Sergio Guizé faz sucesso com personagem ingênuo em novela

Ator interpreta o Candinho na novela das 18h

Por O Dia

Sérgio Guizé faz sucesso com crianças por conta de personagem em 'Êta Mundo Bom!'Divulgação

Rio - Misture uma boa dose de comédia, com um toque de ingenuidade e uma pitada de melancolia e chega-se à receita do estrondoso sucesso do caipira Candinho, um misto de Amácio Mazzaropi com Charles Chaplin e — agora nessa transição de pobre para milionário — um quê de ‘A Família Buscapé’. Para Sergio Guizé, seu intérprete, não resta outra coisa senão comemorar os altos índices no Ibope de ‘Êta Mundo Bom!’, que registrou a maior audiência dos últimos seis anos no horário das 18h, em São Paulo, com 32 pontos (e no Rio, 36), na cena do reencontro de Candinho com a mãe, Anastácia (Eliane Giardini).

“Não é fácil. É um trabalho árduo, mas no bom sentido, porque está todo mundo jogando o mesmo jogo, um fazendo pelo outro. É uma felicidade ser protagonista e fazer uma novela de sucesso”, festeja Guizé.

E para por aí. Ele diz que não atua pensando em fama e rejeita qualquer tipo de rótulo: “Nem sabia direito o que era ser galã. No teatro não tem isso. Você constrói um personagem incrível ou constrói a imagem de um ator incrível, que se dá bem com todo mundo e fala muito bem. Minha preocupação sempre foi com o personagem. A obra em primeiro lugar. Nunca parei para pensar no Sergio galã. Agora sei, mais ou menos, o que é (risos). Eu sei o que eu tenho que fazer. Se eu me trair nesse sentido, não vou ficar feliz.”

Em ritmo insano de gravações desde outubro, o ator credita o reconhecimento de público e crítica, além do incentivo do autor Walcyr Carrasco e do diretor Jorge Fernando, à paixão pelo papel. “Quando a novela estreou eu fiquei doente, meio cabisbaixo, nem sabia o que estava acontecendo. O Walcyr me ligou e foi muito querido, falou de como o trabalho toca as pessoas. É um estímulo para a gente continuar brigando por esse jogo até o final. São muitos sentimentos, essa história com a mãe... Não dá para fazer de mentira, eu não consigo. Isso me tira algumas coisas, mas traz outras boas como o otimismo, é uma troca. Sou apaixonado pelo personagem, pelo processo. É o que me faz deixar minha banda (de punk rock Tio Che), minha família. O mais importante é a obra e saber que está funcionando”, ressalta.

Em comum com o caipira tem o fato de o ator valorizar suas relações, mas ele teve que aprender a lidar com a solidão, consequência da carreira. Hoje, está como gosta, cercado das pessoas que ama, incluindo a namorada, a atriz Nathalia Dill: “Eu saí de Santo André (São Paulo) para fazer teatro e a vida foi me levando para vários lugares que eu tive que ficar sozinho. Morei dois meses em Portugal, por conta de um filme, e ficava trancado no hotel porque não tinha muita relação com as pessoas. Aprendi a viver desse jeito, ouvindo música, pintando meus quadros, com muita saudade. Vivo em função da arte. De um jeito bom ou ruim, é isso o que eu tenho que fazer. Agora estou muito feliz de ter em volta quem eu amo. E tenho a Nathalia, que também é uma parceira incondicional”, derrete-se.

Sergio mantém sua casa no Bixiga (bairro de São Paulo), e uma no Rio, onde vive com dois gatos e Gustavo, cachorro da raça Griffon de Bruxelas: “Ele é meu Policarpo (burro de estimação de Candinho)”, diz Guizé, que já teve tudo quanto é bicho: “Rã, escorpião, pombo...”

Tímido assumido, o ator pouco fala de sua intimidade: “Me escondo atrás dos meus personagens, eles falam muito melhor do que eu. Não tenho um pingo de interesse em expor minha vida pessoal. Sempre fui de observar, mais do que falar. Acho até que é um jeito de aprender.”

Sérgio Guizé e a namorada%2C Nathalia DillDivulgação

Mesmo reservado, ele não poupa elogios à atuação de Nathalia na trama das 23h, ‘Liberdade, Liberdade’. “Ela está muito bem, completamente diferente da última personagem (Laura, de ‘Alto Astral’). É muita responsabilidade e está fazendo lindamente. É um trabalho sofisticado de interpretação. A novela é muito boa, rica de imagens, com bons atores.”

O relacionamento vai bem, obrigado. Guizé sonha com a paternidade “desde pequeno”, só que sem pressão, e é justamente o público infantil o seu ponto fraco. Candinho caiu nas graças das crianças, para realização do artista. “Fico muito emocionado. Recebo desenhos, mensagens. É muita pureza, é verdadeiro”, reconhece ele, que já deu aula de artes para alunos do ensino fundamental e médio: “Já fiz muito teatro infantil também.” Com o caipira, ele aprendeu a ter esperança: “Não tem como interpretá-lo sem acreditar profundamente que tudo o que acontece de ruim na vida da gente é para melhorar. Tenho levado as coisas para um lado bom.”

Nos palcos e na telona

Apesar de Candinho ser sua prioridade, há espaço para a música. Basta pintar uma folga para Guizé trocar o figurino do jeca por jeans e camiseta, e correr para os palcos. “É difícil conciliar, mas não é impossível. Gravamos mais um single, de ‘Ponta a Cabeça’, com o Chico Neves (produtor) que já fez parcerias com O Rappa, Skank... Apesar de estar megacansado, estou superansioso.”

O cinema também tem vez na atribulada agenda do paulista. No dia 2 de junho, entra em cartaz ‘Uma Loucura de Mulher’, com Mariana Ximenes no papel de Lúcia, ex-bailarina e primeiro amor de Raposo, um cirurgião plástico bem-sucedido, vivido por Guizé. Com Domingos de Oliveira, ele filmou ‘Barata Ribeiro, 716’, e aprendeu a falar francês para rodar a produção franco-brasileira ‘Tudo Bem, Tudo Bom’, para a qual compôs a canção ‘Presente’. 

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