Por daniela.lima

Rio - Conhecido como Rei do Rio, por ter sido campeão com os quatro grandes times cariocas, Joel Santana vai logo avisando: “Não gosto que me chamem de técnico, mas de estrategista. Técnico todo mundo é.” Fora dos gramados, ele deixa claro que curte o sucesso como estrela da propaganda, falando seu inglês estilo ‘embromation’. Após atuar em comerciais de xampu, refrigerante e celular, Papai Joel — como é chamado no meio do futebol — já negocia com duas empresas para novas campanhas e está no ar como comentarista esportivo do SBT, onde vai analisar os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

Joel Santana vai analisar os jogos do Brasil na Copa pelo SBT%2C diz que se diverte com os comerciais e garante que não pensa em aposentadoriaCarlos Moraes / Agência O Dia


“Estou achando legal à beça ser comentarista. Estou falando da minha praia. Tenho 30 anos de profissão, fora o que passei na faculdade (de Educação Física). Mole não é, porque você tem que fazer as pessoas entenderem o que está dizendo. Mas, quando você faz a coisa com naturalidade e com sentimento, o povo vê que é de verdade e gosta”, diz.

Linguagem popular é com ele mesmo. Fluente no futebolês, Joel grava seus comentários para o telejornal ‘SBT Brasil’, transmitido em rede. Mas a participação do treinador não é diária. Durante a Copa, ele vai comentar o desempenho da Seleção no dia seguinte às partidas. “Não procuro inventar nada. Falo o que o povo quer ouvir. Como passei por grandes clubes do país (Corinthians, Internacional, Cruzeiro, Bahia e Vitória, entre outros), tenho facilidade para falar para todo o Brasil, porque o povo me entende. Ainda mais depois dos comerciais, que são sucesso absoluto”, tira onda.

Joel não está de “brinquêichom”. Aos 65 anos, o carioca de Olaria é um fenômeno da propaganda. Os cinco comerciais hilariantes que estrelou para uma marca de xampu anticaspa ultrapassaram a marca dos 55 milhões de visualizações no YouTube — entre eles, um vídeo em que aparece cantando um rap no banheiro e o seu próprio ‘Tálqui Show’, em que entrevista Pelé. Como diria Joel, “véri gude, véri gude”.
“Eu me divirto muito. Estou gostando de fazer os comerciais, porque sou menos cobrado e agredido. No futebol, às vezes, as pessoas falam coisas que agridem, isso não admito. Tenho família, pessoas que sofrem com essa situação. Mas agora é só festa”, comemora.

E pensar que tudo começou por causa de sua dificuldade crônica de falar inglês. A pronúncia macarrônica do idioma virou piada na época em que ainda treinava a seleção da África do Sul, entre 2008 e 2009. Daí para o primeiro comercial de uma marca de refrigerante foi um pulo. “Pode to be?”

“Eu nem sabia o que estava acontecendo. Aquilo me pegou de saia justa. Na África do Sul, eu tinha uma intérprete que falava um inglês tão ruim ou pior do que o meu. Era difícil ela se comunicar com a imprensa local, porque não entendia nada de futebol”, explica.

Como não perde uma “oportúniti”, Joel já tem propostas de outras duas empresas na manga. “Agora que pegou, não quero parar”, afirma ele, incentivado pelo diretor de um dos seus comerciais. “Ele me falou para eu ir fundo, que eu estava gravando com mais facilidade do que muitos artistas. E eu nunca fiz curso de ator!”, gaba-se.

“Uêite, uêite, uêite”, professor, mas e o futebol? Joel garante que ainda não pensa em pendurar sua famosa prancheta: “Não parei ainda. No Brasil, quando o técnico fica experiente, dizem logo que está ultrapassado. Não é assim. Posso até me aposentar daqui a um ano, mas não gosto de botar a carroça na frente dos bois.”

Voltando à Copa, ele aposta todas as fichas no Brasil. “É o favorito. Primeiro, porque vai jogar em casa. Segundo, porque vai ter apoio da torcida. Gostei muito da convocação do Felipão. Para mim, está ótimo. Ninguém agrada a todo mundo”, ensina o Rei do Rio, que não quer perder a coroa: “Renato Gaúcho e Romário são príncipes. Só alguém que conquistar mais títulos do que eu no Rio vai poder tomar meu lugar.”

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