Miguel Falabella fala sobre a terceira temporada de ‘Pé na Cova’

Autor também deu detalhes sobre 'O Sexo e Ar Nêga', paródia do seriado americano 'Sex and the City'

Por O Dia

Em ‘Pé na Cova’%2C Miguel Falabella se diverte num caixão da ‘F.U.I.’. No detalhe%2C Diogo Vilela%2C na pele do charlatão Dr. ZoltanDivulgação

Rio - Ele não escreve para galã nem mocinha. Os cenários de suas histórias passam longe do Leblon. Seus personagens andam de ônibus, de trem, são pobres, idosos, lésbicas, transformistas, de tudo um pouco. É do povo e para o povo que Miguel Falabella gosta de criar.

“Pé na Cova é a comédia da tolerância, por isso agrada tanto o povão. Esses personagens têm um coração que admite novas formas de amar, de formar famílias. Eu gosto de gente e fico desesperado se vejo meus amigos desempregados. Gente talentosa que não tem oportunidade porque talvez não esteja no padrão. Mas que padrão? O meu padrão é a vida”, escancara Miguel.

A partir do dia 8, a Família Addams do Irajá está de volta à grade da Globo. E, seguindo essa infalível receita popular, Falabella prepara, para o segundo semestre, uma paródia da série americana ‘Sex and the City’. Só que o quarteto não é formado por nova-iorquinas ricas e fashionistas. São quatro negras (operária, cozinheira, camareira e costureira) da Cidade Alta, de Cordovil, favela ainda dominada pelo tráfico de drogas.

“Acho necessário esse seriado, o ‘Sexo e Ar Nêga’, porque a população negra do Brasil pode até ser protagonista, mas é sempre o bandido, o desgraçado. Claro que elas são pobres, moram na Cidade Alta, mas têm o olhar lúdico de mulheres que gostam de f..., de se arrumar, que querem encontrar um amor. Os bofes são pedreiros, mecânicos, mas os problemas são os mesmos de qualquer mulher. Elas têm moda, não são para baixo, são sobreviventes nessa selva, como todos nós”, justifica o autor.

Atrizes de musical, Karin Hils, Lilian Valeska, Corina Sabbas e Maria Bia Martins vão soltar os vozeirões em canções que ele está adaptando da black music americana. “‘Take Me In Your Arms And Love Me’, da Gladys Knight, eu traduzi para ‘Junta o seu Amor e Vaza’. Elas são cantoras excepcionais. Vai ser do babado forte”, promete. Fora suas empregadas domésticas, outra fonte de inspiração é a música: “E é um presente para as pessoas, embora ninguém se lembre mais de Núbia Lafayette (cantora dos anos 50).

Vivemos num país cruel nesse sentido. A gente precisa ter esse resgate, mas, como somos vilipendiados, sacaneados como cidadãos, temos que lutar eternamente contra o rancor que vai se apossando de nós. Quando leio jornal de manhã, a vontade que dá é sair com uma arma na mão, dando tiro. A indignação que vivemos é prejudicial. ‘Pé na Cova’ toca em temas sociais o tempo inteiro, mas de uma maneira divertida. As pessoas não são tolas, elas sabem exatamente o que está sendo falado. É o que eu gosto e o que vou fazer pelo resto da minha vida”, sentencia.

Se o caos do dia a dia é motivo de irritação, com a balança Miguel está em paz. Mais enxuto, ele conta que emagreceu seis quilos com a dieta da proteína: “Eu estava muito gordinho e com problemas na lombar, daí o médico disse que, se eu não perdesse a barriga, a dor não ia passar. Perdi gordura mesmo, estava com um barrigão indecente, do tipo mete ou beija.” Dono da F.U.I. (Funerária Unidos do Irajá) na TV, o autor não teme a morte: “Não perco tempo com besteira. Tem muita coisa que eu quero fazer.”

Aposentadoria, só das novelas: “Não tenho tempo. Novela é uma prisão, um massacre do intelecto. Não quero, não me interessa. Tem que entregar os capítulos às pressas, senão atrasa, todo mundo fica te ligando enchendo o saco e eu fico nervoso. Meus colegas dizem: ‘Que texto ruim pra c...’ Eu tenho esse canal direto com todos, e ninguém liga para um autor para falar que está uma merda, mas para mim eles falam.”

Apesar de não gostar da fórmula, Falabella está por dentro das polêmicas e aprovou o beijo gay entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em ‘Amor à Vida’: “Já foi tarde. Tem uma hora que o mundo avança, não adianta ficar na Idade Média. Os intolerantes não gostam de ser intolerantes.”

Tanta intimidade com seus colegas permitiu a Miguel contar que Marília Pêra, a hilária alcoólatra Darlene, está fora da terceira temporada do seriado para cuidar de um problema no quadril. “Possivelmente, ela terá que colocar uma prótese. A saída da Marília foi um golpe muito violento em termos de dramaturgia, porque ela é, sem dúvida, a maior atriz desse país, e faz a Darlene com extrema propriedade. Essa temporada terá grandes acontecimentos e uma linda homenagem, com os melhores momentos de Darlene”, adianta o autor.

Diogo Vilela está entre as novidades. “O Dr. Zoltan é psiquiatra, clínico geral, cirurgião plástico e cosmetólogo (da área de cosméticos). Ele é o Brasil, onde qualquer um pode, uma grande sacanagem na caótica saúde brasileira. É daquele tipo que vai acabar no ‘Fantástico’, com um pano na cabeça, porque matou uma mulher numa lipoaspiração malfeita”, alfineta.

Separado de Abigail (Lorena Comparato), o personagem de Miguel, Ruço, volta pegador, só que com a ajuda de uns estimulantes: “Ele está pegando geral e tomando pílulas de ervas que o Juscelino (Alexandre Zacchia) anda dando. Diz que é reposição.”

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