Por tabata.uchoa
Natália%2C de 'Flor do Caribe'%2C fica grávida depois dos 40 anosDivulgação

Rio - Mais de quatro décadas de vida, duas filhas adultas que já respondem por si, estabilidade profissional e um amor para chamar de seu. Natália, personagem de Daniela Escobar em ‘Flor do Caribe’, levava uma vida tranquila, sem as responsabilidades exigidas de uma mãe com filho pequeno.

A bióloga marinha vivia intensamente seu relacionamento com Juliano (Bruno Gissoni) — 30 anos mais jovem —, sem nem se preocupar com os comentários preconceituosos da vizinhança. Até que começou a sentir enjoos frequentes, logo desvendados num exame de sangue. Não deu outra. Além de Ludmila (Tainá Müller) e Carol (Maria Joana), Natália será mãe de mais um. Ou uma. Longe de Vila dos Ventos (cidade fictícia da novela das seis), na vida real, é cada vez mais comum mulheres engravidarem após os 40 anos, acidentalmente ou não.

“Tenho visto nas ruas mulheres de 40, 45 anos grávidas e felizes. Fiquei sabendo que a Halle Berry (atriz americana) está esperando seu segundo filho aos 46. Isso é muito lindo”, diz Daniela, de 44, mãe de André, de 14, do seu relacionamento com o diretor Jayme Monjardim. Seu único filho, aliás, já lhe cobrou um irmão. “Ele pedia quando era mais novinho. Eu dizia: ‘Desse mato não sai mais coelho. Pede para o seu pai’. É melhor deixar para a ficção, né? Lá é tão bonitinho. É como se eu vivesse também. Consigo me realizar na Natália”, despista a atriz.

Muitos casos na vida real

A dona de casa Solange Dutra, 52, também inventava desculpas para justificar o fato de ter apenas um filho. Aos 42, no entanto, foi surpreendida. “O Bruno tinha 17 anos quando descobri que estava grávida. Ele já estava encaminhado na vida. Eu fiquei desesperada. Saí gritando pelo condomínio onde moro. As pessoas achavam que era algo grave. Chorei os nove meses de gestação”, conta Solange, hoje completamente apaixonada por Paula, de 10. “Não imagino minha vida sem ela. Meu filho quase não fica em casa, vai casar, e a Paulinha me faz companhia, é muito carinhosa. Mas ela é muito levada e tem uma energia sem fim. Aos 52 anos, não tenho estrutura”, admite.

Jacqueline Madureira, 44, mãe de Arthur, de 3, concorda com Solange. “É uma loucura ser mãe aos 40. Parei o anticoncepcional porque estava cansada, mas não esperei que fosse vir uma criança. Foi uma turbulência, pois eu já estava numa segunda fase da vida. E realmente o fôlego é outro. É difícil ficar correndo atrás da criança o tempo todo”, confessa Jacqueline, que tem um neto da mesma idade que seu filho. Ela também é mãe de Camila, de 22, e Ana, de 16, que é portadora de Síndrome de Down e autismo. “Tive minha filha do meio, a Ana, aos 28 anos. E o Arthur veio sem a síndrome. Isso quebra aquele preconceito de que mulheres mais velhas têm um risco maior de ter um filho com problemas”, ressalta.

Sonho realizado

Diferentemente de Solange e Jacqueline, que já eram mães quando engravidaram após os 40, Cristina Pamplona, de 45, tentou ter um filho por três vezes antes de dar à luz Valentina, hoje com 4. “Sonho é sonho. Tive três abortos espontâneos antes de minha filha nascer. Por isso, o nome Valentina. Ela é muito Valente”, derrete-se.

Cristina conta que já passou por situações inusitadas por ter sido mãe na maturidade. “Eu sempre tive o cabelo bem grisalho e, durante a gravidez, não pude pintar. No batizado da Valentina, a freira perguntou se eu e meu marido éramos os avós. Eu levo na brincadeira. Na verdade, adoro que confundam”, diverte-se.

Solange Couto ao lado do filho e do marido%2C JamersonDivulgação


Solange quer mais um filho

A atriz Solange Couto, 56, surpreendeu muita gente ao anunciar que estava grávida de Benjamin, 1 ano e 11 meses, de seu casamento com Jamerson Andrade, de 26. Ela também é mãe de Márcio, 39, e Morena, 22. “Eu comecei a fazer tratamento para emagrecer. Quando senti uma tontura, achei que fossem efeitos colaterais dos remédios. Aí, entre os exames de sangue, o médico pediu o beta HCG e disse que eu poderia estar grávida”, lembra. Segundo a atriz, gravidez na maturidade é mais comum do que se imagina.

“Mas não entra na estatística. Os burros e ignorantes ainda acham que um bebê gerado por uma mãe após os 40 virá com algum problema, como a má formação física, o que não corresponde à verdade. Infelizmente, não há o hábito da leitura no país. Se a mulher tem saúde e ainda menstrua, por que não ter um filho?”, questiona.

Ela conta que pretende adotar um filho em breve. “Não quero um bebê. Talvez uns dois anos a mais do que o Benjamin para serem criados juntos, sabe? Crianças mais velhas têm mais dificuldade para conseguir uma família”, explica ela, que não costuma ser confundida como avó de seu filho.

“Como sou uma pessoa pública, a maioria das pessoas sabe que fui mãe depois dos 50 anos. O que acontece é perguntarem ao Jamerson se ele é meu filho. Como estou muito diferente, 38kg mais magra, outro dia uma vendedora não me reconheceu e questionou. Depois, pediu desculpas. Ele fica irritado, mas eu não ligo. Esse tipo de coisa não dói nem tira pedaço”, diz Solange.

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