Por daniela.lima

Rio - São 23h30 de segunda-feira. Num estúdio da Globo no Jardim Botânico, o apresentador Tiago Leifert se prepara para comandar mais uma edição ao vivo da ‘Central da Copa’, ao lado do parceiro Alex Escobar, do comentarista Caio Ribeiro e do humorista Marcius Melhem. Faltando cerca de uma hora para o programa ir ao ar, na Globo, o esquenta dessa turma fica por conta de uma plateia animada, composta por 46 pessoas vestidas com as cores do Brasil na arquibancada.

‘Não quero silêncio antes de entrar no ar%2C não pode ser assim. A nossa ideia é barulho’%2C diz Tiago LeifertAlexandre Brum / Agência O Dia


“A gente tenta deixá-las o mais à vontade possível. Não quero silêncio antes de entrar no ar, não pode ser assim. A nossa ideia é barulho”, diz Tiago ao DIA, que acompanhou o último programa. “Quando a ‘Central’ começou em 2010, não era assim. Eu chegava muito em cima da hora, era mais atrapalhado. Agora, como estamos entrando mais tarde, dá tempo para chegar cedo e curtir, peço para botar música. Gosto de conhecer as pessoas e conversar um pouquinho. Aí fica esse clima mais solto, dá uma relaxada”.

Nos dias de jogo do Brasil, a equipe chega meia hora antes da partida. E todos assistem juntos, para ter ideias para o programa. No estúdio, uma reunião entre os apresentadores e o diretor Afonso Garschagen acerta os últimos detalhes. Antes de entrar no ar, Tiago garante que não faz nada especial, nem tem superstições: “Não dá tempo. Só estudo muito o roteiro. Tenho que decorar tudo o que vai ter no programa, prever situações, o que pode dar errado”.

É quase meia-noite quando chega um convidado ilustre, Zico. A presença do eterno ídolo do Flamengo no estúdio mexe com a equipe e a plateia, que logo cercam o ex-craque para tirar fotos. Tudo devidamente registrado pelas lentes do ‘Vídeo Show’, com o repórter Otaviano Costa à frente. “É legal ter um cara como Zico no programa. Vamos usar e abusar dele”, avisa Escobar.

Quando entra no ar, à meia-noite e meia, Tiago mostra o estilo informal e descontraído que o público se acostumou a ver na ‘Central da Copa’, desde a estreia do formato em 2010, na Copa da África do Sul. Ele não lê nada no teleprompter (tela da câmera onde aparece o texto), embora siga um roteiro.

"Falo de improviso. A gente tem os tópicos do programa, mas isso é muito rápido de mudar”, explica.
A dupla com Escobar está tão afinada que já se entende pelo olhar. A dobradinha começou no ano passado, durante a Copa das Confederações no Brasil. “Acho que, para uma dupla funcionar, tem que haver generosidade, e Escobar é um cara muito generoso. Um tem que torcer pelo outro. A luta dele é a minha luta, de fazer um esporte mais divertido, para mais gente, e não só para quem gosta de futebol”, destaca Tiago.

Escobar, que também narra os jogos da Copa, devolve a bola: “Ele me dá muita força. Trabalhar em dupla precisa desse entendimento. Tiago já estava no programa e me acolheu. Quando acabo de narrar um jogo, ele sempre manda uma mensagem, uma palavra legal”.

Apesar de ser um dos maiores incentivadores do parceiro, Tiago não sabe se aceitaria o desafio de narrar futebol, mas deixa em aberto. “Nunca conversamos sobre isso na Globo. Não sei se me arriscaria. Mas, no Carnaval, participei da cobertura do desfile e adorei. No ‘The Voice Brasil’, me arrisquei como apresentador e foi superlegal. O que me mandarem fazer, eu faço”, diz ele, que é narrador oficial do videogame Fifa Soccer, com comentários do Caio.

Após 45 minutos, a ‘Central da Copa’ termina. A audiência é recorde do ano: 10 pontos, com 37% de participação. Para o diretor Afonso Garschagen, a sensação é de dever cumprido. “Um programa ao vivo está sujeito a falhas. Quando acaba e eu tenho a certeza de que foi limpo, para o que considero ideal, sinto um misto de alívio e satisfação”, afirma ele. No sábado, tem Chile x Brasil, e começa tudo de novo.

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