Por tabata.uchoa

Rio - Enfrentar um pai como Félix (Mateus Solano) deve ser mesmo difícil. Na trama de ‘Amor à Vida’, folhetim das 21h na Globo, o rebelde e introvertido Jonathan precisará mover montanhas caso escolha Arquitetura no vestibular. Como a família é dona de um hospital, ele é praticamente obrigado a seguir Medicina. Para o intérprete do personagem, Thalles Cabral, de 19 anos, felizmente a ficção está bem longe da realidade. Mas, entre os colegas de escola, o ator viu muitos exemplos parecidos com a história.

“Acho terrível esse comportamento do Félix. Essa situação é bastante complicada e, infelizmente, muito real. Conheço vários amigos que deixaram de fazer determinados cursos por causa dos pais”, lembra Thalles, hoje matriculado em Cinema.

As gêmeas Larissa Lamblet e Letícia Lamblet, de 18, viveram na pele o problema. Filhas de médico, sentiram a pressão redobrar quando o irmão optou pelo mesmo caminho do pai. Indecisas e confusas com as influências da escola e da família, procuraram a ajuda de orientadores vocacionais.

Assim como em novela%2C ainda há pais que pressionam filhos a seguir a carreira escolhida por elesDivulgação

Hoje, as duas não titubeiam quando questionadas sobre os caminhos que vão seguir. Letícia decidiu por Administração, mesmo com a rejeição da mãe. “Quando contei, ela logo me censurou. Disse: ‘Essa é a maior burrada da sua vida! Esse curso é só para quem tem pais empresários!’”, recorda. A escolha de Larissa pelo curso de Direito foi menos questionada. Mas poucos ainda sabem que o seu desejo real é ser uma autoridade policial. “Eu sempre me importei com o que as pessoas pensam de mim, mas consegui encarar a pressão dos meus pais. Afinal, somos nós que vamos trabalhar, e não eles”, aconselha.

A segurança das irmãs surgiu ao longo de todo o processo de orientação vocacional. Os orientadores Deyse Borges e Vicente Couto fizeram questão de inserir a família em algumas rodas de conversa.

“É importante que os pais sejam cúmplices dessa etapa. A maioria dos orientandos tem um histórico de pressão familiar por conta da questão financeira”, afirma Vicente. Para quem prestará vestibular neste ano — faltam exatos dois meses para o Enem —, os orientadores elencam algumas dicas. “É bom pesquisar as grades das disciplinas nos sites das faculdades; se possível, conversar com profissionais da área; e não se deixar levar pelas profissões da moda”, aconselha Vicente.

Os dois levaram Larissa para conhecer Fabíola Araújo, delegada civil e diretora da Academia de Polícia. “Fiquei encantada, certa de que queria ser como ela”, disse a estudante. Para Deyse, na hora da escolha é importante pensar nos talentos e hobbies. “De alguma maneira, as pessoas acabam sempre inserindo no trabalho aquilo que gostam”, aconselha.

Filha de cantora, Luísa Vianna está envolvida no universo artístico desde criança. Mas,por influência do pai, acredita que a área seja desfavorável financeiramente. “O meu pai não chegou a me reprimir abertamente. Mas ele sempre dizia: ‘Filha, pense bem, o teatro é apenas um hobby, não é?’. Isso me travou muito”, assumiu.

Entre algumas disciplinas do curso de Jornalismo, na UFF, Luísa arranjou tempo para conciliar cursos de teatro. Acabou sendo selecionada para um musical, na Unirio. Fã da atriz e cantora Alessandra Maestrini, mandou para ela, pelo Facebook, um vídeo de um espetáculo do qual participou. A resposta veio em seguida, com um estímulo. Depois, as duas se encontraram pessoalmente, num workshop.

“Os pais precisam apoiar a Luísa. É uma sacanagem com o público, que pode ficar privado de conhecer uma nova Bibi Ferreira”, elogia a atriz, que garante: “Sou muito feliz com a minha escolha”. Ela conta que, recentemente, numa consulta ao médico, subiu na balança, que deu problema e marcou apenas 23 quilos. “Caímos na gargalhada. Quando estamos felizes, ficamos mais leves. Essa é a receita”, brinca.


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