Lawrence Wahba comanda nova série no Nat Geo

Documentarista diz que correu vários riscos para mostrar o amanhecer dos animais em seu habitat natural

Por O Dia

Rio - Filmar animais selvagens em seu habitat natural nunca foi uma tarefa fácil para o documentarista e mergulhador Lawrence Wahba, de 46 anos. Mas, ao decidir registrar os bichos nas primeiras horas da manhã, simplesmente multiplicou seu desafio e os riscos da expedição.

Na série 'Todas as Manhãs do Mundo', exibida aos domingos, às 22h15, no canal por assinatura Nat Geo, o aventureiro percorre cinco santuários naturais - no Brasil, na Zâmbia, no Canadá, no México e na Noruega - em busca de imagens inéditas e impactantes. "O amanhecer é um momento efervescente da vida animal, há uma 'troca de turnos', os animais noturnos se recolhem e os diurnos assumem o posto", conta Wahba.

Lawrence Wahba estreia série no Nat GeoDivulgação


Em entrevista ao DIA, ele explica a escolha do tema para o novo documentário, dividido em cinco episódios - o segundo deles, no ar neste domingo, tem como cenário a Savana Africana, na Zâmbia, onde elefantes, crocodilos, hipopótamos e leões travam uma luta diária por água e comida a uma temperatura de 40 graus.

Apaixonado pela natureza e fã do oceanógrafo e documentarista Jacques Cousteau, Wahba mergulha desde os 8 anos e já produziu mais de 40 programas sobre a vida animal em vários continentes. "Acho que não escolhi minha profissão, fui escolhido por ela", diz ele, confessando que fez faculdade de cinema para aprender a fazer documentários.


O DIA - Por que mostrar os animais nas primeiras horas da manhã?

Lawrence Wahba - A idéia original é da bióloga franco-alemã Judith Haussling. O amanhecer é um momento efervescente da vida animal, há uma “troca de turnos”, os animais noturnos se recolhem e os diurnos assumem o posto. Nas primeiras horas do dia, eles partem em busca de alimentos, marcam seu território... Cada local tem seus fenômenos específicos, mas em todos o amanhecer é um momento muito ativo. Sem falar que, do ponto de vista estético, a mudança da luz dá um colorido especial prara os cenários deslumbrantes que escolhemos.


A escolha dos países - Brasil, Canadá, México, Noruega e Zâmbia - para filmar foi aleatória ou tem um motivo?

Não foram os países os escolhidos e sim os biomas: Floresta Tropical, na Amazônia Brasileira; Floresta Temperada encontrando o mar na Columbia Britânica, no Canadá; deserto encontrando o oceano na Baja Califórnia, no México; Circulo Polar Ártico com borda continental e oceano congelado, na Noruega, e por fim Savanas Africanas em South Luangwa, na Zâmbia. Os locais foram escolhidos por serem ecossistemas diferentes, com abundância de vida animal e ambientes extremamente preservados.


Ficou surpreso com alguma imagem em especial ou com algum hábito de animal que não tinha visto ainda?

O mais impressionante pra mim foram as “ballenas amigables” (baleias amistosas), na Baía de Magdalena na Baja Califórnia. Lá, baleias cinzentas de 15 metros se deixam acariciar e trazem seus filhotes para serem tocados, um fenômeno inexplicável e muito, muito emocionante. Além deste houve muitos fenômenos que conhecia de livros ou relatos, mas não tinha presenciado pessoalmente.


Correu algum risco ou passou por algum momento de apreensão durante as filmagens?

Vários, mas o bacana da série é que esses momentos estão inseridos na narrativa e serão vistos pelo público, não vou contá-los pra não cortar a surpresa... Mas mando um spoiler: em 'Todas As Manhãs do Mundo' o protagonista sobrevive no final... (risos)


Como foi a viagem à Amazônia, exibida no primeiro episódio? Já conhecia a região?

Filmo na Amazônia desde 1992. Conheço muitas regiões de lá ­- cruzei de carro da fronteira de Roraima até Belém; participei de expedições nos rios Trombetas, Xingu e Tapajós; filmei oito vezes no Rio Negro/Anavilhanas.... Nessa série, fiz seis expedições a vários locais que não conhecia - Abufari; Tucuruí; São José do Rio Claro, e voltei a outras que conheci. E o que mais me impressionou foi finalmente ter conhecido a Reserva Mamiraúa. Lá, o Instituto homônimo faz um belíssimo trabalho de pesquisa e conservação em parceira com as populações ribeirinhas.


Você já fez vários documentários, rodou o mundo e apareceu em vários programas de TV. Como começou a sua paixão por animais e meio ambiente? Escolheu essa atividade por algum motivo especial?

Acho que não escolhi minha profissão, fui escolhido por ela. Comecei a mergulhar com meu pai e meu tio aos 8 anos; fui fascinado por Jacques Cousteau. Aos 16, fazia bicos com vídeo. Aos 18, dava aulas de mergulho. Entrei na faculdade de cinema para aprender a fazer documentários. Minha história de vida me guiou ao que faço de forma natural. Não consigo imaginar minha vida de outra forma. Que sorte que tudo deu certo e consegui transformar em realidade a minha “profissão dos sonhos”.

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