Por daniela.lima

Rio - ‘Que diferença faz uma pessoa a menos no mundo?” Essa frase poderia ter saído tranquilamente da boca de Dexter, o serial killer da série homônima americana que virou fenômeno mundial. Mas o tal questionamento é feito por Edu (Bruno Gagliasso), o protagonista de ‘Dupla Identidade’, seriado de Glória Perez, que estreia amanhã com a missão de mostrar que a TV brasileira também é capaz de prender o público em frente à telinha para acompanhar uma série de suspense com assinatura 100% nacional. “A grande jogada dessa série é trazer esse gênero para a TV aberta. Mas a única coisa que o Dexter tem em comum com o Edu é o fato de ser um serial killer”, diz a autora. 

Bruno Gagliasso será um serial killer em ‘Dupla Identidade’Divulgação


Os assassinatos em série são o fio condutor de ‘Dupla Identidade’, mas que ninguém pense que vai ficar difícil ir para a cama dormir depois de assisti-la nas noites de sexta-feira. “Apesar do tema, a série não é sombria, é uma história contada com leveza, rapidez. É um thriller, é para se divertir tanto quanto a gente se diverte com as séries americanas, só que agora em português”, afirma Glória Perez. ‘Dupla Identidade’, que terá 13 episódios, também não tenta entender o que faz alguém virar um serial killer. “Não há uma explicação para uma pessoa que se vicia em matar. Não entendo nada que possa justificar isso. Não estamos procurando essa resposta”, adianta a autora.

O que Glória precisava era encontrar um ator capaz de usar tanto a máscara da ausência de sentimentos — característica comum nesse tipo de criminoso — como a de um manipulador acima de qualquer suspeita. O primeiro nome em que a autora pensou foi o de Bruno Gagliasso, mas ela chegou a mudar de ideia por achar que o ator, de 32 anos, era jovem demais para o personagem. A definição só aconteceu através de testes. “Fui o último a fazer o teste e deu certo. Esse personagem era meu!”, vibra Bruno.

Viciado em séries, o ator encarou com prazer o desafio de interpretar um serial killer. “Não consigo pensar em outra coisa, só penso nisso. Minha mulher está apavorada, porque no meu quarto tem foto de gente morta e serial killer espalhada por todo lado (risos). Eu não tive medo de mergulhar no universo desse personagem. Existem pessoas ruins, isso é real. Mas, de tanto estudo, de tanta preparação, já vejo isso com uma certa naturalidade”, conta Bruno, que leu livros, assistiu a filmes, séries e palestras sobre o tema.

E que ninguém se engane quando as cenas de romance entre Edu e Ray (Débora Falabella) forem ao ar. O serial killer é mesmo incapaz de amar. “O Edu se envolve com a Ray, mas se envolver não quer dizer dizer amar, gostar. Ele usa a Ray de várias formas, inclusive como álibi”, adianta Gagliasso. Já Ray ficará completamente apaixonada pelo assassino, que, aos olhos dela, será um príncipe encantado. “A Ray tem personalidade borderline, que é quando se vive no limite da emoção. Mas, na verdade, ela é uma mulher comum, muito apaixonada, muito ciumenta, que tem suas depressões. O Edu é a falta de emoção e a minha personagem é o contrário, é muito emocional. A Ray acaba sendo o grande álibi dele”, conta Débora Falabella. 

Glória Perez no lançamento da minissérieAgNews


O advogado e estudante de psicologia que tem o indefensável hábito de matar vai mesmo precisar de um álibi convincente para tentar escapar da polícia. A missão de desvendar essa série de crimes ficará nas mãos do delegado Dias (Marcello Novaes) e da psicóloga forense Vera (Luana Piovani).

“Ela começa a traçar um perfil do suspeito, porque até então nem suspeito tem. O Edu deixa rastros, não existe crime perfeito”, acredita Luana. Durante a pesquisa para esse trabalho, que incluiu visitas a Divisão de Homicídio do Rio de Janeiro e ao Instituto de Criminalística de São Paulo, Luana se aproximou do lado obscuro da vida. “Fiquei impressionada com a crueldade humana. É triste e sem explicação. Esse trabalho mexeu intimamente comigo. Me deu um profundo desespero de lidar com informações reais”, confidencia.

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