Atores de ‘Malhação’ contam como é encarar a mesma profissão dos pais

Confira entrevista com Antônio Carlos, Rafael Vitti, Felipe Simas e Cadu Libonati

Por O Dia

Rio - No dia seguinte à final da Copa, 14 de julho, estreia ‘Malhação Sonhos’, a nova temporada da novela teen da Globo, com um time que carrega a arte no DNA. Formado por Antônio Carlos, Rafael Vitti, Felipe Simas e Cadu Libonati, o quarteto não nega que filho de peixe peixinho é. Mas defende-se com relação ao tal do ‘QI’ (quem indica). Para conquistar as vagas, eles asseguram: não rolou peixada.

Antônio Carlos%2C Rafael Vitti%2C Felipe Simas e Cadu Libonati no lançamento da nova temporada de ‘Malhação’%2C no ar dia 14 de julhoDivulgação


Herdeiro de um dos maiores humoristas do país, o eterno trapalhão Mussum, Antônio Carlos é o ‘veterano’ dessa trupe. Estreou aos 12 anos na novela ‘América’ (2005) e hoje, aos 20, decidiu não usar mais o apelido em homenagem ao pai. “Não dava mais para um negão desse tamanho ser chamado de Mussunzinho”, constata.

Seu personagem, Wallace, fará parte do núcleo cômico da história e ele sabe que as comparações serão inevitáveis. “Estamos falando de uma lenda. Alguém que, mesmo depois de 20 anos de morto, ainda é lembrado. Tive medo. O Wallace é engraçado e muita gente acha que os filhos têm que ser iguais ou melhores do que os pais. Só que melhor do que meu pai vai ser difícil”, desabafa ele, que, para fazer um lutador de muay thai, tem treinado pesado. A luta transformou o franzino menino em um homem sarado, de músculos aparentes. Antônio Carlos também furou a orelha e inspirou-se no lutador José Aldo.

Felipe Simas, 21 anos, não resistiu a tanta influência: do pai, o ator e capoeirista Beto Simas, e dos irmãos, Bruno Gissoni e Rodrigo Simas. Para investir na carreira artística, o caçula abriu mão do futebol e fez mais de dez testes na casa, sendo três para ‘Malhação’, e só agora foi aprovado. “Estou ciente da minha escolha. Não tem arrependimento. A família carrega um nome e agora está chegando a minha hora. Estou feliz e honrado de estrear no programa por onde todos eles já passaram. Mas só estou aqui por causa do meu filho, Joaquim (de 2 meses). Ele me trouxe sorte”, atribui.

Basta olhar para Rafael Vitti, 18 anos, para saber a quem puxou. É impressionante a semelhança do filho com o pai, João Vitti. A mãe dele, Valéria Alencar, também é atriz, da Record como o marido. Mas Rafael não se intimida em exercer a mesma profissão dos pais. “Sempre tive uma queda por arte, mas dizia que não ia seguir essa carreira. Só que com 15 anos comecei a fazer Tablado (centro de formação de atores) e tive uma boa experiência no palco. Acabei me apaixonando. Lógico que é difícil e eu pude perceber isso através dos meus pais, mas a gente tem que fazer o que gosta e acredita. Existe uma cobrança, sim, mas eu sou desapegado. Se eu não tivesse capacidade para fazer, eles (diretores) não arriscariam”, frisa Rafael.

Neto de Irene Ravache, Cadu Libonati, 20 anos, que também é sobrinho de Fernando Libonati, sócio de Marco Nanini — a quem chama de tio —, estudou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), fez balé clássico e dança contemporânea. “Para melhorar minha performance, porque, para mim, ator de verdade faz dança e dançarino faz teatro. Eu cresci na coxia. Essa cobrança do nome vem mais do público. Ela é minha avó, minha mentora, é a Irene Ravache, que eu tanto admiro. Ela e o Nanini me dão muitos conselhos, mas eu não estaria aqui por indicação deles, nem eles fariam isso. Não renego minhas origens, se quiserem me chamar de neto da Irene Ravache, tudo bem. Estou aqui para fazer meu trabalho”, diz Cadu.

Para dançar, o personagem dele, Jeff, terá que driblar o preconceito. Na vida real, o ator sentiu isso na pele: “Nasci nessa família, então é muito estranho alguém chegar para mim e falar: ‘Você é gay porque faz balé.’ Eu não sou gay e não tenho nada contra quem é e dança. Para mim, são duas coisas diferentes.

O homem não pode ser sensível, não pode chorar? Muita gente ainda acha que ele foi feito para lutar, bater, matar... Nunca tive problema com isso, meu pai queria comprar até sapatilhas quando descobriu que eu fazia balé , e meu filme favorito é ‘Billy Elliot’. As pessoas vinham me zoar, mas eu não ligava. Arte não tem gênero nem religião.”

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