Gilberto Braga: Futebol arte dá lugar ao negócio

Já está mais do que na hora de repensarmos tudo do nosso futebol como negócio

Por O Dia

Rio - O esporte como diversão e como negócio é visto na tevê. Exemplos disso são a Eurocopa, que em sua 15ª edição atrairá 2,5 milhões de pessoas, sendo 1,5 milhão de estrangeiros. Criada em 1996, a competição aumentou a sua receita em 1.186%, saltando de 29 milhões de euros para 400 milhões de euros. Em patrocínio de TV, a Eurocopa pulou de 53 milhões de euros para 1 bilhão de euros, atingindo hoje 230 países e cerca de 150 milhões de telespectadores por partida.

A Copa do Mundo de 2014 no Brasil alcançou 43 bilhões de telespectadores, movimentou US$ 150 milhões e levou 3,6 milhões de torcedores aos estádios no país. As Olimpíadas Rio 2106 têm expectativa de atrair 2,3 milhões de pessoas para as competições e projeções diferentes estimam movimento entre US$ 400 milhões e US$500 milhões.

Não há consenso sobre o lucro dos jogos, mas o importante é que os exemplos mostram que as competições esportivas de grande envergadura são ótimos negócios econômicos. Se forem bem feitos são extremamente positivos. Geram lucros, projetam a imagem das cidades, atraem novos negócios e turismo durante muito anos.

Após a eliminação da seleção brasileira de futebol na Copa América Centenária, castigada com um gol irregular de mão e o reflexo do fracasso dos 7x1 contra a Alemanha em 2014, já está mais do que na hora de repensarmos tudo do nosso futebol como negócio.

O jogo se nivelou, com a integração global, as técnicas e os lances se difundem pela TV e pela internet. Não há mais time ou seleção ingênuos, todos são competitivos. Se já não temos tanta criatividade e craques, pelo menos precisamos aprender a fazer do futebol negócio rentável, agradável e lucrativo.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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