Rio - Quem vê Monique Alfradique, linda, loura, sorridente e fazendo um papel de destaque em "A Regra do Jogo", imagina que ela esteja imune à crise financeira que afetou em cheio a sua personagem, Tina, que se viu obrigada a deixar um apartamento confortável em Botafogo para se mudar com o marido, Rui (Bruno Mazzeo), para o Morro da Macaca por pura falta de dinheiro para bancar as despesas com condomínio, IPTU, IPVA e afins. Não é bem assim. Embora esteja num lugar privilegiado, o que mais difere as duas é a forma como as adversidades da vida são encaradas.
Enquanto a atriz, de 29 anos, faz do limão uma limonada, a estilista da novela das 21h deixa o caldo azedar. “Sei bem o que são os altos e baixos da vida. Na minha profissão, a gente vive isso o tempo inteiro. Agora, estou contratada, mas não sei do meu futuro. É uma luta diária. Nada chegou para mim de bandeja e em nenhum momento cheguei no topo, estou sempre subindo degraus. Se eu estivesse na situação da Tina, ia ser vendedora de loja, coisa que ela não quis. A Tina é intransigente e tem necessidade de manter a aparência”, avalia.
Já Monique vê a vida com outros olhos. “Tenho os pés no chão. Nunca me deslumbrei, sempre soube o valor do dinheiro. Estou empregada, mas estou atenta a essa crise do país. Não deixo luz ligada em casa à toa e só compro no mercado o que vou consumir. Tenho essa coisa de fazer contenção de despesas, o que é uma dificuldade para a Tina. Não sou consumista, tenho consciência do que ganho, do que gasto e não faço grandes extravagâncias. Não tenho dívidas, não vivo com a corda no pescoço”, comenta.
Salto alto pode até combinar com a atriz, mas só se for para dar um ar menos informal ao visual. No sentido figurado, passa longe. “Se fosse preciso, eu moraria em uma comunidade, não abriria mão do meu casamento e, assim como a Tina, acompanharia o meu marido. Quando o casal passa por uma dificuldade junto, o relacionamento até se fortalece. Acredito naquela história do casal ficar junto ‘na alegria e na tristeza, na saúde e na doença’”, diz.
Mas, definitivamente, esse não é o caso de Tina e Rui. Com o casamento estremecido, a estilista vai pular a cerca. “Ela fica carente, passa a viver uma solidão a dois e tudo isso abre uma brecha para o Oziel (Fábio Lago) entrar. Conforme o tempo vai passando, a Tina muda muito. Além de ter um caso com o Oziel, ainda vai trabalhar na casa dele como babá dos filhos dele”, adianta.
Torcer o nariz para baile funk também vai ser coisa do passado para Tina. “Ela aprende a gostar do batidão, que é um som que mexe com a gente, que tem uma vibração. Quando o funk está tocando, tem sempre um pé que balança, uma mão que bate, por mais que você não dance. Aliás, dançar funk é muito difícil. Tive aula para aprender a fazer o quadradinho de quatro, mas não aprendi (risos). Valorizo todas as funkeiras que fazem o quadradinho. É um dom, a pessoa nasce com esse talento. E esse talento eu não tenho. Só fui a um baile funk na adolescência. Hoje, não curto ir. Já sou uma jovem senhora”, exagera.
Falando nisso, a proximidade dos 30, que serão comemorados em abril do ano que vem, não a assusta. “Por enquanto, está tudo certo. Já ouvi falar que a mulher fica no auge aos 30. Hoje, me sinto mais segura das minhas decisões. Sei o que é bom para mim, aprendi a dizer ‘não’ e sou mais segura com o meu corpo”, comenta, complementando. “Antigamente, fazia dietas radicais, ficava com fome, não comia nada. Hoje, equilibro exercícios com uma alimentação saudável e nem preciso abrir mão do chocolate que tanto amo. Mas não sou magra por natureza, sou magra por esforço”, diverte-se a atriz que é adepta do cross fit e do boxe.
A maturidade trouxe sabedoria a Monique. Já a alegria contagiante e o humor que podem ser vistos em ‘A Regra do Jogo’ vêm desde sempre. “Sou brincalhona, encaro o dia a dia com leveza. Sou mais alegre do que triste, mais positiva do que negativa”, afirma.
Nem namorar na ponte aérea é problema. A relação com o empresário Gabriel Sala, que mora em São Paulo, já dura um ano e meio e é um dos motivos do sorriso constante de Monique. “Está dando certo, estou feliz. É claro que, como tudo na vida, a distância tem o lado bom e o ruim. O bom é a saudade e, ao mesmo tempo, ter foco no trabalho, ter meus momentos sozinha, ficar em casa comigo mesma. O ruim vem naqueles dias em que você se sente mais sozinha, quer sair para jantar, mas não tem como, tem que esperar a sexta-feira.”
Sem pressa para se casar
Monique não se inclui na lista das mulheres que fazem questão de subir ao altar. “Não tenho o sonho de me casar, de usar vestido de noiva, fazer festa. O que eu prezo é uma relação estável, duradoura, de cumplicidade, amor, diálogo, respeito, carinho e admiração, independentemente de aliança. Não fujo do casamento, não tenho problema de pensar nisso no futuro, mas não é algo que eu esteja buscando”, revela. Ser mãe também não é prioridade no momento. “O relógio biológico não bateu ainda. Mas acredito que um dia vou querer conhecer esse sentimento de gerar uma vida.”