Por karilayn.areias
A terceira temporada do ‘MasterChef Brasil’ também tem um número maior de episódios: 25Divulgação

Rio - O sucesso do ‘MasterChef Brasil’ pode ser medido facilmente em números. Maior audiência da Band ao lado do futebol, com média de 7 pontos na segunda edição, a competição de culinária também virou fenômeno nas redes sociais, ficando 11 vezes numa lista dos 20 programas mais comentados do Twitter no ano passado. No comando da terceira temporada da atração, que estreia hoje, às 22h30, a apresentadora Ana Paula Padrão tem uma teoria para explicar como um programa exibido mundo afora há 26 anos só agora caiu no gosto do brasileiro.

“O formato estava aí e ninguém se interessava por ele. O que mudou foi o público, agora tem gente que quer ver. Nos últimos dez anos, a gente passou por uma evolução de renda. Para a maioria da população, comer era uma necessidade fisiológica, não era um prazer. Passou a ser um prazer quando a gente pôde ir ao supermercado e comprar coisas que não necessariamente estão na lista da sobrevivência, mas na do prazer! Daí a tentar ingredientes novos e se interessar por programas que ensinam receitas e brincam com culinária é um pulo”, diz a jornalista.

Apesar da grave crise econômica, Ana Paula classifica o país como “mais de classe média”. “Qualquer sociedade que tem dinheiro para comprar comida, se divertir e ter prazer com ela, fazer um almoço de domingo para a família, tem interesse nesse tipo de programa. E isso é possível em país mais de classe média. Em país pobre é impossível falar de comida se não for uma necessidade imediata”, avalia.

Poder de consumo do brasileiro à parte, o enorme êxito do programa surpreendeu a jornalista, que não planejava migrar para o entretenimento quando abandonou a bancada dos telejornais em 2013.

“É um programa legal, gostoso, pra cima! Pensei: se não for sucesso, não acontece nada com minha imagem. Era uma boa maneira de conhecer outra coisa que não fosse jornalismo, de conhecer o entretenimento sem grandes riscos pra mim. Sou uma pessoa que corre riscos comedidamente, gosto de risco, mas estudo muito antes. Não sou uma kamikaze. É claro que imaginava que seria legal, mas que ia agradar tanto, que ia ser esse ‘uau!’... Nem nos meus melhores sonhos!”, admite ela.

Os jurados Henrique Fogaça%2C Paola Carosella e Erick Jacquin prometem ser mais rigorosos com os candidatosDivulgação

Com mais participantes — 21 ao todo, escolhidos entre 25 mil inscritos —, a terceira temporada do ‘MasterChef Brasil’ também tem um número maior de episódios, 25, e provas em equipe mais ousadas, como preparar 200 refeições para os homens de uma unidade do Corpo de Bombeiros. Já os chefs Erick Jacquin, Henrique Fogaça e Paola Carosella garantem que serão ainda mais rigorosos no papel de jurados, se é que isso é possível.

“A principal diferença entre essa edição e as outras é que os participantes não são mais inocentes. Eles já sabem como é o programa, chegam pensando em estratégias de jogo e são mais bem preparados, inclusive psicologicamente. Essa edição é mais dura, é para os fortes”, afirma a apresentadora, que costuma se apegar aos candidatos. “Vivo levando bronca do diretor porque quero ajudar alguém. Sou chorona. No programa, sou mais parecida comigo. Não tenho a obrigação de ser neutra como era no jornalismo”, completa.

Ana Paula e uma concorrente%3A ‘Vivo levando bronca porque quero ajudar’Divulgação

Feliz com o sucesso, Ana Paula vai apresentar também o ‘MasterChef Professionals’, com profissionais de cozinha, no segundo semestre. Mas não pensa em fazer outra atração que misture jornalismo e entretenimento. “Vim parar aqui por acaso. Estou muito satisfeita com o ‘MasterChef’. Não era minha intenção entrar no entretenimento. Tenho minha vida, minhas empresas”, diz.

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