'Não tenho raiva de racista, tenho pena', diz Toni Garrido

Cantor relembra preconceito que sofreu aos 7 anos e fala no 'Encontro com Fátima Bernardes' sobre os ataques racistas que vários famosos recebem nas redes sociais

Por O Dia

Rio - Toni Garrido fez críticas contundentes ao racismo no "Encontro com Fátima Bernardes" desta quinta-feira. O cantor e ator relembrou o preconceito que sofreu na infância e consegue ver um lado positivo nos ataques racistas que negros famosos como Maria Júlia Coutinho, Taís Araújo e Cris Vianna vem sofrendo na internet.

Toni Garrido fala sobre racismo no EncontroDivulgação

"Isso acontece há 500 anos, agora estamos vendo mais por que temos as redes sociais. Eu, particularmente adoro, entre aspas, que eles se apresentem em redes sociais para que a gente possa identificá-los. É uma facilidade para gente e um serviço social para todo mundo. Os artistas que estão sofrendo essa injúrias, e sempre sofreram têm a oportunidade de dizer a população que esse monstro é pequenininho, existe um remedinho chamado leis que podem combater isso com facilidade. É um momento de luz para gente, pois quando se apresenta podemos combater".

Ele falou de sua primeira experiência com o preconceito. "Tenho uma história muito triste, quando ainda não tinha noção de que existiam leis. Estava subindo no elevador do meu prédio de classe média em Copacabana (Zona Sul do Rio) voltando da escola aos 7 anos, quando uma senhora segurou a porta do elevador e perguntou: 'você vai para onde?'. Respondi que para a minha casa e ela disse 'tudo bem, mas seu elevador é o outro', me puxou pelo ombro e me tirou. Fui andando perplexo, subi no outro elevador e contei para a minha mãe, Ofélia, o que tinha acontecido".

Deborah Evelyn ouve atentamente a história de racismo que Toni Garrido sofreu na infânciaReprodução

A reação da mãe lhe deu segurança para lidar com a situação. "Ela desceu do jeito que ela estava, de camisola velhinha, e andou dois quarteirões até a delegacia. Ela berrava: 'Eu exijo a lei Afonso Arinos (que proibia a discriminação racial), isso é racismo'. Esse foi meu primeiro contato real com o racismo. Essa lei não prendia, era contravenção. Mas a partir daí ficou mais fácil para mim, porque eu sabia que tinha a lei".

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