Coluna do Servidor: Educação de Caxias vai parar amanhã

Alegando dificuldades por conta da queda na arrecadação do estado, prefeitura decidiu pagar apenas parte da remuneração

Por O Dia

Rio - O parcelamento dos salários dos servidores de Duque de Caxias revoltou os profissionais da Educação da rede municipal, que prometem fazer uma paralisação amanhã. Alegando dificuldades por conta da queda na arrecadação do estado — responsável por transferir recursos ao município —, a prefeitura decidiu pagar apenas parte da remuneração de quem ganha mais de R$ 3 mil.

Esses funcionários receberam (até ontem) os R$ 3 mil mais 50% da remuneração. O restante, segundo o governo, será creditado no próximo dia 15, quarta-feira.  Já os servidores municipais que recebem até R$ 3 mil foram pagos integralmente. De acordo com a prefeitura, essa parcela dos funcionários representa 70% da folha de pagamento.

Profissionais da Educação da rede municipal de Duque de Caxias prometem fazer uma paralisação amanhãDivulgação / Sepe

A notícia do parcelamento caiu como uma bomba entre o pessoal da rede municipal de Educação. Representados pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe) em Caxias, eles fizeram assembleia ontem, seguida de ato na prefeitura. O encontro resultou em calendário de mobilização: hoje, as escolas vão funcionar meio período, e amanhã, haverá paralisação integral, com assembleia marcada para as 15h.

A expectativa da entidade é que o prefeitura volte atrás e efetue o restante do pagamento ainda esta semana. Mas a medida não está prevista.

Sepe pede liminar

Diretora do Sepe Caxias, Corina Araci Gomes reclama que a prefeitura não quis negociar o pagamento imediato da categoria. Disse que, após o ato, ela e alguns servidores foram atendidos pelos secretários de Administração e de Governo — Sidney Guerra e Luiz Couto — mas não houve acordo. O Sepe decidiu entrar com ação na Justiça com pedido de liminar.

Prefeito rebate

O prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso, diz que o parcelamento foi para preservar empregos. Ao todo, o município conta com 19 mil servidores, mas a prefeitura não detalha quantos estão na parcela que ganha mais de R$ 3 mil. “Toda empresa demite quando a receita cai. Nós preservamos os postos. Não queremos afetar os serviços à população”, afirmou.

Crédito errado

Servidores que ganham mais de R$ 3 mil acusam a prefeitura de não ter depositado nem esse valor. Segundo Corina, há diversos relatos desse problema. O prefeito alega que o que cairá na conta é o valor líquido: “Tem que levar em conta o desconto do Imposto de Renda, que é de 27,5%. Não é o valor bruto que a pessoa recebe”.

Queda no município

Cardoso aponta a queda na arrecadação de royalties pelo estado como um dos motivos para a crise em Caxias. “Recebíamos R$ 9 milhões mensais de recursos de royalties e agora passou para R$ 5 milhões”, diz. E acrescenta: “Perdemos de R$ 8 milhões a R$ 11 milhões mensais de ICMS, porque o comércio passou a vender 20% a menos”.

Greve mantida

Em greve há três meses, servidores estaduais de Educação decidiram pela continuidade do movimento em assembleia ontem. Coordenador-geral do Sepe, Marcelo Santana diz que o estado não recua ao negar acordo. Entre as reivindicações, pedem retorno do calendário de pagamento e reajuste salarial.

Picciani recebe Sepe

Presidente da Comissão de Educação da Alerj, deputado Comte Bittencourt (PPS) recebeu ontem representantes do Sepe e do comando de greve, que apresentaram a pauta de reivindicações. O sindicato também conseguiu agendar audiência com o presidente da casa, Jorge Picciani (PMDB), para a próxima terça-feira.

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