Atriz dá adeus a 'Malhação' e encena tragédia no teatro

Peça ‘Amargo fruto — A vida de Billie Holiday’, que estreia neste sábado,no Teatro Carlos Gomes, no Centro

Por O Dia

Atriz dá adeus a 'Malhação' e encena tragédia no teatroDivulgação

Rio - A atriz e cantora Lilian Valeska se despede da personagem Ilza na novela ‘Malhação — Seu Lugar no Mundo’, que acaba hoje, e se prepara para reencontrar Billie Holiday no teatro, na peça ‘Amargo fruto — A vida de Billie Holiday’, que estreia neste sábado,no Teatro Carlos Gomes, no Centro.

“Me sinto mais madura. A construção da Billie na outra temporada foi difícil. Fui chamada para substituir uma atriz e tive 38 dias para aprender 20 músicas que não fazem parte do meu repertório.E não falo inglês”, conta Lilian.

Já em ‘Malhação’, o clima de despedida aconteceu há uma semana, quando gravou suas últimas cenas. Na trama ela fez um papel bem diferente. Era Ilza, mãe dedicada dos personagens Tito (Guilherme Leicam) e Pedro (Enzo Romani). “Um filho era biológico (Pedro) e o outro, não (Tito). Ela não fazia diferença, era amorosa.Foi uma alegria fazer uma personagem que lutava para que os filhos tivessem uma vida melhor. É mãe, né?”, reflete Lilian, que na vida real é mãe de Yvina Raira, uma adolescente de 16 anos, que nasceu surda.

“Minha filha nasceu com deficiência auditiva causada pelo citomegalovírus que tive na gravidez, que é um vírus que 90% da população não sabe se tem ou já teve. No caso da gestante, se atingir a placenta pode causar surdez no feto”.

Lilian afirma que a deficiência não atrapalha em nada a vida de Yvina, que já esteve com ela no palco e hoje sonha com a faculdade de Medicina. “Ela usa um implante que é quase um milagre, fala bem, tem gente que nem percebe. Hoje quer ser médica, mas também é uma artista. Quando fez o musical ‘Gota D’água’ comigo, o João Fonseca a elogiou”, conta Lilian, referindo-se ao diretor.

Sem projetos à vista na TV no momento, a atriz quer se dedicar ao teatro e está ansiosa para reencarnar a diva do jazz norte-americano no palco. “Tem sido o maior desafio profissional da minha vida. Ela foi uma grande artista com interpretações ímpares”.

Lilian diz que apesar da responsabilidade, se sentiu amparada para que conseguisse dar voz à artista e suas canções. “A direção musical é primorosa do Marcelo Alonso Neves. A Ticiana Studart foi uma diretora-professora: disse para eu me jogar que ela estaria lá com a rede, e eu fiz”, revela. “É a minha versão da Billie, com tudo que estudei e trabalhei, com a direção, não é uma imitação”.

No musical escrito pela diretora Ticiana Studart em parceria com Jau Sant’Angelo, Lilian interpreta Billie Holiday desde a infância, que teve uma vida trágica, o que contrastava com a imagem da diva nos palcos: estuprada aos 11 anos, começou a se prostituir aos 13, e teve sua iniciação com drogas pesadas aos 17 anos. Tudo muito diferente da ‘solar’ intérprete. “Não bebo, não fumo, não me drogo. A direção me ajudou na construção desse lado obscuro. Mas a peça não é triste, tem humor, e é toda costurada com as belas canções que foram eternizadas na voz da Billie. É um espetáculo emocionante”, garante Lilian.

A diretora acredita que a atriz foi a escolha acertada para contar a densa e emocionante história. “Billie cantava para viver, se não cantasse teria morrido antes dos 44 anos. A Lilian tem entendido essa profundidade. Billie era grave, não na voz, na personalidade. Isso refletia nas canções”, diz Ticiana.


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