Humorista Nizo Neto se reinventa após crise dos 50 anos

Ator está confirmado no elenco do novo humorístico da Globo, vai lançar um livro e emplaca três filmes em 2015, realizando o sonho de trabalhar com Hector Babenco

Por O Dia

Rio - Nizo Neto começa a conversa falando de sua reinvenção depois de um abalo existencial. E sublinha os números: o pai, Chico Anysio, humorista, morreu há três anos e ele acaba de sair da crise dos 50, completados em abril do ano passado. 

Nizo Neto ao lado do pai%2C Chico Anysio%2C com quem trabalhou na ‘Escolhinha do Professor Raimundo’Divulgação


“Foram os meus 50 anos e os da Ditadura. E, este ano, os 50 da Globo. Odiei fazer 50, entrei em crise. Saí porque não tinha outro jeito. É rápida demais a vida. Participei da ‘Escolinha’ há 25 anos!”, calcula ele, lembrando que já plantou uma árvore, tem filhos e já até alinhavou e engavetou um projeto de um livro sobre a história do humor no Brasil.

De novembro para cá, o ator emplacou o contrato em três longas, planeja voltar aos palcos com a palestra-comédia ‘Vem Transar com a Gente’, que ficou em cartaz em 2013 por oito meses, e prepara o lançamento do livro homônimo pela Editora Rocco e a realização de um sonho: ser dirigido pelo ídolo Hector Babenco. “Assisti a ‘Pixote’ três vezes no cinema”, recorda ele, pai do músico Rian, 24 anos, Isabela, 9, e Sofia, 3, as duas com a psicóloga e terapeuta sexual Tatiana Presser, com quem está casado há 12 anos.

Antes de voltar à telinha, Nizo terá reforçado seu portfólio na tela grande. Já filmou ‘O Prefeito’, de Bruno Safadi, um longa independente, rodado em três dias, que deve fazer sua estreia mundial em junho, no Festival de Locarno. “É um filme louco, meio cabeça, tem toque de comédia”, define ele, que vive um prefeito ególatra, envolvido com drogas, ao lado de Djin Sganzerla. “Mas não é uma comédia que vai pegar um milhão de espectadores, não é um filme ‘hassumniano’”, diz ele, em referência ao colega Leandro Hassum.

Ainda este mês, ele filma, no Rio, ‘Menina Índigo’, do diretor Wagner de Assis, o mesmo do longa espírita ‘Nosso Lar’. Segundo o ator, é a história de crianças superdotadas, em que ele interpreta um médico. Mas o trabalho mais esperado será com o ídolo Hector Babenco em ‘Meu Amigo Hindu’. “Quando soube, liguei para a minha agente para conseguir algo no filme. Ela disse que teria de fazer testes, topei na hora”, recorda ele, que passou por três testes até ser aprovado para o elenco, que inclui ainda os atores Willem Dafoe e Bárbara Paz. Selton Mello está cotado para integrar a trama com tintas autobiográficas sobre o período em que o autor de ‘O Beijo da Mulher Aranha’ sofreu com um câncer e com o relacionamento conturbado com o irmão.

Nizo vai interpretar o apresentador Silvio Santos. “Na cena do teste, o Babenco está no hospital vendo a ‘Casa dos Artistas’, em que a Bárbara Paz ganhou. Foi a primeira vez que ele viu a Barbara”, revela Nizo, que começa a filmar em fevereiro.

Mas, ainda este mês, ele grava o novo formato do ‘Zorra Total’, que voltará repaginado em abril, na nova programação da Globo. “Estava no antigo ‘Zorra’ desde 2008. Agora não terá personagem fixo, nem claque, nem bordão, terá um estilo ‘Tá no Ar’ e ‘Porta dos Fundos’”, define ele, antes de lembrar que, se vivo fosse, seu pai não aprovaria a nova fórmula do humorístico que consagrou há décadas. “É o fim do dito humor popular, com aqueles esquetes que você já sabe como vão acabar. Haverá uma adaptação, vai migrar um público que não via e vai ter uma turma que vai deixar de ver. Acho importante a renovação, é saudável.”

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