Por tamyres.matos

Rio - A série ‘Presidentes Africanos’, apresentada pelo jornalista Franklin Martins, estreia nesta madrugada de sábado para domingo, às 2h35, na Band. Em seis episódios, o programa retrata as transformações sociais e econômicas do continente africano, trazendo reportagens e entrevistas exclusivas com os presidentes de cinco países - Angola, África do Sul, Moçambique, Nigéria e Congo.

Realizada pela produtora Cine Group, a série também está no ar no canal a cabo Discovery Civilization, onde estreou em setembro e é exibida na versão integral, com 15 episódios.
Nesta entrevista, Franklin Martins, que foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), do governo Lula, conta como foi gravar no continente africano, garante que se sentiu em casa e fala de sua volta à TV após um longo período de afastamento. Para ele, o que separa o Brasil da África é a falta de informação e o preconceito.

Franklin Martins e o presidente de Angola José Eduardo dos SantosDivulgação

O DIA - Qual a importância de se mostrar na série os países africanos?

Franklin Martins - O Brasil tem muito pouca informação sobre a África embora possua a segunda maior população afrodescendente do mundo, atrás apenas da Nigéria. A série de programas quer contribuir para aumentar a informação e diminuir o preconceito sobre o continente. A África vive um excelente momento. Vem deixando para trás as sequelas da escravidão, do colonialismo e das disputas do período da Guerra Fria, e construindo um ambiente de democracia e paz.

O DIA - Apesar do crescimento e da democracia, como o senhor avalia os conflitos que ainda existem na região?

Franklin Martins - Em 2012, por exemplo, houve nada menos de 17 eleições nacionais no continente, com grande participação popular e resultados reconhecidos pelos organismos internacionais. Há guerras e conflitos, mas eles são localizados. Dos 1,1 bilhão de africanos, 100 milhões vivem em zonas de conflitos e um bilhão em ambientes de país. Tudo isso está permitindo que a economia da região cresça fortemente, em média de 5% ao ano na última década. Nos últimos dez anos, dos 15 países que mais cresceram no mundo, dez são africanos.

O DIA - Quais os países que mais o impressionaram? Por quê?

Franklin Martins - Além de Angola e Moçambique, países de língua portuguesa com os quais temos trocas mais intensas, cito a República Democrática do Congo, a Etiópia e a Nigéria. A Nigéria tem mais de 170 milhões de habitantes. Muito do Brasil veio de lá, das culturas iorubá e haussá, trazidas por quase um milhão de escravos. A Etiópia é surpreendente, tem uma civilização milenar. Quem não ouviu falar na Rainha de Sabá?

Seu reino, no norte da Etiópia, fundou uma dinastia que durou até o século 20. É um país de forte religiosidade, com igrejas cristãs antiquíssimas e belíssimas. O Congo também contribuiu decisivamente para a formação do Brasil. Da região formada pelo oeste do Congo, o norte de Angola e o Gabão, vieram mais de três milhões de escravos para o Brasil.

O povo congolês é muito parecido com o nosso. Mesmos rostos, ginga idêntica, alegria semelhante. Me senti em casa. O Congo é um país imenso, com grande população, que ocupa uma posição estratégica no centro do continente, muito rico em minérios, água, terra, sol – e talvez por isso mesmo tenha sido o país da África que mais sofreu durante a rapinagem e a barbárie do colonialismo.

O DIA - Como o senhor se sentiu nessa sua volta à TV após tanto tempo afastado?

Franklin Martins - Bem à vontade. É sempre bom aprender, fazer coisas interessantes, assumir novos desafios. Foi uma experiência profissional e pessoal muito intensa. Espero que os telespectadores que assistirem aos programas da série se sintam estimulados a conhecer mais sobre a África. Porque assim estarão também conhecendo mais sobre nosso país. Afinal, em grande parte somos o que somos graças à África. Quando nos tornamos independentes, para cada europeu, havia nada menos de oito africanos no país.

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