Gilberto Braga: Preço de alimentos volta a assustar

A carestia dos alimentos é um dos símbolos mais fortes da crise econômica

Por O Dia

Rio - Escrever coluna sobre a economia brasileira sem ser chato e repetitivo está se tornando uma das tarefas mais difíceis da vida. Bons tempos em que os leitores e internautas mandavam perguntas sobre o que fazer com o dinheiro acumulado, a melhor forma de financiar a casa própria ou o carro novo. O colunista era sempre portador de boas notícias e dicas preciosas. Atualmente, de forma geral, economista só fala das dificuldades, refletindo o cenário econômico que insiste em não melhorar.

Pois bem, na última terça-feira foi divulgado o IPCA-15, que mostra que a inflação subiu 1,42% entre aproximadamente 15 de janeiro e 15 fevereiro. Nos grupos que compõem o indicador, os preços dos alimentos aumentaram mais, cravando 1,92%. O interessante é que os campeões dos reajustes de preços, de acordo com o IBGE, foram: 1) Cenoura — 24,20%; 2) Cebola — 14,16%; 3) Tomate 14,11%; 4) Alho — 13,98%; e, 5) Farinha de Mandioca —12,20%

Um mês pelo outro, a ladainha não muda muito e quem vai com regularidade ao supermercado já conhece bem. A carestia dos alimentos é um dos símbolos mais fortes da crise econômica. Em um ano, por exemplo, a cebola já aumentou mais de 80%, o tomate quase 70% e o alho mais de 65%. Não é mais possível temperar os alimentos sem pagar mais pelos ingredientes.

O segredo de quem cozinha no Brasil sempre foi o tempero da comida, que é um conhecimento passado de uma geração a outra nas famílias. Com criatividade, o brasileiro usava o tempero para driblar a disparada dos preços da carne bovina, frango e peixe. Nos supermercados, o quilo da cebola está custando em média R$ 6; o tomate R$ 8 e o alho R$20, podendo variar de um rede e bairro para outro.

O ano de 2016 já começou para valer e não há nenhuma novidade nos fatos econômicos que nos permitam projetar que a inflação vai cair bruscamente neste ano, como o governo defende. Essa situação nos deixa uma dúvida bem humorada: será que a inflação tem tempero ou será que o tempero é o símbolo da inflação?

Gilberto Braga é Professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral.

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