Rio - Termômetros acima dos 40 graus, sol a pino e um mar geladinho. Convite tentador para quem vai às praias da orla da Zona Sul à procura de um refresco nestes dias de verão. Mas apesar da água ser a melhor saída, também existem perigos que os mais desatentos só percebem quando não alcançam mais a areia. Enquanto isso, há quem observe tudo o que acontece para evitar situações de perigo: os guarda-vidas. No sábado, estreia ‘Rio Resgate’, no canal a cabo TLC — serão exibidos dois episódios; os outros 14 episódios irão ao ar sempre aos sábados, às 21h50 —, série que mostra a rotina dos guarda-vidas do 3º Grupamento Marítimo, localizado em Copacabana, durante esta época do ano.
Mônica Monteiro, CEO da empresa Cine Group, responsável, ao lado do canal TLC, pela produção do programa, explica: “Por trás dos cartões-postais existe um risco real para quem não respeita a natureza. Um simples mergulho pode se tornar um desafio”. Sobre a importância da atração, quem fala é Fátima Pereira, diretora-executiva da produtora. “Precisamos alertar a todos sobre o perigo da falta de cuidados básicos nas idas à praia. E saber quem são essas pessoas, quem são esses guarda-vidas”, opina Fátima.
Um dos profissionais que aparecem durante os 16 episódios da temporada é Marcelo Pinheiro, 43 anos. O coronel diz que o programa vai proporcionar mais visibilidade à profissão. “Por falta de conhecimento, as pessoas acabam não nos valorizando. Só nos valorizam quando resgatamos um grande número de pessoas. Mas já é um ato heroico salvar apenas um”, diz ele. Segundo Marcelo, o programa também vai mostrar momentos de tensão que acontecem durante os salvamentos (são quase 400 por dia durante o verão). Ele relembra um caso que o marcou durante os 25 anos de carreira. “Um menino mergulhou e sumiu. Entramos no mar e na areia ficaram várias famílias rezando por nós, já que tinham certeza de que ele estava morto. Quando conseguimos resgatá-lo, os banhistas choraram, bateram palmas e isso me marcou”, conta.
Momentos como este acontecem com frequência e, para conseguir atender a todos, o número de profissionais nas praias cariocas aumenta em 50% durante o verão. Até março, cerca de 900 militares vão atuar na orla de todo o estado do Rio. Para resgates, eles têm o auxílio de jet skis, botes aquáticos, lanchas, aeronaves e estão fazendo testes com drones para levar boias às vítimas antes do socorro chegar. No quadro ao lado, confira as dicas dos guarda-vidas.
Previna-se
Se uma onda for “quebrar em sua cabeça”, mantenha a calma, prenda a respiração, afunde e suba após a turbulência ter passado;
Caso sinta-se em perigo, mantenha a calma, evite debater-se, tente boiar, faça sinais e grite por socorro;
Consulte o guarda-vida sobre as condições para o banho e a prática de esportes;
Evite ingerir bebidas alcoólicas ou comer demais antes e durante o banho de mar;
Respeite placas, bandeiras e apitos dos guarda-vidas;
Nade apenas em áreas supervisionadas por guarda-vidas;
Deixe a praia em caso de chuvas ou raios;
Não caminhe para dentro do mar durante a calmaria;
Localize as valas e os bancos de areia.
Mais informações em: 3gmar.cbmerj.rj.gov.br
Com reportagem de Guilherme Guagliardi