Juliana Silveira comemora seu papel de rainha má em 'A Terra Prometida'

Atriz conta como aprendeu a pegar em cobras para viver a Kalesi da novela da Record

Por O Dia

Rio - Linda, viciada em sexo, adepta do relacionamento aberto, assassina e colecionadora de serpentes. Essa é Kalesi, a rainha da luz e das sombras vivida por Juliana Silveira em ‘A Terra Prometida’, da Record. “Relacionamento aberto na vida real é uma loucura. Isso jamais aconteceria. Sacrifícios de crianças e casamento aberto, não trabalhamos com isso. Sabemos que tem essa onda do poliamor, mas não é a minha. Realmente, não tenho preconceito nenhum, mas é algo que não quero experimentar. Só na ficção está ótimo”, frisa a atriz, aos risos.

Juliana Silveira vive uma rainha tão traiçoeira quanto a cobra de 2%2C5 m com a qual contracenaDivulgação

Na trama de Renato Modesto, a rainha também é conhecida como Senhora das Serpentes. Para compor a personagem, Juliana precisou vencer o desconforto de ficar perto dos anfíbios. A produção da novela agendou uma visita para a intérprete conhecer o Instituto Vital Brazil — especializado em produzir medicamentos e soros contra picadas de cobras, escorpiões e aranhas — em Niterói.

“No primeiro dia, demorei uns 40 minutos para pegar uma cobra pequenininha, daquelas fininhas que crianças pegam em festa. E os tamanhos foram aumentando. Depois, peguei uma da espécie Python Ball, de um metro e meio. E então cheguei na Pandora, que é da mesma família, tem dois metros e que eu uso na gravação”, conta.

O gosto exótico da personagem por serpentes é tão grande quanto a paixão dela por seus amantes. Sim, no plural mesmo. Em 1.200 a.C., o prazer livre era cultuado pelos praticantes do paganismo, religião seguida pela rainha e seu marido, Marek (Igor Rickli), o rei de Jericó.

“Ela coleciona amantes gladiadores. O preferido dela é um negro lindo, Zuma (Iran Gomez), muito grande e forte, que é uma coisa”, derrete-se.

Por conta do horário, 20h30, as cenas de sexo não são exibidas. Porém, as cenas não serão sensuais. “A gente fala muito sobre sexo. Ela canta os homens, mas não vão às vias de fato. Só insinua com um beijo, um jeito no olhar, uma mão. E para ali”, sentencia a atriz. No ar com sua segunda antagonista consecutivamente — antes, ela viveu a neonazista Priscila em ‘Vitória’, também na Record —, Juliana comemora mais uma vilã no currículo. “A mocinha tem suas limitações dramatúrgicas pelo formato da novela. Gosto de ser odiada, não tenho problema nenhum”, brinca.

Mas a situação da rainha começa a mudar de figura quando os hebreus, liderados por Josué (Sidney Sampaio), ameaçam derrubar a muralha que protege o reino. Primeiro, Kalesi se apaixona pelo general Sandor (Pedro Moutinho). Depois, quando a guerra fica mais intensa, ela faz o romance subir no telhado. “A Kalesi não ama o rei. Ama o poder e essa parceria que tem com o marido. Abre mão do amor por Sandor e continua com Marek. Não pelo rei, mas por essa cumplicidade que eles têm”, explica.

Agora, se você não leu a Bíblia ou não gosta de spoiler, então é melhor parar por aqui. É porque a personagem de Juliana Silveira morrerá por volta do capítulo 58 (previsto para ir ao ar dia 21 de setembro).
“Quando os hebreus invadem Jericó, eles seguem as ordens de Deus de que os únicos poupados serão Raabe (Miriam Freeland) e seus familiares”, antecipa.

CABELO VERMELHO
O visual de Kalesi é um capítulo à parte. Pela primeira vez na carreira, a normalmente loura Juliana — cujos fios naturais são da cor castanho claro — tonalizou as madeixas de ruivo. E adorou.

“No início, ficamos em dúvida se seria loura ou ruiva. Se fosse loura, seria muito parecido, já tem o nome parecido com a Khaleesi/Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) da série ‘Game of Thrones’, da HBO, que é loura. Mas aí liberaram o ruivo para mim. Sempre tive vontade de ser ruiva. E o cabelo vermelho tem uma simbologia do fogo e representa uma mulher de personalidade forte”, observa ela, que leva três horas para frisar os fios lisos.

Em sua estreia em novelas bíblicas, Juliana tem sentido que uma trama de época como ‘A Terra Prometida’ exige muito do intérprete.

“Se eu levava uma hora para decorar o texto em uma novela contemporânea, agora levo três ou quatro horas. É preciso muito mais dedicação. O texto é mais difícil de fazer para com que fique orgânico, natural”, pontua. Mas ela acrescenta: “Pelo que sinto, ganhei o melhor personagem na minha trajetória na Record. Chegou na hora certa.”

FLORIBELLA
Ainda reconhecida por conta da sua protagonista Floribella, personagem-título da novela adolescente da Band, em 2005, Juliana conta que os fãs não gostam de vê-la fazendo maldade na TV. “Mas eu falo: ‘Gente, a Floribella não sou eu’. Na época, com 24 anos, era próximo de mim, mas hoje com 36 e filho, está bem distante do que eu sou”, afirma ela, que é casada com o designer João Vergara e mãe de Bento, 5 anos.

Mas como santo de casa não faz milagre, o herdeiro da atriz não morre de amores pela personagem infanto-juvenil. “Ele gosta dos Vingadores. Diz que a Floribella é fofa, mas é coisa de menina. Não faço sucesso lá em casa”, brinca a ruiva.

A atriz conta que gosta de mimar o herdeiro. “A gente faz sucesso até a hora de mandar para o banho. Sou a que coloca limites, mas meu marido consegue mimar mais do que eu”, salienta. A verdade é que o coração dela aperta quando chega a hora de colocar o filho de castigo. “Temos que colocar limites para ser um adulto bacana. Palmada, não. Conversa, muita DR. Ele fala: ‘Mamãe, não estou ouvindo’, ‘Já deu’, pede tempo. Ele é um menino que se expressa muito bem para a idade”, baba a mamãe coruja. 

Últimas de Televisão