Por daniela.lima

Rio - Ângela Vieira não deixa dúvidas de que ela entende o sofrimento da sua personagem, Branca, de ‘Em Família’, que não se conforma por ter sido abandonada pelo marido, Ricardo (Herson Capri). Mas a compaixão da atriz para por aí. “Ela ama verdadeiramente aquele homem, mas é uma louca. Branca é arrogante, mimada, prepotente e não sabe lidar com a perda do amor da sua vida. Ela é uma mulher ferida”, define.

Ângela Vieira revela que já sofreu por não ser correspondida no amor%2C assim como a sua personagem na novela 'Em Família'João Laet / Agência O Dia


No passado, quando tinha 20 e poucos anos, Ângela passou por uma experiência parecida com a da ficção, mas encarou o fim do relacionamento de frente e deu a volta por cima sem atormentar o ex. “Eu tive um namorado que terminou comigo de repente e eu ainda era apaixonada por ele. Sofri muito e fiquei me perguntando: ‘Por que eu não sou a rainha da cocada preta para ele? Por que ele não me quer mais?’ Essa situação é muito ruim, mas procurei entender o que estava acontecendo. Ainda bem que fui rejeitada uma única vez”, conta. Descontrolada 24 horas por dia, Branca parece ser um caso sem solução. “Ela é apaixonada por esse homem de uma maneira negativa. Amor deve ser um sentimento prazeroso, feliz, leve.” E de amor saudável a atriz entende.

Casada há 12 anos com o cartunista Miguel Paiva, Ângela vive uma união feliz. “Casamento deve ser baseado em respeito, admiração e tesão. Essas três coisas fazem com que você tenha uma boa parceria. Tenho muito tesão por ele e muita admiração pelo profissional que ele é. Quero ficar com o Miguel pelo resto da vida”, torce. Não à toa, ela discorda de quem diz que o sexo esfria depois de alguns anos de parceria. “O tesão não vai embora, não. Pelo amor de Deus! Se o tesão for embora, o que eu vou fazer? Não, aí teria que tomar um remédio que chamasse o tesão de volta. Sexo é uma das coisas mais legais da vida. É prazeroso, lúdico e faz bem. Mas, se você para de transar, de praticar, você vai se acostumar com isso. Eu não gostaria de perder o tesão, não”, afirma.

Nem a entrada na menopausa, que aconteceu precocemente, aos 45 nos, abalou a vida sexual da atriz. “A libido não mudou em nada. Se você faz um tratamento médico, não tem esse problema. Na verdade, a chegada da menopausa foi uma maravilha porque eu parei de ter TPM (Tensão Pré-Menstrual). Só senti os tais calores por uma semana. Não tive ressecamento de cabelo, de pele, genital, nem insônia”, conta.

Linda e saudável aos 62 anos, Ângela admite que sentir os efeitos do tempo não é nenhuma maravilha, mas ela não é do tipo de pessoa que compra uma briga perdida. “Eu preferiria que o envelhecimento não acontecesse, mas é inevitável. A vida vai se transformando e você precisa ir junto dela”, constata. E, se há perdas nessa história, quais são elas? “O conjunto da obra. Fisicamente, todas as perdas acontecem. Mas se você envelhece saudavelmente, sem nenhuma doença que te tire da ativa, é melhor. Por enquanto, eu faço de tudo. Mas não com a mesma intensidade de antes. Hoje, se eu sair e for dormir de madrugada, não conta comigo no dia seguinte, a não ser para trabalhar. Fico péssima. A minha musculatura também reclama se eu corro um pouco a mais. A gente vai se acostumando com essas mudanças, mas se não existisse espelho seria melhor ainda. O espelho é que estraga”, brinca.

Atriz em cena da novela 'Em Família'%2C como a vilã BrancaDivulgação


Encarar a própria imagem de frente deveria ser motivo de orgulho para a intérprete da descontrolada Branca, que esbanja beleza na maturidade. A boa forma é resultado de alguns fatores. “Não existe milagre. Sempre cuidei da saúde porque fui bailarina profissional. A vida inteira eu comi bem. Durmo bem, não fumo há anos, não bebo diariamente. Não sou escrava de nada, mas me cuido. Como arroz, feijão, só não como glúten e lactose há anos, desde antes de ter essa moda.” Atividade física também faz parte do seu dia a dia. “Adoro correr, faço exercícios funcionais e, quando posso, vou à hidroginástica.” E, como não é mulher de esconder o jogo, ela admite que já se submeteu a cirurgias plásticas. “Com 45 anos, fiz um minilifting e, uns sete anos depois, dei um retoque nos olhos. Mas eu não fiz para parecer mais jovem, e sim para suavizar a expressão e tirar aquelas bolsas que ficam em torno dos olhos. A plástica não pode ser para te tirar dos 60 e fazer você aparentar 40. Isso não existe. Uma hora você vai envelhecer.”

O fato é que, para essa sexagenária, esse momento ainda não chegou. Descolada, Ângela só demonstrou timidez em sua conversa com a ‘Já é! Domingo’ quando foi questionada se é muito paquerada. “Não me lembro (risos). Não recebo cantadas, só elogios. Mas nunca ninguém foi grosseiro ou deselegante comigo.”
Sucesso na TV, bem casada e em paz consigo mesma, Ângela Vieira não tem do que se queixar, mas ainda quer muito mais da vida. “Não me sinto realizada. Quero ver a minha filha (Nina, de 30 anos) ter filhos, quero ver meus netos crescerem, ainda quero fazer muitos papéis na TV e no teatro. A minha vida não é perfeita, tenho problemas, como todo mundo, mas sou feliz.”

DIREITO À LIBERDADE SEXUAL

Ângela Vieira não tem nenhum tabu em falar sobre temas polêmicos, como sexo sem amor ou casual. Muito pelo contrário: a atriz é a favor de que as mulheres também tenham direito ao prazer. “Antigamente, só os homens iam para a cama sem amor. Hoje, as mulheres também fazem isso.

Por uma série de razões, inclusive a dificuldade de encontrar um parceiro. Se sexo é bom, por que não ter prazer sem necessariamente estar numa relação de amor? Infelizmente, tudo para a mulher é mais difícil. Homem pode ser grisalho, careca, barrigudo, que está tudo certo. Mas a mulher não pode ter um pneuzinho que já criticam”, diz.

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