'Beijo gay não pode ser tratado como um evento', dispara Ricardo Linhares

O DIA conversou com um dos autores de 'Babilônia' sobre a repercussão da trama já no capítulo de estreia

Por O Dia

Trama é escrita por Gilberto Braga (ao centro)%2C Ricardo Linhares (à dir.) e João Ximenes Braga (à esq.)Divulgação

Rio - Em entrevista ao DIA, Ricardo Linhares, um dos autores de 'Babilônia' junto com Gilberto Braga e João Ximenes Braga, comentou a repercussão da estreia da nova novela das nove, que mostrou logo no primeiro capítulo um beijo gay entre o casal Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro). Ele adiantou que haverá outros beijos, selinhos e demonstrações de afeto entre as duas, mas avisa que as personagens não terão cenas na cama. "Temos liberdade para criar essas cenas (de beijo). E também temos bom senso!", diz.

Linhares falou ainda sobre a insaciável Beatriz (Gloria Pires), que transou com um carpinteiro, o motorista Cristóvão (Val Perré) e o ricaço Evandro (Cássio Gabus Mendes) no primeiro capítulo. E ainda matou o amante motorista por achar que ele estava de conchavo com a rival Inês (Adriana Esteves), fazendo chantagem. "Beatriz não é assassina nem viúva negra. Ela matou por pressão", disse.

O DIA - Todo mundo sempre espera e especula sobre beijo gay em novela. Por que vocês decidiram mostrar logo no primeiro capitulo?

RICARDO LINHARES - A decisão de exibir o beijo gay no primeiro capítulo foi justamente para acabar com a especulação. Não faço distinção entre beijo gay ou hétero. É natural numa relação. Não pode ser tratado como um evento. Seria como especular se Beatriz vai beijar o marceneiro que ela pega na obra. Para mim, não há diferença entre o beijo de Teresa e Estela e o beijo de Beatriz e Evandro. Mostrando logo o beijo gay, resolvo a expectativa de parte do público e posso aprofundar o relacionamento do casal. O próximo passo será elas decidirem se casar oficialmente, após 35 anos de vida em comum.

Vocês ainda vão escrever outras cenas de beijo? Há liberdade para criar essas cenas?

Haverá outros beijos, selinhos e demonstrações de afeto naturais num casal. Temos liberdade para criar essas cenas. E também temos bom senso! O objetivo não é chocar, o que poderia causar repúdio. Eu busco a aceitação. Tenho consciência do amplo público que assiste à novela, de diversas faixas etárias, diferentes níveis de instrução e socioeconômico. Não se deve impor nada ao espectador, e sim propor a discussão sadia de temas relevantes para a sociedade, como o combate à intolerância, ao preconceito e à discriminação.

O beijo gay foi ao ar no primeiro capítulo graças ao apoio do Schroder (Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da Globo) e do Sílvio de Abreu (responsável pelo departamento de dramaturgia), dois homens progressistas e que entenderam que a sociedade brasileira está preparada para assistir a essas demonstrações de afeto.

E cenas de amor entre as duas, vai ter? Ou há alguma restrição?

Não haverá cenas de cama. A classificação indicativa regula o horário para esse tipo de situação. Não teremos cenas tórridas nem entre casais heterossexuais. Até as pegações de Beatriz são mais insinuadas do que explicitadas, sempre tratadas com bom gosto pela direção.

Apesar de já ter sido mostrado em outras duas novelas, o beijo gay ainda é assunto delicado. Como vê a reação do público? E como isso é discutido entre vocês (autores) e direção?

Até onde eu sei, a família brasileira não foi destruída após a exibição do beijo. Os pais que são responsáveis e conscientes devem ter aproveitado a oportunidade para terem boas conversas com os filhos, explicando a eles os fatos da vida e mostrando a importância de tratar com naturalidade as diversas condições sexuais. A repercussão que chega até a mim é totalmente positiva, em e-mails, redes sociais e em conversas informais.

Logo no primeiro capítulo, Beatriz levou dois homens pra cama, seduziu o ricaço e matou um. A personagem vai manter essa "pegada" nos próximos capítulos?

Beatriz não é assassina nem viúva negra. Ela matou por pressão, num impulso, achando que Inês e Cristóvão eram cúmplices na chantagem. Beatriz não é uma mulher fria e racional. Tem sentimentos, emoção, remorsos. Ela vai se sentir culpada ao entender que matou um homem à toa. Quanto à pegação, ela vai continuar caçando homens, pois é viciada em sexo. Além do marido Evandro (Cássio Gabus Mendes) e do novo amante, Pedro (André Bankoff), ela vai continuar fazendo sexo casual. Essa situação só vai mudar quando ela se envolver com Diogo (Thiago Martins), sem saber inicialmente que ele é filho do homem que ela matou.

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