Gilberto Braga: Em tempo de crise, vale a lembrança

Hoje há muitas formas de namoro, todas diferentes daquelas antigas. Ao mesmo tempo, os presentes mudaram

Por O Dia

Rio - Sou da época em que se fazia a seguinte pergunta: você aceita namorar comigo? Os relacionamentos eram formais, o compromisso era público, normalmente oficializado. O Dia dos Namorados tinha uma conotação um pouco diferente, em que os casais se presenteavam com ênfase no afeto envolvido na relação As vezes nem davam presentes materiais. Uma poesia ou um sorvete em conjunto resolvia tudo.

De uns anos para cá os relacionamentos mudaram e as relações de consumo também. Hoje há muitas formas de namoro, todas diferentes daquelas antigas. Ao mesmo tempo, os presentes mudaram, tornando-se mais concretos, materiais e volúveis.

Por isso, o dia passou a ser mais uma data importante para a economia, com a TV, a internet e a integração cultural nos impingindo trocar presentes. As estatísticas de vendas do comércio colocam o Dia dos Namorados como um dos cinco períodos de maior venda do ano.

Neste ano, no entanto, como em 2015, as vendas devem recuar, mostrando que a crise econômica afeta a capacidade dos amantes em demonstrar materialmente os seus sentimentos. Há prognósticos de queda real das vendas de 5% a 8,5% (desconta a inflação).

Curiosamente o valor individual do presente deve subir em torno de 20% em 2016, passando de cerca de R$ 120 para R$ 140. Tal efeito decorre da diminuição da base de pessoas que pretende presentear os seus namorados. Só vai gastar quem ainda tem alguma reserva.

A falta de dinheiro forçará muitos a voltar aos antigos hábitos na hora de presentear. Vale usar a criatividade, colher uma flor de jardim, fazer colagem de fotos de recordações nas redes socais ou fazer um poema. Só não vale se endividar, que destrói os bolsos e pode acabar o amor mais puro e sincero.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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