Por daniela.lima

Rio - Já foi o tempo em que as mocinhas de novelas eram amadas e defendidas pelo público. Paloma, interpretada por Paolla Oliveira em ‘Amor à Vida’, não será a primeira nem a última a ganhar antipatia dos telespectadores. A questão é que as vilãs estão cada vez mais atraentes e interessantes, o que acaba tornando as sofredoras e choronas cada vez mais chatas. Na internet, a pressão para que Paloma desapareça da trama das 21h é quase diária. Campanhas do tipo: “Não aguento mais essa chorona”, “Morra, Paloma!” e “Mocinha mais chata não existe” já se tornaram constantes no Twitter e no Facebook. 

Tanto choro fez com que Paloma%2C de ‘Amor à Vida’%2C se tornasse a mais chata na opinião dos internautas Divulgação


Azar das mocinhas, sorte das vilãs — ou vilões. Enquanto a popularidade de Paloma anda em baixa, Félix (Mateus Solano) é cada vez mais amado pelo público. Outra que já começa a cair no gosto popular é Leila (Fernanda Machado), que maltrata a irmã autista Linda (Bruna Linzmeyer) e quer dar o golpe na milionária Nicole (Marina Ruy Barbosa).

“Acredito que o público não se sinta atraído pelas heroínas porque muitas vezes elas são enganadas e não percebem. O telespectador acaba achando que elas são tapadas e fica com raiva. Os personagens com mais conflitos e mais contradições são mais interessantes. É o caso dos vilões. As pessoas falam da Leila com uma vontade, elas gostam dela. Isso é muito doido! Mas acho que sempre foi assim. Agora fica mais evidente por causa das redes sociais”, opina Fernanda Machado.

“Acho que também passa pelo carisma do ator, do intérprete. Mas, no caso da Paloma, por exemplo, tenho encontrado muita gente que fala positivamente. Se ela não fosse carismática, como já mostrou isso em outras novelas, não seria chamada para fazer a mocinha”, defende Julio Rocha, que vive o médico Jacques.

Mas, ao que tudo indica, maldade está mesmo em evidência. “Vivemos em uma sociedade de aparência, em que precisamos ser bons e agradáveis o tempo todo. E, quando as pessoas têm a oportunidade de ver no outro o que gostariam de fazer e não podem, elas se identificam. A Paloma chora o tempo todo. Já o Félix tem humor e o que faz rir chama mais atenção. Todo ser humano tem um lado bom e um lado ruim. Os vilões representam esse lado que as pessoas querem colocar para fora e não podem, por isso eles fazem tanto sucesso e as mocinhas, não”, acredita a psicanalista Joyce Guilherme. 

Maria Eduarda de 'Por Amor' (1997) foi uma das mocinhas odiadas pelo públicoDivulgação


Com isso, a personagem de Paolla entra para o time das rejeitadas pela chatice. Entre elas estão Helena, interpretada por Taís Araújo em ‘Viver a Vida’ (2009), Diana (Carolina Dieckmann), que até morreu na reta final de ‘Passione’ (2010) tamanha a rejeição do público, Maria Eduarda (Gabriela Duarte), de ‘Por Amor’ (1997), e Morena (Nanda Costa), de ‘Salve Jorge’ (2012), que também não cativaram.

Nina (Débora Falabella), de ‘Avenida Brasil’ (2012), não era melancólica, mas acabou se perdendo nos seus planos de vingança. O resultado? Perdeu o jogo para sua rival, Carminha (Adriana Esteves), que foi a verdadeira sensação da trama. Mas as ‘malas-sem-alça’ não se limitam ao horário das 21h. Grazi Massafera, que viveu a protagonista Lívia em ‘Negócio da China’ (2008), novela das 18h, sabe o peso de fazer uma mocinha sem expressão. Para não cair no mesmo erro, a atriz resolveu levar mais humor para sua atual personagem, Ester, de ‘Flor do Caribe’. “Não estou imune às críticas. A faixa das 18h é mais tradicional e as mocinhas não podem ousar muito. Eu não tenho como sair do estereótipo. Críticas acontecem. Fico chateada, mas nunca sofri por isso”, argumenta Grazi.

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