Por bianca.lobianco
Camila Márdila faz a filha de Regina Casé em ‘Que Horas Ela Volta%3F’Divulgação

Rio - Há poucas semanas da indicação completa de cada país dos seus candidatos aos Oscar de 2016, o cinema brasileiro vive em estado de apreensão. Doce apreensão, diga-se. ‘Que Horas Ela Volta?’, de Anna Muylaert, é o filme oficialmente já indicado pelo Brasil a disputar uma das vagas para Melhor Filme Estrangeiro.

Este mês, ‘Que Horas Ela Volta?’ estreou nos Estados Unidos com o título ‘The Second Mother’. A boa recepção internacional ganhou força no início do ano, quando o filme recebeu prêmios nos Festivais de Sundance e Berlim. E se confirmou nas estreias europeias. Nos Estados Unidos, a boa acolhida do público e o infalível boca a boca só aumentam a expectativa de que o filme conste da lista dos cinco escolhidos ao prêmio.

O site ‘Indiewire’, dedicado à cobertura do cinema independente e alternativo, listou esta semana entre seus favoritos ‘Que Horas Ela Volta?’ em segundo lugar no ranking de apostas. O filme de Muylaert aparece atrás apenas do húngaro ‘The Son of Saul’, de Lazlo Nemes, que chega também com seus louros: os Grandes Prêmios do Júri e da Crítica do Festival de Cannes. É bom que se diga que, por enquanto, é tudo especulação.

São filmes completamente diferentes entre si. O húngaro se passa em campo de concentração e narra a saga do judeu Saul, pertencente a um grupo obrigado a colaborar com as ações de extermínio nazista. Ele tenta burlar as regras ultrajantes para enterrar o jovem que acredita ser seu filho. É um filme que se destaca pela narrativa claustrofóbica, focada exclusivamente no olhar de Saul e de sua luta por dignidade no mais indigno dos ambientes.

‘Que Horas Ela Volta?’, por sua vez, é um filme solar, que afina sua crítica social pelo diapasão do humor inteligente, cuja maior expressão é a cativante interpretação naturalista de Regina Casé. A trajetória rumo ao Oscar, portanto, não é fácil e deve ser encarada como positiva mas não decisiva e muito menos frustrante, caso não se confirme. Afinal, como declarou a diretora: “Não há Oscar que pague sentir que seu filme muda a vida das pessoas”. E o drama da doméstica Val já está mudando. No Brasil e no mundo.

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