Letícia Colin fez aulas de tiro e aprendeu valsa para a novela 'Novo Mundo'

Atriz vive a arquiduquesa que se tornou imperatriz do Brasil na nova novela das 18h da Globo

Por O Dia

Rio - Era uma vez uma princesa que vivia em um belo castelo em um reino muito distante. Para satisfazer o interesse da família, ela se casou, via procuração, com um príncipe de um reino igualmente distante. Eles levaram seis meses para se conhecer. Essa é a história de Leopoldina (Letícia Colin), cuja chegada ao Brasil para conhecer o marido, Dom Pedro (Caio Castro), é o pontapé inicial de ‘Novo Mundo’, novela das 18h, que estreia quarta-feira, na Globo.

Letícia Colin tem aulas de caligrafia%3B de dança com o colega de cena Jonas Bloch%2C e de piano Divulgação

“Eu sabia a ponta do iceberg, como a maioria dos brasileiros. Bem basicão. Eu sabia que ela era uma mulher especial para o Brasil, ela fez muito para o país existir como ele é hoje em dia. Ela sofreu muito, foi quase uma mártir, e ela se reinventou”, explica Letícia.

Quando soube que ia fazer um teste para a personagem, a atriz resolveu mergulhar de cabeça no universo da trama histórica. “No texto, os autores já indicavam que ela falava um aprendizado do português. Então, ela comete muitos erros ortográficos. E aí levei uma opção para o teste com sotaque e sem sotaque. Porque essa personagem tem que ser minha, ela é muito boa, vou pegar esse papel. Fiquei ouvindo muito em casa coisas do YouTube de alemães falando português, que moravam há muito tempo aqui.

Aí, fiquei copiando essa prosódia. Vi também o canal da TV alemã, fiquei estudando, cheguei e fiz o teste. Aí no final do teste, o diretor, Pedrinho, disse: “Vem cá, gostei do sotaque!”. Aí, eu disse: “Que bom, porque eu quase não estudei essa cena sem sotaque”.

Além de aprender alemão, Letícia fez aula de caligrafia, de valsa austríaca e ainda aprendeu a atirar — a princesa Leopoldina foi criada para ser uma estadista. “Quando comecei a ler que ela gostava de cavalo, eu fiquei muito feliz e liguei para o meu pai. A gente teve cavalo, e eu disse: ‘Ela vai montar’. Ele: ‘que legal’. Tem muitos anos que eu não montava. E é um prazer fazer cena a cavalo. Sempre sugiro: ‘Posso chegar a cavalo, posso sair de cena a cavalo’”, conta.

CONTEXTUALIZANDO
Quando Leopoldina chega ao Brasil, já tem oito anos que a família real portuguesa está aqui. Nessa época, Napoleão já não é mais um perigo, o Brasil não é mais uma colônia, mas um reino unido, com legislação própria, e o Rio de Janeiro, capital do império, recebeu um toque europeu. “Deixaram as cadeiras de palhinha e forraram de veludo.

Azar, sentiram calor. O Rio de Janeiro era um entreposto de escravos, a primeira pessoa a receber título de nobreza era um traficante de escravos. Quando ela chega, já tem um desejo, reformar o paço de São Cristóvão”, explica o historiador Francisco Vieira, que presta consultoria à produção da novela.

DOM PEDRO INFIEL
Mas a vida da princesa ao lado de seu príncipe não será como ela imaginou. Tudo porque Dom Pedro não é um homem fiel, e isso deixa Leopoldina muito triste. O problema maior é que ele se apaixona por Domitila (Agatha Moreira). Esse amor causará uma rachadura na relação enfraquecida entre Dom Pedro e Leopoldina.

“A Domitila entra de sola nessa relação e não dá para negar que é uma paixão histórica porque são animais que se farejam. Ela está na novela, a gente antecipou a vinda da Domitila. O mais importante é que a gente tenha uma empatia e consiga identificar uma mulher que tenta segurar uma relação com o marido, que é um traidor. A gente trouxe a Domitila um pouco antes da história oficial”, explica a autora Thereza Falcão. “Infelizmente”, desabafa Letícia.

IMPERADORES DO BRASIL
Segundo o autor Alessandro Marson, apesar de os fãs já terem torcidas na internet divididas entre Leopoldina e Domitila, o final desse triângulo amoroso já tem um desfecho.

“O grande projeto da vida dela, principalmente depois da morte da Leopoldina, que a gente não vai ver porque a novela acaba em 1822, era se casar com Pedro. E ela jamais consegue isso porque ele manda trazer outra princesa de uma cidadezinha italiana. Em nenhum momento, a gente duvida desse amor que um sentia pelo outro. Mas era um amor totalmente impossível. Por mais que as pessoas torçam, a gente vai retratar o que realmente aconteceu. O nosso último capítulo é Dom Pedro e Leopoldina se tornando imperadores do Brasil. E no meio do caminho, o Brasil fica independente de Portugal”, entrega, aos risos. 

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