu mostras de que a sonoridade antiga do Barão Vermelho e de sua carreira solo lhe faz falta — só hits de sua ex-banda e de seus discos, com exceção de 'Ideologia' e da versão de 'Negro Gato', de Getúlio Côrtes, dedicada a Luiz Melodia. O Walk The Moon, (boa) banda de indie rock referenciadíssima nos anos 1980, suou para conquistar a plateia e não trazia muita coisa, para isso, além de poucos hits conhecidos, como 'Shut Up And Dance'. Conseguiu arrancar palminhas da plateia.

Já Alicia Keys foi outra história: soul consciente, tocado a maior parte do tempo no piano (ela divide teclados com outros integrantes, mas conduz o set list), com vocais bizarramente trabalhados e interação com a plateia o tempo todo - seja para perguntar onde estão as supermulheres da plateia e os rapazes que as amam (e assim introduzir 'Super woman') ou se mostrar grata por estar ali vendo a plateia e todo o festival daquele ângulo. 'Kill Your Mama', que fala da preservação das matas, foi a música que levou ao palco a líder indígena Sonia Guajajara, que avisou que "o Governo quer colocar à venda uma gigantesca área de reserva mineral e no próximo dia 20 haverá uma votação no Senado de um decreto legislativo que pode barrar todo esse absurdo (...). Vamos pressionar". A música teve participação de Pretinho da Serrinha e seus músicos, que a transformaram num samba. 'On Common' levou de novo o Dream Team do Passinho ao palco.

Fechando, Justin Timberlake corria o risco da falta de surpresas, já que está sem lançar nada há um tempinho. Agradou o público com um show cheio de hits ('What Goes Around... Comes Around' e 'Cry Me A River', em que deixou a turma cantar boa parte da letra, e 'Sexy Back'), fazendo charme na frente do palco e até inserindo a plateia na história. Tirou até selfie com uma suposta fã aniversariante ("você está mentindo? Se estiver todo o Brasil vai saber, hein?"). Não foi tão bacana quanto Alicia Keys, mas era o fator motivador da noite para muita gente, e todo mundo tentou chegar perto do palco para ver e cantar junto. Emocionante.

Últimas de Diversão